Objetivo


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

RELIGIÃO - MONGES BENEDITINOS - O TRABALHO E AS IDÉIAS

A TARDE – DOMINGO, 3 DE SETEMBRO DE 1978
Texto Reynivaldo Brito


Uma das personalidades do clero em Salvador mais conhecidas era d. Jerônimo de Sá Cavalcante, ( foto) já falecido, um cearense natural de Fortaleza que dividiu sua vida sacerdotal entre a Bahia e Pernambuco, onde deu os primeiros passos para a fundação da atual Faculdade de Filosofia daquele estado. Ordenou-se na Alemanha, em Beuron ,em 1939.No ano de 1942 retornou ao Brasil, sendo designado para servir na cidade de Garanhuns, interior de Pernambuco, vindo depois para Salvador. Foi durante dez anos o prior do mosteiro e renunciou em abril de 1975 depois de uma entrevista dada a um jornal local sobre o divórcio, tema proibido naquela época a debate público por sacerdotes. Mas, o monge não mudou e suas idéias continuaram sendo defendidas visando à defesa e promoção da pessoa humana.
Dizia d. Jerônimo que sua preocupação era de estar presente não apenas nos momentos de angústia da comunidade, mas, também, nos momentos de alegria. Pouco antes de ser monge estava estudando muito a Teologia para sentir e encontrar a doutrina do povo. "Quando falamos em cristianismo lembramos o Cristo que no século IV foi descoberto pelos homens como sendo o Deus. Hoje estou estudando esta problemática que considero difícil e da mais alta importância para nós. Sei que é uma problemática difícil de ser entendida por alguns. Enquanto a igreja se apresenta no plano social, é claro que, todos entendem e aceitam, quando tratamos de Deus surgem as dúvidas para as quais temos e também buscamos respostas. E, o Cristo que trouxe a sua mensagem. Por isto não estou preocupado em fazer, mas estou preocupado em ser. Reflito sobre a Teologia da Libertação e chego até aos miseráveis que habitam este Nordeste e mesmo os Alagados, que é uma comunidade com mais de 100 mil almas, vivendo uma vida sub-humana sob todos os aspectos. Compreendo que o desequilíbrio dessas regiões ou locais em relação a outras desenvolvidas não é porque Deus quer e, sim, porque os homens vivem distorcendo as coisas e só pensam na riqueza” – Dizia d. Jerônimo numa entrevista que fiz para a revista Manchete.
Confessou que existem posições contraditórias dentro do próprio mosteiro e foi mais além “dentro da própria ordem”. “Mas isto – adiantou – demonstra a nossa independência. Basta dizer que os mosteiros são independentes. Tem governo próprio através do abade e do prior. Acho a discórdia muito válida e é bom salientar que na base estamos irmanados no mesmo pensamento em busca do Cristo que dá resposta aos nossos problemas”.
Continuava afirmando que "o matrimonio é uma comunidade de amor. Para isto o cristianismo deveria ter uma preocupação constante com a essencialidade do matrimonio que é o amor. Não existindo amor não sou favorável que as pessoas continuem juntas. E, vou mais além. Quando estudo a questão da reprodução humana vejo o problema do ponto de vista teológico que o casal tem essencialmente o direito de ter um filho que quer e quando quiser. É um direito do homem, inerente a ele de exercer a sua função reprodutiva em plena liberdade e sem constrangimento, seja ele qual for, procurando descobrir aquelas normas que dirige e governa no mundo. O filho não é fruto do fatalismo ou da simples Providência Divina. O filho é resultado exclusivo da vontade de duas pessoas: um homem e uma mulher. Eles é que decidem a geração de um ser. É um ato altamente humano onde participa a liberdade plena do casal. Sei que alguns ainda vêm o casamento no cristianismo o encontro sexual do homem e da mulher como primordialmente reprodutivo, quando na realidade deve ser unitário, o que pode ser comprovado pela Teologia e a própria Ciência."
Falando sobre seu contato com a Juventude quando participava e orientava os integrantes da Juventude Universitária Católica – JUC declarou d. Jerônimo que sentia e compreendia a revolta do jovem. “O meu contato atual com os jovens permite que tenha uma idéia que o jovem demonstra uma rejeição ao cristianismo hoje apresentado. Isto porque o jovem não encontra este cristianismo respostas para seus anseios e nós que os lideramos do ponto de vista espiritual precisamos ter muito cuidado na apresentação da doutrina de Cristo. É preciso entender e falar a linguagem do jovem para ser aceito e influir em seu comportamento."
E continuou " Não apenas os jovens rejeitam o cristianismo hoje em dia. Isto porque o cristianismo que muitos apresentam é puramente europeu fora de nossa realidade. É bom para nós brancos, descendentes de europeus, mas não para o índio ou o negro. E dentro deste ponto de vista que ora desenvolvo meus estudos para entender a doutrina própria da comunidade em que gravito”.
Além de estudar d. Jerônimo tinha várias atividades fora do mosteiro entre as quais era membro da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (fundador) e trabalhava no Inocoop, órgão encarregado de orientar e traçar a politica das cooperativas habitacionais. Visitava fábricas e mesmo conjuntos habitacionais já construídos para saber das necessidades dos adquirentes. Sua luta no Inocoop era pela construção de unidades habitacionais dignos e de fácil aquisição. Era ainda conselheiro de vários casais que enfrentam problemas matrimoniais.
Finalizando sua entrevista d. Jerônimo de Sá Cavalcante, um monge de idéias consideradas progressistas fez questão de afirmar que tinha muita fé em Cristo e acreditava que tudo começa do homem para Deus. Esperava ter ainda saúde para continuar ajudando a todos aquelas que precisam e a entender os problemas sempre renovados da juventude.

                                                                   ARTISTA
Já o irmão Paulo Lachenmayer chegou à Bahia em 1922 com mais três colegas: José Endres Lohr, atual arquivista e historiador, Conrado Metzger, já falecido e d. Clemente da Silva Nigra, que dirigiu o Museu de Arte Sacra da Bahia por um longo período. Por serem alemães sofreram muito durante a II Guerra Mundial, o que é relembrado com tristeza pelo irmão Paulo um artista nato que estudou com grandes mestres em sua terra natal a escultura e arquitetura interior de templos. Ele faz questão de afirmar que “não sou decorador. Sou um arquiteto especializado em interiores sacros. Não trabalho com arte profana. Sei que muitos arquitetos fazem trabalhos em interiores de templos, mas na realidade não conhecem o assunto e fazem coisas realmente condenáveis. Ele foi consultado sobre a ambientação dos interiores das catedrais de Brasília e Rio de Janeiro, sendo que nesta última ficou muito aborrecido com umas determinações tomadas pelos responsáveis pela construção da igreja e terminou arrumando suas malas e retornando a Salvador, depois de dois anos orientando os trabalhos. Diz irmão Paulo que o grande problema é a incompreensão de algumas pessoas que não concordam com a necessidade da união da funcionalidade dos objetos com o próprio ambiente sacro dos templos”.
Na qualidade de escultor o irmão Paulo fez um grande Cristo crucificado completamente diferente dos que estamos acostumados a ver. O seu Cristo fundido em bronze e depois reproduzido em escala industrial sereno e não está retorcido na cruz. Parece aceitar os castigos impostos pelos soldados romanos com certa serenidade.
Conta irmão Paulo que fez ainda uma Santa Terezinha, bem moderna, e o então cardeal d. Augusto Alvares da Silva, já falecido, mandou retirar as duas imagens porque não representavam o Cristo e a santa. Isto foi um grande golpe e de lá para cá nunca mais esculpiu. Com isto belas e modernas imagens deixaram de ser esculpidas voltando-se para criar brazões para irmandades, prefeituras e igrejas. Um trabalho que o tornou conhecido não apenas no Brasil, mas em vários países. E hoje um estudioso da Heráldica. Para ele a Heráldica não tem aprendizado, tudo depende da convivência. Pelos livros ninguém aprende Heráldica. É preciso sentir e entrar na alma desta arte.


                                                                  RECOLHIDO

O monge d. José Lohr Endres vive praticamente recolhido. Quase não participa das reuniões e orações feitas em conjunto. Sua vida está ligada às pesquisas que desenvolve sobre a ordem no Brasil e no exterior. Publicou em 1975 um extenso trabalho intitulado “Catalogo dos bispos gerais, provinciais, abades e mais cargos da Ordem de São Bento do Brasil” de 1582 a 1975 onde traz informações detalhadas sobre mais de 500 religiosos. Um trabalho paciente e considera de grande importância para o estudo da ordem beneditina.Atualmente, encontra-se no prelo um livro de quase 300 páginas. “O ordem de São Bento no Brasil”, que deverá se lançado dentro em breve. Além destes d. José está escrevendo e revendo outros trabalhos já concluídos.
É responsável pelo arquivo do mosteiro e mantém sob sua guarda importantes documentos. Muitos historiadores o procuram para consultas sobre assuntos ligados a História da Bahia, da qual a ordem tem uma participação considerável.
O monge d. Mariano Costa Rego é o responsável pelo setor de serviço social, fundado por ele há três anos, que já conta com mais de dois mil atendimentos. Foi nomeado pela Arquidiocese de Salvador como coordenador da Comissão de Ecumenismo. Disse que “por enquanto estamos mantendo contatos com religiões cristãs. Mas, devido à própria formação religiosa baiana teremos que expandir nossos contatos com outras religiões e seitas”. Ensina ainda duas cadeiras na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica do Salvador e receber incumbências e solicitações do bispo que “assumo com grande alegria“.
Falando sobre seu trabalho a frente do Serviço Social do mosteiro de São Bento da Bahia diz d. Mariano que “temos duas faixas de atendimento. Para os nossos funcionários e para o pessoal que nos procuram. O atendimento aos funcionários é mais efetivo, pois procuramos acompanhá-los em seus desejos e necessidades”.
Tem uma idéia bastante interessante sobre o celibato. Diz que o celibato é uma escolha positiva da descoberta de um amor maior, que é plenamente capaz de catalizar todas as forças a serviços de Deus. Isto é enquanto um homem casa e ama uma mulher, nós amamos a todos.

                                                                                     REALIZADA


A prioresa do novo mosteiro das monjas beneditinas em Salvador Joana Calmon Villas Boas disse que “estamos aqui para um grande trabalho de promoção humana que esperamos contar com a ajuda dos baianos. Há 20 anos que estou na ordem, depois de ter sido professora com curso de mestrado no Canadá e outros países da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Entrei para o mosteiro um pouco tarde não porque a vocação chegou depois. Mas porque tive que orientar a criação de meus irmãos devido ao falecimento de minha mãe. Isto foi bom porque conheci a vida exterior. A vida religiosa foi para mim uma imensa riqueza que Deus me deu. Sou plenamente feliz como pessoa, como era antes de entrar pra o convento, pois era uma profissional respeitada e venho de uma família de certos recursos. O que desejo agora é trabalhar com minhas colegas. Vamos ter uma vida contemplativa refletindo com as pessoas que vão nos procurar, com os jovens e casais. Pretendemos desenvolver um Serviço Social tendo uma vista a promoção humana”.
Junto com a prioresa veio à monja Vera Lúcia Parreira Horta, carioca, que estava no mosteiro de Belo Horizonte há 10 anos. Moraram alguns anos em Salvador onde frequentava a Escola de Teatro e Dança como qualquer universitária. Chegou a estudar dança. Abandonou tudo e abraçou a vida religiosa. Ela é uma das principais pelas orações que são contadas, feitas pelas monjas.

                                                     VIDAS DOS HOMENS

O abade d. Timóteo Amoroso Anastácio, do Mosteiro de São Bento da Bahia afirma que o que caracteriza a vocação monástica é a busca de Deus. O monaquismo (e a vida religiosa em geral) só se define por este objetivo: buscar a Deus. Por isto, quaisquer que sejam as suas atividades pessoas e comunitárias, a vida do monge é toda orientada para esta finalidade. “Mas esta busca se faz numa comunidade de irmãos que descobriram em si idêntico apelo se consagram a isto, através da oração particular e comum, do trabalho, do serviço dos homens”.
– É interessante notar que a verdadeira busca de Deus jamais se realizou, no monaquismo beneditino, à custa do desapreço pela vida dos homens, pela história dos homens. Em toda parte onde floresceu este tipo de vida, processou-se naturalmente uma admirável harmonia entre o culto e a cultura, isto é, a busca de Deus e a solidariedade com os valores humanos autênticos. Deste modo, os monges beneditinos nunca podem alienar-se das aspirações mais genuínas dos homens, especialmente do grito mais ou menos conscientes que sobe da consciência humana por liberdade, justiça, solidariedade e paz.
D. Timóteo adianta que “unidos em sua vida o ideal do lema “ora et labora”, os monges tentam juntar e harmonizar as três dimensões essenciais do homem em geral: a adoração de Deus, o trabalho de construção da historia humana e a fraternidade universal. Nem sempre, ao longo da história beneditina de quase 1.500 anos, temos sido plenamente fiéis a esse tríplice sentido da nossa vida. Mas esse ideal está sempre chamando o monge. Ele crê na nitidez deste lema nos tempos atuais.
São Bento foi isto: no mundo Caótico e violento ele instalou aquelas ilhas de paz, de oração, de trabalho, de fraternidade que influíram decisivamente para a transformação da sociedade, e na defesa dos valores humanos ameaçados de extinção. Este é o exemplo que Bento nos deixou. Não pretendemos intervir no mundo, mas acreditamos na força secreta e na eficácia misteriosa dos valores de paz e de beleza, que nos inspiram”.

                                                                PARTICIPAÇÃO

Com a fundação do mosteiro de São Bento da Bahia e em outros estados os beneditinos começam a estender sua influência, não só no campo religioso como no econômico e cultural. Dentro dos mosteiros encontramos monges desenvolvendo atividades de grande relevância para as comunidades que o circundam. Os monges não ficam apenas preocupados com a vida contemplativa. Eles têm atividades dentro e fora dos mosteiros que são importantes. Nas artes lembramos de frei Agostinhos da Piedade, da Bahia , que fez muita imagens em terracota, consideração o mais importante ceremista do século XVII, o frei Ricardo do Pilar, um grande pintor; frei Domingos da Conceição e Silva, escultor e frei Agostinho de Jesus responsável pelos trabalhos em cerâmica do extintor mosteiro de Parnaíba, em São Paulo. Estes são alguns poucos dos nomes que sobressaíram através da história dos beneditinos no Brasil. Dezenas de outros nomes poderiam ser aqui citadas. Isto porque a criação é uma constante dentro dos mosteiros onde vivem pesquisando, estudando e trabalhando homens de grande talento.

RELIGIÃO - MONGES BENEDITINOS:QUATRO SÉCULOS DE VANGUARDA RELIGIOSA

A Tarde - domingo , 27 de agosto de1978
Texto Reynivaldo Brito


Há quatro séculos chegaram a Salvador, na Bahia, os primeiros monges beneditinos com o objetivo de fundar um mosteiro desta importante ordem religiosa em terras do Novo Mundo. Foram recebidos com euforia pela população. Meses depois iniciavam a construção de mosteiros, que desde aquela época são uma presença marcante na vida religiosa ,econômica e cultural do Estado. Defensores do lema “Ora e trabalha” os monges beneditinos harmonizaram três dimensões essenciais do homem: a adoração a Deus, o trabalho de construção da história humana e a fraternidade universal. Um lema que tem acompanhado os membros da ordem durante os séculos. Suas idéias e projetos nem sempre receberam ou recebem a aprovação de determinados setores da sociedade brasileira. Mas, a desaprovação nunca esmorece um monge beneditino, que deseja uma participação maior junto à comunidade que serve. Foram eles os responsáveis pela implantação dos Cursos Jurídicos e de Agronomia no país e são ferrenhos defensores das liberdades individuais.
 Na foto ao lado a arquitetura majestosa da igreja de São Bento
Desde o ano passado que os mosteiros beneditinos estão em festa comemorando ainda dois importantes acontecimentos ligados à vida da ordem: O Sesquicentenário da criação da Ordem Beneditina Brasileira, que foi separada da Ordem Beneditina de Portugal através da Bula Inter Gravíssimas Curas, do papa Leão XII, datada de 1 de julho de 1827, e a chegada do Brasil dos monges alemães e belgas da congregação de Beuron, que vieram repovoar os mosteiros que estavam enfrentando sérias dificuldades em fins do século passado devido a uma grande crise vocacional. Estas comemorações antecedem uma grande festa que ocorrerá em 1981 quando o mosteiro de São Bento da Bahia completará 400 anos de fundado. As idéias progressistas dos monges beneditinos estão presentes em vários momentos da História do Brasil. Quatro mil escravos foram libertados 17 anos antes da Lei Áurea, ou seja, em 1871 quando houve a libertação geral livrando-se a ordem de uma mancha de muitos anos.
Durante a invasão holandesa os monges foram defensores das terras do Brasil organizando e apoiando focos de combates. Em 1630 os holandeses praticamente destruíram os mosteiros da Bahia e Olinda e os monges se refugiaram em fazendas no interior. Depois de duas décadas voltaram e reconstruíram seus mosteiros, que tantos serviços religiosos e culturais emprestam ao país.
Explica o historiador do Mosteiro de São Bento, d. José Lohr Endres que as igrejas e os mosteiros foram planejados por arquitetos da ordem e na Bahia se destaca o Museu de Arte Sacra, o convento dos Teresios, a igreja da Misericórdia, a Prefeitura e, provavelmente, o antigo palácio do Governo. O próprio mosteiro de São Bento da Bahia é um dos exemplares mais bem conservados da arquitetura beneditina. Embora tenha sido reformulado várias vezes.
Em 1624 os holandeses ocuparam o mosteiro e em 30 de março de 1625 foi transformado em Quartel General do Sul. Aos 2 de abril de 1625 os holandeses, num ataque inesperado, mataram grande parte da guarnição que hoje está sepultada no seu claustro. A destruição ocorre nesta época, deixando de pé alguns muros. A reconstrução durou muito tempo e em 1750 os trabalhos foram paralisados devido à perseguição movida pelo Marquês de Pombal às congregações monásticas. Um século depois o abade d. Arsênio da Natividade retomou a reconstrução do mosteiro.

                                                                EXPANSÃO
Partindo da Bahia os beneditinos procuraram expandir suas idéias e entre os anos de 1582 a 1586 (existe dúvida quanto à data exata) fundaram o mosteiro de Olinda. Seguiram-se os mosteiros do Rio de Janeiro em 1593, e o de São Paulo em 1610. Novas fundações ocorreram durante o século XVII, entre os quais o da Paraíba, no Recôncavo Baiano, em Parnaíba e Santos, ambos no estado de São Paulo.
O crescimento do número de monges e mosteiros possibilitou uma presença maior na vida da comunidade quer no campo religioso como no campo econômico por meio de seus engenhos e grandes fazendas. Em Olinda eles cultivaram em grande escala a cana-de-açúcar e no Rio de Janeiro a pecuária que alimentavam muitos habitantes da cidade naquela época. São conhecidos a Grande Fazenda de Campos e o Engenho de São Bento de Iguaçu, que faziam parte do mosteiro do Rio de Janeiro.
Foi no mosteiro de Olinda o berço do primeiro curso jurídico do Brasil, ao lado do curso iniciado em São Paulo. Logo depois a perseguição movida pela maçonaria e pelo Marquês de Pombal resultaram em sérias dificuldades para os monges que já não contavam com a ajuda dos governantes que proibiram o reconhecimento dos cursos realizados por alguns noviços que foram enviados para Europa com o objetivo de evitar o esvaziamento dos mosteiros. Somente em 1890, já na República é que o monge Domingos da Transfiguração Machado reiniciou o repovoamento dos mosteiros.
Contam os historiadores que na época da realização do primeiro congresso dos Abades Beneditinos, em Roma, em 1893 o Papa Leão XIII pediu a congregação Beneditina de Beuron, Alemanha, que se incumbisse da missão de restaurar a ordem no Brasil. Finalmente foi encarregado o mosteiro de Maredsous, na Bélgica, pertencente aos alemães que enviou alguns monges chefiados por d. Gerardo Van Caloen, que desembarcou em Recife no dia 17 de agosto de 1895. Os 16 monges e d. Gerardo foram recebidos pelo único colega existente em Olinda, d. José de Santa Julia Botelho e o abade-geral, d. Domingos da Transfiguração Machado. Foram depois para a Bahia e São Paulo. Porém, no Rio de Janeiro foram repelidos pelo abade d. João das Mercês Ramos, o qual não aceitava os belgas e insuflou os fiéis contra os novos sacerdotes. A população invadia o mosteiro e os monges conseguiram fugir com ajuda de um velho ex-escravo até que foram garantidos pela polícia e o trabalho prosseguiu.

                                           HOJE ESTÁ CRESCENDO


Enfrentando momentos difíceis através dos tempos os beneditinos são atualmente muito procurados por jovens que desejam abraçar a vida religiosa. Segundo declarações recentes do abade-presidente da Congregação Beneditina Brasileira, d. Basilio Penido “nunca nos últimos 50 anos, tivemos tanta procura; hoje, a ordem tem 30 noviços e postulantes. Isso é bom sinal, pois antes, há uns 10 anos os jovens nos procuravam com o aspecto social ou político, mas hoje, a maioria vem por causa da oração. Não que sejam campos antagônicos, e, sim, complementares. São os mesmos jovens que ora se aprofundam nessa ou naquela direção. E, estamos sempre prontos para acolher todos para reza conosco”.
Na foto ao alto os monges beneditinos baianos ouvem a palavra do abade D. Timóteo Amoroso.

No ano passado dois jovens baianos entraram para o noviciado no mosteiro de São Bento da Bahia, são eles: Carlos Francisco Linhares e Moacir de Azevedo Rabelo Leite, ambos com 20 anos de idade. Estavam há dois anos na qualidade de postulantes ao noviciado. Eles participavam dos movimentos de jovens do mosteiro e segundo declararam a vontade abraçarem a vida monástica veio aos poucos.
Embora a ordem tenha uma atuação marcante na Bahia, somente agora está sendo implantado um mosteiro dedicado as monjas beneditinas. Dois terrenos já foram oferecidos por pessoas ligadas ao clero, sendo um localizado nos arredores da cidade e outro no município de São Francisco do Conde, que dista cerca de 60 quilômetros de Salvador. Oficialmente o mosteiro já foi criado e as monjas que vieram sob a orientação da prioresa Joana Calmon Vilas Boas estão alojadas provisoriamente nas dependências do mosteiro das irmãs Carmelitas, no bairro de Brotas. Elas já foram abençoadas pelo cardeal e Primaz do Brasil d. Avelar Brandão Vilela, durante uma cerimônia realizada na capela do referido mosteiro.
Conta à prioresa Joana Villas Boas que somente em 1910 é que surgiu o primeiro mosteiro para moças interessadas em ingressar na vida religiosa beneditina. A primeira monja foi Gertrudes da Silva Prado que por não existir templos femininos no Brasil, teve que se deslocar de São Paulo para Stambrook, na localidade de Calow End, na Inglaterra, onde fez o noviciado. Mais tarde, ao lado outras moças fundou o mosteiro de Santa Maria, em São Paulo vindo a ser a primeira abadessa da ordem no Brasil. Este mosteiro possibilitou a fundação de outros a saber: em Buenos Aires, Montevidéu, Juiz de Fora e Belo Horizonte. Neste último residem 45 monjas, cinco das quais vieram fundar o mosteiro na Bahia. Além desses ainda existem mosteiros em Olinda e Caxambu.
Explica a monja que pretende além da vida de orações, incrementar os trabalhos de promoção humana e receberão hóspedes que queiram participar das orações.

                                                   PARTICIPAÇÃO

As atividades dos beneditinos vêm sendo ampliada. Na Bahia eles possuem o Ginásio São Bento, a Tipografia e Editora Beneditina, o Coral da Juventude, um Serviço Social com dois campos de ação – um em função dos funcionários da ordem quebrando o relacionamento tradicional entre o padrão e o empregado, e outro, destinado aos pobres que procuram os monges. Além de manterem contatos permanentes em vários setores da sociedade com empresários, jovens e operários. Um trabalho abrangente de um grupo de homens dedicados a servir aos semelhantes.
A ordem criada em 543 por São Bento, um estudante de Direito, nascido em Múscia, na Itália conta atualmente na Bahia com 11 monges e seis irmãos. O abade é d. Timóteo Amoroso Anastácio é o prior d. Noberto Santana responsável pela direção do Ginásio São Bento e pela administração do mosteiro.

EDUCAÇÃO - ALEMANHA : QUALIDADE SÓ COM FORMAÇÃO PROFISSIONAL

ALEMANHA - educação

A TARDE – Quinta-feira 28/10/1993
Texto Reynivaldo Brito

Estamos assistindo a uma movimentação, principalmente no setor empresarial, com manifestações em defesa da qualidade dos produtos e serviços oferecidos no País. Só que estão começando pelo fim. Não se pode pensar em qualidade sem uma base de formação profissional que garanta a continuidade deste processo, responsável pelo desenvolvimento dos países que estão na linha de frente da civilização moderna. Aí estão o Japão, os Estados Unidos, a Alemanha e até mesmo alguns chamados de “Tigres Asiáticos”, dentre outros. Estes países investem na formação profissional e acreditam que somente desta maneira é possível garantir a qualidade de seus produtos. Isto é possível graças ao entrosamento entre a escola pública e as empresas. É sobre esta experiência que trata esta reportagem, após uma visita de duas semanas à Alemanha conversando com autoridades, empresários, professores e estudantes. Lá também existem problemas e conflitos porque estamos tratando da formação do profissional, e onde está presente o homem, existem divergências. Porém, a formação “Dual” é à base do sucesso de grandes corporações alemãs.
Na foto à esquerda , mostra que nas escolas  profissionais o  manejo de  máquinas como as furadeiras de grande porte é comum entre os alunos.

Os alemães competem no mercado internacional com produtos de qualidade indiscutível. Os equipamentos ópticos, gráficos, seus automóveis (Mercedes-Benz e BMW), dentre muitos outros produtos são feitos com um esmero que espanta o desavisado. Tudo é feito para durar. Até uma simples carteira ou mesa de escritório é feita para durar muitos anos. A sociedade do descartável que implantaram no Brasil quase não tem espaço, porque os produtos são feitos realmente para durar. São fortes e bem feitos. Esta filosofia inclusive está sendo perseguida pelos japoneses que, após conseguirem miniaturizar quase tudo, agora buscam atingir um alto grau de qualidade e sofisticação.
A maioria dos jovens que termina a escola básica segue para as escolas de formação profissional. Isso é que os alemães chamam de sistema dualista ou dual, que resulta da união da formação prática numa empresa com a formação teórica na escola pública. Assim, a economia privada e o Estado juntos são responsáveis pela formação de milhões de jovens. Esta responsabilidade está faltando em muitos empresários brasileiros, inclusive nos dirigentes das grandes corporações, que podem criar escolas profissionais próprias para preparação de uma mão-de-obra qualificada, além de se beneficiar com a relação que se estabelece entre o aprendiz e a empresa. O trabalhador passa a gosta da empresa, produz mais, conserva melhor o maquinário e outros equipamentos de uso individual ou coletivo dentro da organização.
Na Alemanha, a União é responsável pelas normas de formação, enquanto que as escolas profissionais estão sujeitas a cada estado federal. Existem quase 400 profissões reconhecidas, mas a preferência dos Jovens recai sobre uma dezena delas, principalmente de mecânico de automóveis, instalador elétrico, comerciante, pintor e marceneiro. As mulheres preferem profissões como cabelereira, vendedora, comerciária e de assistente médica e dentária.
Estive visitando várias escolas profissionais em companhia de mais quatro jornalistas latino-americanos: Maria Guadalupe, da Bolívia; Alberto Borges, do Equador; Rosalina Orocú Mojica, do Panamá, e Carlos Juanes,de El Salvador, quando constatamos a seriedade com que o ensino é ministrado, além da disciplina quase monástica.

                                                   ALTERNÂNCIA

A formação do jovem alemão acontece diferentimente do que estamos acostumados a ver aqui no Brasil. Lá o aluno ao lado da formação na empresa, onde inclusive ganha uma bolsa que varia de 300 a 600 marcos no primeiro ano, indo até 800 marcos no último ano, o jovem frequenta a escola profissional de um a dois dias por semana, durante três anos. Nas aulas, além das matérias de formação geral o aluno recebe conhecimentos teóricos específicos. Esta escola é ainda obrigatória para todos os jovens menores de 18 que não frequentam uma outra escola. Porém, verifique que em algumas escolas ao invés de alternar os dias da semana na empresa e na escola eles preferem alternar semanas, isto é, passam uma ou duas semanas na empresa e uma semana na escola.
Numa indústria de máquinas de fazer cigarros, que é mantida por uma fundação milionária, visitamos a escola da empresa onde estudam 127 alunos e são empregados cerca de 7,5 milhões de marcos por ano na formação profissional, inclusive com a presença de alguns estrangeiros especialmente dos países da ex-Iugoslávia. Lá, verificamos que a formação tem uma disciplina que é essencial para a formação do homem. Não são ensinados apenas aspectos técnicos de como fazer uma peça de metal, mexer no computador ou fazer um desenho. É preciso tratar bem os equipamentos, limpar a área do seu aprendizado, cumprir rigorosamente os horários e estudar as lições passadas pelos mestres. O mestre tem uma ascendência muito grande sobre seus alunos que o respeitam muito e o tratam com referência. Esta disciplina foi uma das coisas que mais chamou a atenção do grupo de jornalistas latinos acostumados com a bagunça que reina em muitas escolas deste hemisfério.
Com isso não quero dizer que lá não existem problemas. Existem sim, e muitos. Tivemos oportunidades de ver na estação de trem de Hamburgo vários jovens drogados que ficam reunidos o dia inteiro naquele local bebendo e acertando seus encontros marginais. A Polícia assiste a tudo de longe só interfere quando acontece um problema maior. Esta área inclusive é considerada perigosa, e os turistas são avisados para não andarem sós por aquelas bandas em determinados horários.

                                                      
                                                           OUTRAS MANEIRAS

Também é verdade que ao lado do aprendizado na empresa e na escola profissional existem outras maneiras de formação profissional, escolhidas por um número cada vez maior de jovens. Um delas é a escola profissional especializada em tempo integral, que dura um ano, e a outra é a escola superior especializada, que acolhe os alunos com o certificado de conclusão da escola real, que, após dois anos de estudos, estão de posse do certificado de madureza da escola média-superior especializada. O aprendizado em oficinas próprias, estágios de aulas práticas e teoria integram seu currículo.
 Na foto estrangeiros são treinados e o estudo do alemão é obrigatório para início da formação
É certo que varia de dois a três anos o aprendizado nas escolas como as que mantêm a Siemens e a Mercedes-Benz, a depender da profissão que o aluno escolhe. Ele recebe uma remuneração que só tem aumento anual. É bom sempre lembrar que a inflação por lá é baixa. A Alemanha tem um alto padrão de vida, porém o custo dos produtos está alto em toda a Europa.
Esses alunos são regidos por normas educacionais baixadas pelos ministros federais, tendo como base sugestões dos conselhos que são formados por federações industriais, organizações estatais e sindicatos. Essas normas determinam o conteúdo dos currículos, mas todos são obrigados a prestar exames nas Câmeras de Indústrias, do Comércio, do Artesanato e da Agricultura e órgãos semelhantes. Estas câmaras compõem suas bancas examinadoras com representantes dos trabalhadores e professores da escola profissional.
São mais de 500 mil empresas de todos os ramos da atividade econômica que têm seus aprendizes que são submetidos, ao término de dois a três anos, aos exames das câmaras. Ai, os alemães garantem a qualidade e só realmente encontram emprego seguro aqueles que são aprovados. Os exames são rigorosos e os aprendizes tem que estudar bastante.
É difícil alguém começar a sua vida profissional na República Federal da Alemanha sem ter tido uma formação, o que comprova o sucesso e a efetividade do sistema dualista de formação profissional. A fiscalização é severa e feita pelas câmeras que não permitem enfraquecer a sua atuação e também provocar ao longo dos anos a perda da qualidade dos produtos a da mão-de-obra nos serviços oferecidos no país. Ao lado da formação profissional, também as universidades alemãs têm papel destacado na formação do jovem. A mais antiga delas é a Heidelberg, fundada em 1386. São mais de vinte universidades estatais e particulares. Na universidade rege a autogestão presidida por um reitor ou por um presidente, que é eleito para vários anos. Lá, o estudo nas universidades é concluído com o diploma, com o mestrado ou com a licenciatura, a seguir a possibilidade de obter-se uma maior qualificação através de doutorado. Também é feita uma seleção através de teste e entrevistas, principalmente para os cursos mais solicitados.
Já a formação de adultos atinge hoje mais de 10 milhões de cidadãos que buscam atualização do conhecimento numa sociedade industrial que se renova rapidamente, onde centenas são obrigados a mudar de profissão para garantir sua sobrevivência porque muitas ocupações vão aos poucos desaparecendo e dando lugar a novas. Aí comparecem muitos estrangeiros que se preparam para enfrentar uma nova vida.

                                                  LADO COMUNISTA

Também no leste, os alemães participavam da formação profissional, só que lá os jovens eram encaminhados obrigatoriamente para esta ou aquela profissão, levando-se em conta as vagas e a necessidade de formação, ou seja, estavam precisando de 10 mecânicos qualificados, então eram encaminhados 10 jovens, e assim por diante. Tinha um total de 55 escolas profissionais, todas estatais, as quais estão sendo paulatinamente adaptadas à nova realidade, inclusive com os currículos da ex-Alemanha Ocidental.
O certo é que a desvantagem da formação comunista tinha também um lado positivo: é que sua sobrevivência, bem ou mal, estava garantida. Ou seja, ao término do curso, você tinha um lugar assegurado. Agora, a liberdade de escolher o que se deseja, também não assegura um lugar de trabalho. É preciso competir e atingir uma boa formação para disputar o mercado de trabalho. Os próprios professores reconhecem que mesmo após a união das Alemanhas poucos jovens conseguem realmente trabalhar no que gostariam. Tudo é regido pela lei do mercado, portanto, tem que ser levado em conta qual a profissão que lhe garante uma sobrevivência com mais ou menos segurança. No lado comunista, muitas empresas estão sendo fechadas e centenas quebraram porque não acharam quem quisesse comprá-las. Um exemplo: ficamos hospedados num hotel localizado ao lado da estação de trens na cidade de Schwerin, o qual foi colocado a venda e ninguém se interessou. O hotel é antigo, com banheiros tão pequenos que mal dá pra você levantar o braço. O hotel é o melhor da cidade, está ameaçado de fechar deixando antigos funcionários do Leste desempregados.
Aliás, um fenômeno que está nos olhos do visitante é a frustração, após a euforia dos abraços e as festas que era oferecida pelos alemães ocidentais aos seus “irmãos” do Leste. Agora eles têm liberdade, porém, os produtos de consumo não estão – aliás como acontece com qualquer país capitalista, e a Alemanha não está insenta, porque não é nenhuma ilha de fantasia – à disposição dos que têm dinheiro. E, nem todos podem comprá-los. Você admira um BMW, uma Mercedes e roupas caras numa vitrine de um magazine de luxo, sabe que isso existe, mas não está ao seu alcance. A sedução do consumo é muito grande, frustra e vai fundo naqueles que estão sem condições de adquiri-los. O desemprego também é grande e muitos terão que ser reeducados. Para se ter uma ideia, a maneira de servir num restaurante ocidental é bem diferente da do Leste. Lá as pessoas não foram preparadas para atender bem ao cliente, conquista-lo e saber que ele é a alma do seu negócio. Estavam acostumados a servir por obrigação aos camaradas e quase sempre estavam com a cara fechada e muitos ainda continuam assim. Este pequeno detalhe é fruto de minha observação, não pode ser tomado como uma regra geral, mas, certamente existe e tenderá a desaparecer com o passar do tempo, pela exigência do próprio mercado.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

TURISMO - A CAPITAL DAS LAVRAS VIVE DO PASSADO


Texto e fotos de Reynivaldo Brito
Abandonaram Lençóis, a antiga capital das Lavras. Os casarões estão caindo e as ruas estreitas não apresentam movimento dos tempos onde o garimpo era uma atividade lucrativa. Os casarões vazios e sujos refletem apenas a lembrança e a tristeza da ausência dos saraus onde os grandes compositores e escritores europeus eram cantados e festejados. Lençóis está agonizando, principalmente depois que uma tromba d´água desabou em dezembro do ano passado, atingindo vários pontos da cidade. Parece que o destino veio apressar esta morte. Suas pracinhas estão esburacadas, a velha ponte de arcos romanos sobre o rio Lençóis também perdeu sua bela balaustrada e até o mercado está sendo desvirtuado com a presença de barracas de toda espécie.
O ”Salão” de onde os visitantes retiravam areia de todas as cores, está semidestruído e as inúmeras pequenas cachoeiras que descem das montanhas que lhes cercam é que teimam em dar-lhe toda a grandeza dos tempos de fausto. A cidade está localizada num vale rodeado de grandes rochas de granito, no zona centro-oeste da Bahia. Surgiu em 1845 quando ali chegaram os primeiros garimpeiros atraídos pela abundância de diamantes e carbonatos nos leitos dos rios Lençóis e São José. Vieram os coronéis com seus jagunços a desafiar os poderes constituídos. Conviveram por muitos anos naqueles chapadões imensos, onde só podemos hoje admirar as torrentes de águas brancas e inabitadas.

                                                                           BELEZA

A paisagem que lhe rodeia é bela e fascinante. A cidade calma, semelhante àquelas do oeste americano, fadada ao desaparecimento devido à escassez de diamantes e a consequente fuga de seus filhos e aventureiros.
Somente as estórias contadas à sombra dos casarões parecem sobreviver. Com dois filhos que ocuparam as cadeiras da Academia Brasileira de Letras – Urbano Duarte, fundador da cadeira número 12, e Afrânio Peixoto, que sucedeu a Euclides da Cunha na cadeira n.7, e as fanfarras e valentia do coronel Horácio de Matos, chamado de grande líder sertanejo, a cidade parece guardar pouca coisa de sua história. Parece que esqueceram da importância da cidade e o seu tombamento vem funcionando como uma injeção paralisante. Nem o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – e nem mesmo os particulares proprietários dos imóveis vêm realizando uma obra digna de destaque. É como estivesse um à espera do outro, num encontro que jamais acontecerá.

                                                                PRIVILÉGIO

Localizado na Chapada Diamantina, o município de Lençóis é um dos mais privilegiados com recantos belíssimos e próprios para exploração turística. O visitante sente a amplidão de sua passagem ora calma, ora regressiva, com grandes elevações e rochas que surgem ao longe. As serras das Almas, do Itubira, da Furna, de Santo Antônio e muitas outras com seus picos eriçados sempre envoltos pela bruma. O Morro do Pai Inácio, que é um castelo de granito, quase intransponível e sobre a qual existem várias lendas. Uma dessas lendas diz que viveu há cerca de 100 anos um homem conhecido por “corvo humano” que disputava com os urubus as reses que morriam nas pastagens por picadas de cobras ou moléstias. Vivera ali muitos e muitos anos e viera de Minas Gerais. Aos 90 anos tinha feições de um homem de quarenta. Outros contam que o morro é chamado de Pai Inácio porque ali se escondera um perigoso jagunço perseguido pela polícia baiana. Um dia ele foi surpreendido pelos soldados e para não ser preso abriu um guarda-chuva que trazia consigo e pulou morro abaixo numa altura de cerca de 500 metros. Essas são as principais lendas que envolvem em mistérios aquele bloco colossal de quartzo que encanta qualquer viajante.
Logo abaixo encontrei o Rio Mucugezinho que desce das serras em corredeiras, formando, de quando em vez, pequenos poços onde os habitantes da região acorrem aos domingos e feriados para os saudáveis banhos de rio. As águas do Mucugezinho são escuras, porém limpas, e devido à correnteza não encontramos quase organismos vivos que venham a prejudicar a saúde do homem. As águas correntes chegam a formar espumas, quando vão de encontro aos rochedos e são muito frias.
Já ao sul da cidade de Lençóis subindo a serra, encontramos grandes formações rochosas e várias grutas onde os moradores procuram areias e orquídeas. São locais indescritíveis e muitos vivem de explorar essas grutas retirando areias de cores variadas que são usadas para fazer desenhos em garrafas. Um desses artesões é Manoel Reis dos Santos, conhecido por Nequinho, que prefere encher garrafa do que ser professor primário. Embora diplomado, nunca exerceu o magistério porque com a sua atividade consegue mais dinheiro que se estivesse ensinando. Há 16 anos trabalha com as areias coloridas e muitos turistas possuem em suas casas garrafas com as inscrições “Lembrança de Lençóis”. Ele está dando certa originalidade nos seus trabalhos porque consegue fazer desenhos enaltecendo a flora e fauna locais.

                                                          HOSPEDAGEM

É um pouco difícil a hospedagem em Lençóis, atualmente. Só existe o “Hotel de Dona Juliana”, á beira do Rio Lençóis, bem junto à centenária ponte de arcos romanos, que liga a Praça dos Nagôs ao Bairro de São Felix, construída por volta de 1860. Mas dos seus quartos de piso e forro de madeira sente-se o barulho das águas batendo contra os rochedos. Isto cria uma ambiência agradável especialmente para àqueles que nunca moraram numa cidade ribeirinha ou mesmo que estejam acostumados com o barulho intrigante de buzinas e motores de carros. Mas, está sendo restaurado um grande casarão colonial que será a Pousada de Lençóis. Nos fundos, existem as ruinas de um antigo centro de lapidação de diamantes. O curioso é que todo sistema funcionava através de uma roda d´água que dava energia necessária para o trabalho de lapidação. Hoje está abandonada e certamente será também restaurada para servir de mais uma atração turística da cidade. Não se pode também esquecer a flora riquíssima com as serras completamente tomadas por flores de todas as cores. Do mês de setembro em diante as serras ficam apinhadas de orquídeas lilás e brancas, dando um colorido ainda mais bonito. A fauna também é rica, porque ainda podemos encontrar trechos de floresta densa, onde estão escondidas muitas espécies.

                                                           DECADÊNCIA

O triste é observar que mesmo com tanta beleza natural o homem está deixando que a cidade morra. A civilização do diamante foi deixando para os pobres a conservação daqueles casarões que em época não muito distante foram palcos de importantes decisões para todo o sertão baiano. Muitos ali estiveram em busca de riquezas e ali gastaram muito dinheiro no consumo de bens supérfluos vindos de todos os países da Europa. Formaram-se aglomerados humanos porque a riqueza era fácil. Da noite para o dia um garimpeiro ficava milionário graças a um diamante ou carbonato valioso. Foram embora quando a lavra escasseou e com eles suas cantigas que se ouviam de longe misturadas com o barulho do cascalho removido pelas peneiras. Hoje, os que ficaram vivem de pequenos serviços ou estão recebendo uma mísera aposentadoria do Funrural. É gostoso conversar com os velhos garimpeiros, que a exemplo dos velhos pescadores sempre têm estórias fantásticas para contar.
Portanto, do garimpo restam as lembranças e a teimosia de uns poucos que ainda se atrevem a subir as serras para remover o cascalho em busca de um grão pequenino de diamante. Levam às vezes meses sem encontrar nada, e quando conseguem mal dá para cobrir as despesas que lhes garantam uma sofrida sobrevivência.
A cidade é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, desde 1973, graças a um movimento realizado por um grupo de jovens, filhos de Lençóis, quando da realização em Salvador do II Encontro dos Govenadores sobre Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural do Brasil. Lá existem três oficinas de lapidação de diamantes e até hoje encontra-se em razoável estado de conservação a chamada Casa de Lapidação, que já existia desde 1885, onde a maquinaria primitiva era movida por uma roda d’água e por onde passaram muitos lapidadores estrangeiros de renome. Muitas outras unidades compõem o conjunto arquitetônico como o antigo prédio da Sociedade União dos Mineiros, que está sendo restaurado pela prefeitura local. Existem duas igrejas: Nossa Senhora dos Passos, que tem a planta em forma de retângulo e o prebistério separado da nave por arco cruzeiro, sendo a capela-mor da mesma largura que a nave. Ela não tem torre sineira e os sinos ficam localizados na empena do lado do Evangelho. Tem uma arquitetura interessante e o visitante desavisado pensa que o arco cruzeiro é um arranjo provisório, quando na realidade foi assim construído. Esta igreja tem muitas imagens centenárias e está localizada num alto que permite uma visão perfeita de grande parte da cidade. A igreja de Nossa Senhora do Rosário, atual matriz, está parcialmente desfigurada, porque antes do tombamento, exatamente na década de 50, dois padres holandeses chegaram a Lençóis e fizeram “uma reforma” inclusive colocando por cima do piso original outro de qualidade duvidosa. Esta igreja precisa ser restaurada para reencontrar a beleza perdida.
A casa Paroquial, que é um dos casarões remanescentes edificados no Tomba-Surrão, debruçados sobre o rio Lençóis e muitas casas onde as paredes dos muros e mesmo as internas são edificadas com pedras à vista. Conta ainda com um importante prédio de formato curioso e alto onde foi instalado o primeiro consulado francês do país. As ruas e ruelas com piso feito de pedras “cabeça de negro”.
São três mil e poucos moradores que vêm sofrendo a decadência de uma cidade, mas continuam esperançosos que o garimpo seja mecanizado, que o turismo chegue para conhecer suas belezas naturais e também que os órgãos responsáveis pela conservação dos monumentos históricos assumam a responsabilidade que lhes cabe. Uma esperança que está prestes a se transformar em realidade já que o turismo vem crescendo em nosso Estado e a pousada que ora estão instalando, poderá ser o primeiro instrumento que possibilite a sobrevivência de Lençóis.
Sem dúvida, vale a pena conhecer Lençóis para você conviver com os casarões coloniais, com os garimpeiros, sentir sua vegetação rica e ouvir o barulho de suas águas descendo das serras.

ARTES VISUAIS - OBRA DE YEDAMARIA ESTUDADA NUMA UNIVERSIDADE AMERICANA


ARTES VISUAIS
A TARDE – TERÇA-FEIRA, 26/02/1991
Texto de Reynivaldo Brito


Uma homenagem e reconhecimento justos vão coroar a obra de uma das mais importantes artistas desta terra impregnada pela cultura africana. Trata-se da pintora e gravadora Yedamaria que está seguindo para os Estados Unidos, onde uma exposição retrospectiva de sua obra será montada na Califórnia State University, Northridge, acompanhada de um belo catálogo bilíngue com várias ilustrações em cores. Lá também fará algumas palestras sobre sua experiência como pintora e sua ascendência social como artista negra. O Departamento de Estudos Pan-Africano estará envolvido no projeto e a publicidade do evento ficará a cargo dos próprios estudantes da universidade, ligados ao setor de arte. A curadoria da exposição é da Dra. Mikelle Omari. Ela hoje é conhecida no exterior como a mais importante pintora negra brasileira da atualidade, tem mestrado nos Estados Unidos e obras em acervos de vários colecionadores estrangeiros.
Yedamaria vem de uma família de professores. Seu avô foi professor nos anos de 1884 a 1912. Sua mãe também era professora e lecionou vários anos. Ela escolheu a arte como forma de expressão e através dela passa sua experiência aos alunos de Belas Artes. Mas a arte fala forte no sentimento desta mulher de fibra que sabe captar a beleza dos objetos simples, que muitas vezes estão descansando preguiçosamente ou despretensiosamente sobre uma mesa se toalha rendada. É um peixe que foi arrancado de seu habitat natural e jaz num prato frio de louça. Ela consegue pintar o peixe neste estado de completa ausência de vida com uma força expressiva que nos traduz tranquilidade e beleza. As frutas coloridas e doces se multiplicam em sua obra. São elementos fundamentais à própria existência primitiva de vida que Yedamaria se identifica e nos serve num banquete mágico. As figuras humanas colocadas em suas telas com os olhares impregnados de fé e esperança neste país que balança e teima não cair. Com suas naturezas-mortas Yedamaria coloca sua família reunida como se habitasse uma antiga casa-grande cheia de parentes de uma família de prole numerosa.
Ela também não esconde que o fato de ser uma mulher negra teria enfrentado maiores dificuldades para que sua obra tivesse um reconhecimento internacional ou mesmo local. Confesso que embora não saiba detalhes dessas dificuldades, não vejo com os mesmos olhos este sentimento de minha amiga Yedamaria. Acho que as dificuldades são comuns a todos artistas, principalmente aqueles que não dispõem de um certo suporte econômico. Pretos e brancos sofrem para trilhar o caminho do reconhecimento. Porém, se nasceram de famílias abastadas, de pais conhecidos no seio da sociedade o trilhar do caminho da fama e do reconhecimento fica mais fácil. Ainda mais no meio artístico a discriminação é quase nula pela própria abertura de sentimentos que têm os intelectuais e artistas. Mas, respeito este sentimento de Yedamaria e admiro acima de tudo a sua luta individual em vencer, a sua persistência em produzir uma obra de qualidade que venho ressaltando há vários anos.
Yedamaria recolheu para o curriculum que leva para os Estados Unidos uma série de depoimentos de críticos e artistas sobre sua obra. Escolhi alguns trechos para ilustrar esta matéria, procurando estabelecer um conjunto harmonioso, como é a sua obra.

Vejamos:
" Na madrugada do mar, os saveiros partem as velas soltas, para a repetida aventura da Bahia de Todos os Santos, nesse mistério de Iemanjá e de vida e morte para os homens cor-de-cobre. Da realidade lírica e dramática vive a pintura de Yedamaria, moça baiana cujos olhos estão cheios do mar e dos barcos. Quem me falou nela pela primeira vez foi Lina Bardi. “Preste atenção a essa jovem, tem talento e futuro”, disse-me a então diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia, na tarde magnifica da inauguração da exposição do Museu de Arte Popular, no Unhão restaurado. Em meio a uma discutível exposição da moderna plástica baiana, à qual faltavam alguns nomes fundamentais de nossa arte atual, vários novos tentavam impor-se aos visitantes com seus quadros, óleos, aquarelas, desenhos. Os responsáveis pela mostra haviam recolhido muitas promessas, moços cheios de ímpeto e entusiasmo.
Dessas vocações, quantos sobraram, quantos prosseguiram trabalhando? Alguns poucos, apenas, e entre eles a jovem Yedamaria com seus barcos, suas cores baianas, sua tônica de um lirismo lascinante. Veio a exposição individual, no Teatro Castro Alves e, de repente, a Rampa do Mercado mudara para o Campo Grande. Como se toda a realidade da Bahia só tivesse ela, a pintora, alhos de ver as velas dos barcos, a carcaça dos barcos, a água a rodeá-los, mar infinito.
Não sei que outras coisas irá ela pintar, como continuará seu trabalho, a evolução de sua temática. Sei que seus barcos ai estão; realidade de arte baiana atual. Já o nome da jovem pintora se inscreve mais além da promessa e da incipiente vocação. Tenho muita confiança em Yedamaria. Em seus barcos de luz e cor, ela partiu para conquista sua arte, conquista que realiza dia a dia, em duro e consciente trabalho.

JORGE AMADO

"Ao escrever agora sobre Yedamaria tenho diante dos olhos, na parede de minha sala de trabalho, há quase 20 anos, um quadro de sua exposição de 1963, no Museu de Arte Moderna da Bahia, então sob a feliz direção de Lina Bardi.
A mais jovem ainda pintora, recém-saída da Escola de Belas Artes já revelava toda a sua força criadora e grande expressividade, nos belos quadros da fase dos barcos de cores tão quentes e dramáticas.
Yedamaria segue pelo tempo com as mesmas qualidades, mas agora deixando transparecer um refinamento de personalidade definida, da mão mais afinada, de amadurecimento do ofício.
Dominando todas as técnicas da gravura, os procedimentos da monotipia, da ponta-seca, da Colorgraph, alcançam pelas suas mãos os melhores resultados.
A unidade desta exposição com temática de natureza-morta confirma, pela segurança das composições, no cromatismo harmonioso de tons calmos e suaves, a forma completa da artista Yedamaria na sua plenitude.
Capaz de percorrer os melhores caminhos da arte moderna com experiência própria e erudição acentuada, as influências fauvista no colorido marca nas colagens de frutas e objetos outros a atualidade que, a partir de Braque e Picasso, constituem de maneira radical processos técnicos próprios da arte do século xx.
Yedamaria é a mais importante das artistas negras da Bahia e talvez do Brasil, ainda com uma inestimável folha de serviços na cultura e educação, como professora primária, secundária e superior, pois é professora Universidade Federal da Bahia.
A Sociedade Protetora dos desvalidos fundada por ex-escravos, ao comemorar 150 anos de sua fundação, organizou uma exposição retrospectiva de sua mais ilustre Sócia, a pintora Yedamaria."

CARLOS EDUARDO DA ROCHA

"Uma das satisfações da vida de um artista plástico reside no convívio com seus colegas e amigos, e esta é ampliada quando descobrimos que, o trabalho floresce, que o esforço e a dedicação assim como o talento, continuam crescentemente, enriquecendo a vida.
Yedamaria regressa dos Estados Unidos, com o Mestrado em pintura e gravura, trazendo consigo alguns exemplares do seu aprendizado e da sua contribuição.
Os trabalhos apresentados têm grande força no que tange ao cromatismo e revelam, paralelamente, em perfeito domínio da linguagem técnica. Na temática, estão presentes referências pop assim como uma acentuada atmosfera Fauve. Notamos nas naturezas mortas, além da harmonia de cores e nuances reforçado pelo exuberante tratamento das superfícies, a cristalização de uma maturidade criadora e a excelência do seu domínio técnico chega, por vezes, a confundir o espectador, mesmo quando especialista."

MÁRIO CRAVO JUNIOR

"Yedamaria faz parte da segunda geração de artistas modernos da Bahia. De formação universitária, a sua importância como artistas é altamente relevante, sendo o seu trabalho mais um exemplo de coerência profissional. Nas diversas fases de sua pintura, a espontaneidade criativa composicional, a cor vibrante, instintiva, emocional são constantes e revelam um forte temperamento artístico. A importância de Yedamaria deve ser também considerada em função do seu papel como educadora, atuando positivamente no desenvolvimento da percepção e personalidade de centenas de jovens, na escola média e superior."

JUAREZ PARAIZO

"Poucas palavras definem com muito mais acerto a poderosa presença de Yedamaria nas artes plásticas baianas. Sua posição no meio artístico da Boa Terra deve-se a força, das suas obras, plenas de consciência criadora, integradas aos nossos costumes, à nossa gente. É características baiana, não é sublime porque é terra, povo e mar. É produto da influência de alguém? – isto não acrescentaria nada ao valor da sua obra. Yedamaria tem em sua produção artistas a atmosfera tipicamente baiana. Captando a Bahia com sua notável sensibilidade, tornou-se um dos seus mais representativos artistas plásticos. Assim nos barcos geminados, carregados de luas ardentes."

YVO VELAME

"Depois de seus descobrimentos na Europa, o contato com o ambiente artístico dos Estados Unidos da América foi naturalmente profícuo para a pintora e gravadora Yedamaria, uma artista vigorosa, mas procedente do meio acomodatício, provinciano e folclórico da Bahia, atualmente denominado por um inflacionismo de artistas oficiosos, turísticos, e aduladores. Espirito arejado e sensível. Pra ela, a despeito do meio social, a arte não é uma condição de conforto. Agora, num plano mais amplo e sem perde a sua nota emocional de som eminentemente nativo, com as suas pinturas e gravuras de técnicas mistas, nos oferece uma arte em certo modo refinada e de intenso e expressivo cromatismo."
WILSON ROCHA

RELIGIÃO - COMUNIDADES ECLESIAIS PREGAM A AUTOLIBERTAÇÃO PARA O HOMEM

A TARDE- SEXTA-FEIRA, 12 DE JANEIRO DE 1979
Texto Reynivaldo Brito

O Diretor do Centro de Estudos e Ação Social, padre Cláudio Perani, revela que as Comunidades Eclesiais de Base existentes em todos os país variam muito em suas fórmulas, aspectos e condições, porém, todas estão inspiradas no Concílio do Vaticano II e defendem a libertação do homem por seu próprio esforço. Isto, inclusive, pode ser constatado na Bahia através do trabalho exercitado por alguns padres, em sua grande maioria jovens e estrangeiros que sempre estão presentes nos bairros e localidades esquecidos dos poderes públicos. Eles vivem e sentem o problema de perto e mostram aos populares a necessidade de uma ação para que as medidas e soluções sejam tomadas por quem de direito. Um exemplo é o trabalho que vem sendo desenvolvido junto às populações que lutam por uma moradia. Salvador, hoje apresenta um alto índice de falta de habitação, e constantemente a imprensa está noticiando mais uma invasão de terrenos pertencentes à Prefeitura Municipal ou grandes proprietários, e quando a polícia é acionada para expulsá-los geralmente o pessoal integrante das comunidades eclesiais procura amenizar o sofrimento desta gente através uma série de atitudes consideradas válidas e indispensáveis.
Diz o padre Cláudio Perani que as Comunidades de Base têm como uma de suas principais funções o desenvolvimento da consciência política, mas são apartidárias e não ideológicas. Apenas, elas despertam o povo para os seus direitos. Com isso, desencadeiam um processo de reflexão crítica sobre a realidade dos problemas locais e as causas dessas realidades. Para ele, não são novidades as Comunidades. Elas existem no Brasil há alguns anos como uma renovação como uma esperança eclesial. Elas começaram na década de 60, impulsionadas sob orientação da CNBB através de seu Plano de Emergência e do Plano Pastoral de Conjunto.
Outros consideram que as Comunidades de Base vão aos poucos substituir as paróquias, que de uma maneira geral não têm uma identificação maior com as populações. Elas são mais vivas e atuantes e, atualmente, encontram-se numa fase amadurecimento, pois já contam com fracassos, sucessos e experiências de alguns anos.


NA BAHIA

Na Bahia não existem muitos padres operários, lixeiros, e em outras atividades comuns ao homem das classes média e baixa. Apenas dois padres trabalham em indústrias, mas negaram-se terminantemente a dar qualquer declaração porque “assim prejudicaria o nosso trabalho”. Eles trabalham como operários e a direção das fábricas não tem conhecimento de sua real condição de padres. São simplesmente operários, vivem os mesmos dramas do baixo salário, alimentação ruim, transporte difícil, moradia sem as mínimas condições. Sua missão consiste mostra a seus colegas as reivindicações que devem fazer para melhorar as condições de trabalho.
Outros estão intimamente ligados aos bairros populares e fazem um trabalho mais de assistência social, mantendo e orientando as populações, ensinando mulheres a costurar, homens a trabalhar com eletricidade, carpintaria e assim por diante. A atuação que caracteriza mais a Comunidade de Base é a exercida junto aos invasores. Chegaram a publicar um livreto “Subsídios para uma história das invasões e dos desabrigados de Salvador” depois que “um contato direto com a amarga realidade das vidas de dezenas de famílias, passando pelas privações, sofrendo as consequências do desabamento de seus humildes lares, por longos meses numa persistente espera de um abrigo definitivo, nos mostrou a necessidade de levar toda a verdade de seu drama à população da capital baiana, para desperta-la na busca de uma solução conjunta para o problema habitacional das massas pobres”.

RENOVAÇÃO

Os integrantes das Comunidades de Base já realizaram três encontros. O primeiro realizou-se de 6 a 8 de janeiro de 1975, com a participação de representantes de comunidades do Brasil inteiro; o segundo teve lugar também em Vitória do Espirito Santo de 29 de julho a 1 de agosto do ano seguinte, com a presença de representantes e membros de 24 Igrejas do Brasil, num total de 100 pessoas, e o terceiro ,de 19 a 23 de julho do ano passado, em João Pessoa.
O padre Cláudio Perani continua afirmando que não é fácil ter um quadro objetivo da situação das CEBs, porque é uma realidade muito diversificada devido a várias interpretações esboçadas. Mesmo ficando no âmbito das camadas populares – uma Igreja que nasce do povo – atrás da palavra CEB encontramos estruturas e orientações bem deferentes, algumas vezes a palavra querendo indicar uma renovação mais profunda, um conteúdo verdadeiramente novo, outras vezes simplesmente acompanhando a moda teológico-pastoral e encobrindo o conteúdo de sempre – rótulo novo em garrafa velha. Para Perani hoje o termo CEB não é discriminatório de uma tendência renovadora na Igreja brasileira, mas se deixa perpassar pelas várias orientações que diversificam as atuais tendências dentro da Igreja.
O padre Cláudio Perani entende que o esforço de democratização da Igreja, dando maior espaço às suas bases, não somente determina uma renovação interna, mas também tem reflexos muito importantes para a sociedade toda. O critério fundamental deve ser a opção pelo povo – na linha de escolha preferencial do Evangelho pelos pobres – considerando na sua situação concreta e no processo, de libertação. Dai a importância das CEBs abrirem-se para temas concretos: salário, custo de vida, saúde, educação, moradia, sindicato, politica...Daí, também, a necessidade de reconhecer a consciência crítica do povo e de favorecer ações de reivindicação que façam crescer a solidariedade de classe. “Sem reduzir a missão da Igreja, ocultando sua dimensão de fé”.
Num longo artigo escrito para um dos números do Caderno do Centro de Estudos e Ação Social, o padre Cláudio Perani levanta vários aspectos com relação às CEBs, dizendo, inclusive, que hoje no Brasil a presença das CEBs começa a ter um peso político, e tal conteúdo político sempre existiu porque não há discurso ou eclesial – enquanto discurso religioso histórico – que seja neutro e não tenha incidência política. A novidade que preocupa certos setores consiste na mudança deste conteúdo político. Uma Igreja mais hierárquica e autoritária é levada mais facilmente a apoiar a autoridade civil e, como se constatou na história, torna-se sustentáculo do poder reinante. Na medida em que as CEBs, mesmo ficando numa problemática interna, realizarem uma Igreja mais popular e democrática, que questione o poder hierárquico, poderão quebrar tal solidariedade entre a Igreja e o Estado e tornar-se-ão elementos de oposição na sociedade. “Este é o primeiro aspecto da problemática politica”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

TRÂNSITO - TRANSALVADOR É UMA PIADA!

OPINIÃO

Reynivaldo Brito

Lembro do tempo em que a Polícia Militar cuidava do trânsito de Salvador. Sempre nas horas de rush lá estavam os policiais orientando o trânsito e evitando os abusos de motoristas mal educados e irresponsáveis. Havia respeito no trânsito, principalmente de Salvador. Agora, tudo está um caos. A Transalvador é apenas uma caixa registradora para levar dinheiro para a Prefeitura, cujo titular ainda não disse pra que veio. Não sei o que o sr. Alberto Gordilho entende de trânsito. Veja o caos estabelecido a qualquer hora do dia e da noite nas imediações do Iguatemi, Rótula do Abacaxi, Bonocô, Avenida Paralela , Avenida Sete, Comércio e assim por diante. Até os bairros residenciais, hoje, apresentam graves problemas de circulação. Tem uma rua na Pituba chamada de Rua das Rosas, onde existem várias placas de estacionamento proibido e, os carros ficam o dia inteiro estacionados nos dois lados! Uma vergonha !Passo por lá todos os dias e nunca vi um preposto da Transalvador tomando qualquer atitude.
Nessa Rua das Rosas quem precisa trafegar fica se espremendo entre uma fila e outra de carros. Lá não tem sinalização no asfalto,dividindo as faixas embora seja uma rua de tráfego intenso e estreita. Na hora do rush formam-se 4 filas para alcançar a Avenida Paulo VI. Você já viu algum preposto da tal Transalvador por lá nas horas de rush? Eu nunca vi. Eles somem a partir das 8, 11:30 e 18 horas. Devem estar contando o dinheiro dos chupa-cabras ou se fartando por ai. São verdadeiros burocratas sem qualquer compromisso com a cidade e com o cidadão.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

ARTES VISUAIS- QUANDO O ORIXÁ É ARTE E CULTO

ARTES VISUAIS



Jornal A TARDE 29 DE SETEMBRO DE 1971.
Texto Reynivaldo Brito

O escultor e tapeceiro Manuel Bonfim volta a fazer uma exposição de seus trabalhos, calcados em motivos afro-baianos no dia 10 a 15 de outubro na Galeria Canizares, da Escola de Belas Artes . São dezenove esculturas em baixo relêvo retratando os Orixás dos Candomblés e 10 tapetes sobre o mesmo tema.
A família de Manuel Bonfim trabalha unida. O seu filho de 13 anos ajuda o artista a entalhar os esboços. A sua esposa ,sobrinhas e primas costuram os tapetes que ele desenha e determina as cores. Tudo é feito seguindo a temática do afro-baiano que caracteriza seu trabalho já consagrado pela crítica de todo o país. Mas, o Manuel Bonfim é um homem pobre.
Embora os seus trabalhos estejam ornando mansões de embaixadores,políticos, industriais e intelectuais ele ainda não conseguiu comprar a velha casa onde mora no alto do Rio Vermelho, alugada há vários anos.Mas, o artista é um abnegado e ri da pobreza.

                                       O HOMEM

Manuel Bonfim - é o seu nome de batismo - nasceu em Salvador na Maternidade Climério de Oliveira, em 25 de maio de 1928. Até os 14 anos viveu na cidade de Nazaré das Farinhas da qual guarda alegres recordações.Mas, antes de ser escultor, frequentou, como todo garoto pobre algumas oficinas de trabalho.
Foi barbeiro,funileiro,alfaiate,ajudante de pedreiro, pedreiro e até operador de cinema em Itapagipe. Esteve no Exército de 1948 a 1949.
Foi o professor Mendonça Filho ( já falecido) na Escola de belas Artes da Bahia quem arranjou um emprego de servente e depois ajudante na EBA . Logo depois Manuel ficou como atendente na sala de Modelagem e lá aprendeu a modelar o barro. Porém, sua vocação de artista já afluia desde a sua infância quando ajudava a sua mãe a armar o Presépio de Natal , todos os anos. Com miolo de pão Manuel Bonfim fazia, entre outros, vaquinhas, carneiros, burricos, que eram pintados e serviam de admiração dos nazarenos.

                                       O ARTISTA

Logo que conheceu a modelagem , na Escola de Belas Artes, Manuel Bonfim passou a fazer uma série de trabalhos copiando a Vênus de Milo e algumas esculturas de Rodin, que considera o maior artista de todos os tempos "superando até Leonardo da Vinci".
Ainda hoje, trabalha na Escola de Belas Artes onde é assistente do professor Udo Quoff na cadeira de Cerâmica . É escultor nível 12, da Universidade Federal da Bahia, cargo conseguido através de concurso. Em 1950 serviu na cadeira de escultura em madeira quando o escultor Mário Cravo foi convidado para lecionar na Escola de Belas Artes. Assistia as aulas de Mário Cravo com vivo interesse. Ali aprendeu mais um ofício, escultor em madeira, e de lá para cá, é, praticamente, a única coisa que tem feito no terreno da arte plástica.

                                        OS ORIXÁS

Foi no livro de Carybé "As sete portas da Bahia" da Livraria e Editora Martins que ele entrou em contato com os Orixás.Já fazia temática afro-baiano:máscaras e outras esculturas africanas. Foi o primeiro artista a retratar na madeira os Orixás dos candomblés baianos.Carybé os desenhou em seu livro e Manuel os esculpiu em pedaços de madeira.
Depois,o próprio Carybé esculpiu alguns dos Orixás para um grande painel móvel de um banco baiano. Estes Orixás estiveram recentemente expostos na Guanabara e agora estão no Rio Grande do Sul.
Diz Manuel Bonfim que gosta de fazer os Orixás porque são autênticos e estão ligados à tradição da Bahia". Estes trabalhos são muito aceitose procurados por turistas que nos visitam.Os Orixás Iemanjá - Rainha do mar - Iansã que é Santa Bárbara e Oxalá , Senhor do Bonfim, são as tr6es peças preferidas.
                                            TAPETES

Atualmente Manuel Bonfim está produzindo tapetes calcados na temática afro-baiana. Foi sua esposa d. Maria Augusta, que o incentivou a entrar na tapeçaria. Ele desenha os tapetes, determina as cores e a sua família encarrega-se de confeciona-los. A princípio ficou com receio de ser acusado de copiador ou coisa semelhante, "tão comum entre os medícocres". Dai ele procurou um ponto original e conseguiu. Utiliza o "ponto esteira africana", que é uma espécie de bordado de origem africana.
"Este ponto é muito trançado, diferente do ponto arraiolo e do ponto espinha de peixe", explica.
Embora o ponto "esteira africana"tenha alguma semelhança com estes dois outros, não é o mesmo. Gastando muita lã e sendo dispendioso, não permitindo um bom lucro, com a venda, Manuel Bonfim está feliz porque os seus tapetes tem originalidade.

EXPOSIÇÕES

Manuel Bonfim fez uma primeira exposição em 1963 na Galeria Bazart , depois na Galeria Querino com o atual tapeceiro Renot, e em seguida , foi convidado para expor na Galeria Goeldi, no Rio de Janeiro. De lá para cá não mais parou. Já fez cerca de 10 exposições individuais e várias coletivas. Participou também de várias exposições de caridade e outras promoções de caráter beneficentes.
Para ele o artista não deve casar. Manuel Bonfim acha que o artista quando casa tem muita responsabilidade nas costas e fica muito preocupado com a família.Isto de certa forma prejudica a arte. Além do mais sou um cara muito preocupado porque além da reponsabilidade com o sustento de meus três filhos e de minha esposa ainda tive que arranjar um trabalho. Embora seja bem casado e goste muito de minha família, reafirmo que o artista não deveria casar".

Atualmente Manuel Bonfim restaura algumas molduras de quadros da Câmara de Vereadores de Salvador , enquanto o professor Rescala recupera as telas.
Trabalhou também durante 9 anos com D. Clemente da Silva, vigia no Museu de Arte Sacra e muitas das peças que estão lá expostas foram por ele restauradas.
Manuel é um artista realizado pelos trabalhos que faz. Mas, ainda falta muito para realizar-se totalmente, e isto só conseguirá quando comprar a casinha que mora e quando puder dar mais um pouco de conforto a seus familiares.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

POLÍTICA - TRISTE BAHIA

OPINIÃO
Reynivaldo Brito

A Bahia está piorando a cada dia. A combinação ou descombinação entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Salvador tem resultado em vários problemas para os baianos. A reeleição do governador e do prefeito foi uma atitude prejudicial aos interesses dos baianos. Ambos vêm demonstrando total incompetência para resolver problemas mínimos.Os exemplos são inúmeros e visíveis. Vejamos: o metrô , que não sai do papel, se transformou numa verdadeira piada .Basta lembrar que tem menos de 10 Km, e até já foi inaugurado pelo Lula? O sistema ferry boat vive à deriva. As estradas caindo aos pedaços. As ruas de Salvador estão intransitáveis .O Pelourinho tão decantado em prosa e verso, faz pena. A lagoa de Abaeté virou uma poça d`água. O turismo vem perdendo terreno para o Ceará e Rio Grande do Norte. É o estado de maior índice de miséria absoluta. A educação é um caos. A economia perdendo feio para Pernambuco.
Durante este período, as únicas obras relevantes foram os viadutos da Rótula do Abacaxi, cuja via continua travada, um verdadeiro abacaxi; a do Aeroporto Dois de Julho, está indo razoavelmente bem. O que mais? Nada! É muito pouco pra tanto tempo perdido!
Inoperância é a palavra chave para identificar esta dupla. A saúde pública e a educação, tanto no setor municipal quanto estadual, podem ser definidas como caóticas. A segurança pública vai claudicando e, já tem locais em Salvador onde a polícia não entra ..
Não temos oposição. A maioria dos veículos de comunicação vivem calados, para não dizer cooptados. Nós baianos quase não temos para quem apelar. Quando Pelé disse que o brasileiro não sabe votar foi criticado. O rei tem razão,quem mandou votar nesses caras!

quinta-feira, 24 de março de 2011

CIDADE DE SALVADOR - COMÉRCIO FAVELADO

OPINIÃO
Reynivaldo Brito

Depois de alguns meses sem ir à Cidade Baixa, mais exatamente a zona do Comércio, fiquei chocado com o que vi. Decididamente aabandonaramu àquela importante área da nossa Cidade. O Comércio está virando uma grande favela rodeada de velhos prédios carcomidos pelo tempo e de ruinas abandonadas por seus proprietários.Ninguém faz nada, nem a Prefeitura nem o Governo do Estado ,que está mais preocupado em paparicar Dilma e seguir o bonde partidário do que em governar a Bahia. Aliás, ai está um triste exemplo dos males que este sistema eleitoral causa ao povo. Vejam o Pelourinho, o Metrô fantasma e os constantes engarrafamentos .A cidade é um camelódromo só. Na Avenida Sete de Setembro ninguém anda.Vejam quantos anos estão no poder o prefeito e o governador, repito infelizmente reeleitos, se eles construiram uma nova avenida para melhorar o tráfego. Nada! Estes senhores estão à frente da Prefeitura e do Governo do Estado para quê? Ficam é gastando o tempo inteiro discutindo se um apóia o outro e vice-versa .Assim, vamos passando os anos numa cidade que está crescendo desordenadamente sem lei.
Voltando ao Comércio, você logo encontra o exemplo do abandono pelos poderes públicos.Um velho prédio do antigo Correios está lá completamente abandonado, com suas laterais sustentadas por toscos caibros e uma horrível cobertura de madeira .Embaixo dela dezenas de camelôs vendendo tudo que é buginganga desde os famigerados dvds piratas até frutas. Vi também várias pessoas com equipamentos consertando objetos, amolando tesouras e, assim por diante. Andei pelas avenidas do Comércio e a situação se repete a cada passo. Estamos numa cidade sem governo. Este prefeito João Henrique faz vergonha. É simplesmente um ausente, um indolente .Nossa cidade merece coisa melhor. Está na hora de reagirmos contra esta falta de administração. Cadê os jovens com suas redes sociais ? É hora de reagir.

segunda-feira, 21 de março de 2011

POLÍTICA - NOSSOS POLÍTICOS ...

OPÍNIÃO
Reynivaldo Brito

Acaba de ser criado um novo ajuntamento de políticos. Certamente não podemos chamar o ajuntamento que reúne Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, e outros políticos de partido político. Sabemos que em nosso país várias agremiações ,que se autodenominam partido , na realidade são ajuntamentos de políticos, via de regra interessados em defender o seu. Nunca defendem o eleitor, este eterno esquecido, mas, muito lembrado nos dias de eleições.
O próprio PMDB que tem muitos e muitos vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, além de senadores, governadores e até um vice-presidente não passa de um ajuntamento de pessoas,as quais vivem brigando por cargos públicos.
Por que esta briga tão acirrada por um cargo público? Será que eles são tão patriotas que querem defender seus eleitores e o nosso país? Com certeza que não. O que voga são seus interesses pessoais.
Já o PT que vem crescendo, deixou de ser oposição e virou governo , perdeu a sua essência, e adotou os modelos e atitudes que tanto combatia. Basta lembrar do mensalão, do José Dirceu, de Erenice Guerra , de dólar na cueca e de muitas e muitas falcatruas,que seria necessário um livro com muitas páginas para descrever tanta patifaria.
Portanto, é hora de sairmos às ruas exigindo uma reforma política verdadeira, onde esses políticos de interesse sejam alijados de uma vez. Vamos acabar com fóro privilegiado para político corrupto, vamos acabar com caixa dois,acabar com reeleição com mais de 2 mandatos,vamos instituir a perda de mandato por mudança de partido. E, muitas outras medidas que venham moralizar a nossa política.
Se eu fosse político teria vergonha, porque as pesquisas feitas em nosso país ,traduzem o que pensa a sociedade deles.

POLÍTICA - PATRULHAMENTO


OPINIÃO

Reynivaldo Brito

Estamos assistindo a mais um patrulhamento sulista . Bastou Maria Bethânia ter conseguido aprovar uma solicitação para captar recursos para a feitura de um blog, onde recitará poesias, que uma enxurrada de mal resolvidos resolveu iniciar o patrulhamento. Parece até que estamos nos anos em que o Simonal foi patrulhado e execrado por alguns artistas. Por trás está a inveja, este sentimento sacana do ser humano. Só que vem disfarçado em defender o dinheiro público, como se fossem salvadores do mundo. É visível como os artistas gostam de uma boquinha e, como são ágeis em praticar o nepotismo, colocando seus filhotes nas repartições públicas, nos palcos e por aí vai.
Achei apenas que o valor é alto. Sou um admirador da obra de Bethânia e, também, de sua postura como ser humano. Confesso, no entanto, que mesmo tendo dezenas de videos o valor ultrapassa R$1,3 milhões. Com este valor muitos outros projetos poderiam ser viabilizados. Mas daí tentar enxovalhar Maria Bethânia, é demais! Não é hora portanto, dessas pessoas, que não têm qualquer credencial para falar em nome de ninguém, tentar macular a cantora . Isto sim é uma atitude condenável.

Sou contra a captação de recursos de incentivo fiscal para artistas consagrados, que atraem expontaneamente grande público, quer sejam cantores e cantoras, plásticos, de teatro ou cinema. Estes devem procurar outras formas de financiar seus shows, exposições, espetáculos e filmes. Eles têm condições de bancar, procurar outros apoios, que não através de renúncia fiscal. Estes incentivos devem ser deixados para os iniciantes ou para os que estão no meio do caminho. Estes sim, precisam de apoio.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CIDADE DE SALVADOR - AEROCLUBE É EMBLEMÁTICO

OPINIÃO
Texto Reynivaldo Brito
O caso do Aeroclube é emblemático para entendermos o descompasso que existe entre a sociedade e a Justiça de nosso país .Códigos antiquados permitem dezenas de recursos os quais contribuem para a impunidade e ,em consequência para prejuizos irrecuparáveis, tanto financeiros quanto morais e até físicos. Embasados em leis ultrapassadas, as quais permitem todo tipo de interpretações as ações judiciais vão se arrastando nos tribunais e, se transforman em vários e vários volumes, quase impossíveis de serem manipulados. Soubemos que o processo do Aeroclube já tem milhares de páginas e mais de 15 volumes!
Por discordância de algumas pessoas foi movida uma ação popular na Justiça Federal aqui em Salvador e depois de 3 anos o processo foi extinto. Agora, depende apenas de um magistrado do TRF dar a sua sentença para decidir o destino do Aeroclube. Ai estão envolvidos mais de uma centena de pequenos lojistas, que tiveram o seu patrimônio quase zerado, foram para o espaço mais de 5 mil empregos diretos de pessoas humildes, sendo que a maioria mora em bairros ao redor do empreendimento e, a cidade perdeu um de seus espaços mais diferenciados. Este modelo de shopping aberto atrai muitas famílias com suas crianças que vão brincar nos parques. É um dos empreendimentos mais democráticos que existem.
É claro que o magistrado ,que fica em Brasília, lê e julga dentro da letra fria da lei,ele não tem esta visão do que o Aeroclube representa para Salvador, para os pequenos lojistas vítimas deste embloglio ,para os milhares que perderam seus empregos e para os turistas que ficam espantados ,principalmente os que já conheciam o local antes do embargo.Eram cerca de 25 mil pessoas que transitavam diariamente pelo Aeroclube e, hoje ,só vemos ruinas e vigas retorcidas e enferrujadas devido ao salitre. Quem vai pagar esta conta?