Objetivo


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CARNAVAL PARTICULAR

Esta foto foi tirada por mim, quando da montagem do
 camarote gigante em Ondina.
.Uma das aberrações do último carnaval em Salvador.

É preciso repensar o carnaval de Salvador.A prevalência  dos  blocos de axé, cercados de cordas  seguradas por brutamontes, sempre considerei uma usurpação do espaço público e uma agressão a todas as pessoas que curtem o carnaval. O tal de folião pipoca é uma coisa em extinção no carnaval de Salvador. Ele anda escondido nos becos e longe dos locais onde a folia está presente.
Este ano uns poucos blocos fizeram  desfile sem cordas. Observem que os trios ficaram quase sem iluminação e diminuíram até os músicos. Como estivessem dando um presente ao folião pipoca. Nada disto, senhores donos do carnaval da Bahia! O espaço é nosso, é do povo, vocês fingem distribuir alegria, mas o que objetivam é dinheiro e mais dinheiro no bolso.
Numa entrevista na Folha de São Paulo do último dia 11, João Jorge Rodrigues, que há anos e anos dirige a Banda Olodum se queixa de descriminação e também aponta Ivete Sangalo como se fosse  a única responsável pelo que está ai. Realmente ela está em todo lugar. Até em aniversário de boneca. Mas, não é a única culpada. Culpado são os organizadores da Prefeitura e do Estado,  o tal Conselho do Carnaval e os donos dos  blocos de axé, e principalmente os dirigentes  dos demais blocos, que deveriam se rebelar contra esta situação.
Voltando ao Olodum esta agremiação também se isolou, ficou com os olhos pregados no dinheiro que rola das apresentações, já tradicionais, nas terças-feiras e, a briga por dinheiro sempre foi constante. ( Lembro daquela música que saiu por ai Olodum tá rico/Olodum tá pobre...) e acompanhei isto de perto nos 35 anos que trabalhei em A Tarde. Poucos sabem as músicas dos últimos 10 anos do Olodum. Há anos que eles não lançam nem um cd para divulgar o seu trabalho. Se fecharam e, ai estão pagando por esta política isolacionista.
É preciso acabar com ressentimentos, com esta descriminação que existe no desfile. Vi no aeroporto de Salvador uma propaganda do bloco de Cláudia Leite, escrito em letras garrafais. Bloco Oficial. O que é isto Bloco Oficial? Por que este tal de Bloco Oficial desfila 3 dias na Barra e os Afoxés não? Ora, onde desfilam os afoxés, os blocos de travestidos, os ijexás, de índios e assim por diante? As altas horas da noite, quando muita gente já saiu das ruas e, os que assistem pela televisão já foram dormir.
Tem que mesclar este desfile com um bloco de axé, um afoxé, um bloco de índio  e assim por diante, para que todos tenham visibilidade e, assim possam conquistar destaque e patrocínio para crescer. Desfilar só durante a madrugada é muito pouco para esta Bahia plural. E todos os anos fazer um rodízio.
Outra aberração são os tais camarotes com suas estruturas gigantes tomando as calçadas e espremendo o folião ou melhor retirando o folião da rua. Só dança e brinca quem compra um abadá  ou um bilhete para camarote, por preços exorbitantes . Este tipo de serviço - camarotes- deveria ser oferecido nos hotéis e em outros espaços privados. Rua é lugar do povo e não de quem pode pagar !
Agora vejo constrangido muitos  puxando o saco de Spike Lee, cineasta americano, que sempre está expressando um lado ressentido do racismo que existe em seu País. É preciso dizer a este moço que o nosso País não é uma maravilha do ponto de vista do relacionamento entre as pessoas, porque existe sim, um racismo disfarçado, frouxo. Mas, com certeza é muito diferente de onde ele vem, com a intenção de ressaltar este lado negativo que tanto combatemos. Isto é problema de brasileiro e deve ser combatido e discutido por nós.
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