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| Todos atentos para a escolha dos candidatos a prefeito e vereadores. |
Não lembro exatamente o ano, mas foi na década de 70 quando estava
visitando meus pais em Ribeira do Pombal, interior da Bahia, e tomei
conhecimento que haveria a Convenção do partido a que ele pertencia. Fiquei ainda
sabendo que tinha sido escolhido presidente da entidade e como tal iria dirigir
os trabalhos durante a Convenção. Foi neste momento que passei a ficar
preocupado. O meu pai tinha o pavio curto e não costumava levar desaforo para
casa. Tinha cerca de dois metros de altura e era um homem corpulento . Todos sabem que as reuniões políticas costumam ser protagonizadas por
alguns inflamados que discutem, trocam impropérios e às vezes até bofetões.
Diante disto resolvi acompanha-lo até o local onde iria ocorrer a tal Convenção.
Lá chegando havia uma mesa grande e várias poltronas em semicírculos para os convencionais e convidados. Na hora prevista o secretário do Partido
anunciou a abertura e passou os trabalhos para meu pai. Ele pigarreou e com sua
voz grave conclamou a todos que votassem com sua consciência. Foram
distribuídas as cédulas com os nomes dos candidatos a prefeito e vereadores , sem nenhuma
intercorrência. Ao final foi feita a contagem dos votos e ganhou para ser candidato a prefeito um sujeito
que era comerciante conhecido na Cidade, mas que não gozava de bom conceito.
Neste momento em diante inconformado com o resultado meu pai, presidente
do partido, repetia baixinho sem parar. “Eu não voto nesta desgraça!”. Me
aproximei e pedi a ele que não ficasse repetindo àquela frase porque poderia
vazar e complicar as eleições. Mas, ele deu pouca importância a minha
preocupação e ao deixar o recinto da Convenção já corria de boca-a-boca na Cidade
que nem mesmo o presidente do partido ia votar no candidato a prefeito. Resultado, o
candidato não conseguiu ser eleito e meu pai na Convenção seguinte já não era o
presidente do partido.

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