Objetivo


sábado, 17 de abril de 2021

A SENSIBILIDADE DO FOTÓGRAFO WILSON BESNOSIK

Wilson Besnosik,foto de Antônio Queirós.
 Vou falar de um dos mais importantes fotógrafos que a Bahia teve no seculo XX,   que foi Wilson Besnosik  nascido em 27 de dezembro de 1958, em Salvador,vindo a   falecer em 6 de maio de 2007. Faleceu  prematuramente aos 48 anos de um enfarte fulminante. Ele foi  um   dos fundadores do Grupo de Fotógrafos da Bahia , sendo também diretor da Arfoc   e  um dos responsáveis pela introdução da fotografia digital em jornais baianos e   de Sergipe. A ideia de escrever sobre este profissional da fotografia  já vinha   amadurecendo há algum tempo. Porém, sempre surgem novos assuntos e terminei   adiando. Quando estava colhendo e pesquisando materiais para escrever o texto   sobre os 50 anos da Galeria Cañizares, que publiquei recentemente ,   Juarez 
A poeta Myrian Fraga (1937-2016) pela lente de Wilson

 Paraíso lembrou da importância de Wilson que  ele e Márcia Magno convidaram para participar  do Salão de Fotografia da Escola de Belas Artes. Então, decidi iniciar a busca por material sobre Wilson Besnosik, que no próximo seis de maio completa 14 anos do seu falecimento. Ao falar com Gissélia Besnosik, com quem foi casado durante 25 anos , ela me disse espontaneamente " Wilson é atemporal, com sua alegria , seu jeito de ser, de ver e tratar as pessoas".
Trabalhei com Wilson 
 vários anos no Jornal  A Tarde . Ele chegou em  1989 saindo em  2003. Foi  editor de fotografia devido a sua dedicação e qualidade do seu trabalho como fotógrafo . Era membro do grupo de jovens da Juventude Espírita, editou a revista Presença Espírita, da Mansão do Caminho.

Foto do livro "Revelações
do Tempo"
Nos primeiros anos de sua atividade de   fotógrafo trabalhou no extinto Instituto   de Desenvolvimento Urbano e   Articulação Municipal ( Interurb) e também na área da fotografia para   publicidade.Durante sua carreira de repórter fotográfico recebeu alguns   prêmios  .Tem imagens publicadas nos jornais Estado de São Paulo,   Folha de São Paulo,O Globo, Jornal do Brasil , o americano Dayle   Telegraph, e também nas revistas Isto É, Veja, Época, e na americana   News Week. Em 2004 fotografou e publicou  o livro  "Revelações do  Tempo" mostrando as riquezas históricas e culturais das cidades de Cachoeira e São Félix.
                                               
O livro de fotografias de
 "Revelações do Tempo"
.
Nos anos 80 foi diretor de teatro amador e autor de algumas peças  entre elas "Destino" e "Festival dos Vegetais",tornando-se membro da Associação de Autores Teatrais. Em 1993 é convidado a participar do Salão Nacional de Fotografia na Escola de Belas Artes e sendo um dos palestrantes. Foi um dos responsáveis pela vinda à Salvador das exposições dos fotógrafos Henri
Esta bela xilogravura mostra
o seu lado de artista plástico
.

Cartier Bresson e Robert Doisneau.
Quero aqui chamar atenção de artistas, fotógrafos , escritores e outros criadores da importância de conservar e acondicionar bem suas produções, porque qualquer deslize tudo pode ser perdido. Centenas de negativos das fotografias de Wilson Besnosik, e até mesmo algumas xilos e outras obras de arte foram perdidas nas mudanças que a família foi obrigada a fazer. Eu mesmo perdi uma caixa contendo vários negativos de fotografias feitas por mim e outros fotógrafos durante uma mudança de escritório.

Foto do  Baixio, que Wilson tinha predileção por ela.
Talvez pela  natureza exuberante.
Vejam o que o mestre Juarez Paraíso , professor,   artista plástico e grande fotógrafo  me enviou.   "Márcia Magno criou na sua gestão  o Salão   Nacional de Fotografia . Foi muito relevante , pois   Salvador era um deserto neste setor. Durante a   minha  gestão , deu prosseguimento  ao Salão e para   isto  contamos com a colaboração de uma Comissão   que fizemos, com    Maria Sampaio e outros. Mas,   nesta Comissão tinha   um nome importantíssimo, o   Wilson Besnosik,   fotógrafo do jornal A Tarde".   

Uma foto-reportagem de Michael Jackson no Pelourinho.


Aqui o depoimento sincero e emocionante de Antônio Queirós  que diz " Falar do chefe e companheiro Wilson Besnosik  é tarefa fácil! Como colega, pessoa de uma humanidade ímpar, sempre disposto em ajudar a quem ele comandava. Lembro que  tinha uns trabalhos no Pólo Petroquímico, e sempre me convidava para ajudá-lo e pagava bem. Metido a goleiro em nossos campeonatos internos e, às vezes, dava sorte. Foi onde ele se descobriu como jogador de futebol.Todos sabem que o  jogador  ruim de bola ou é o dono da bola ou goleiro.Como chefe, foi muito dedicado e cobrador das obrigações. Aprendi muito com ele, em levar o melhor para o jornal e,até hoje, onde passo, quero fazer o melhor:devo isso a Wilson !                                                              

Mandela na Bahia com uma baiana autêntica.
Quando saiu do jornal foi tentar realizar seu sonho maior, que era abrir seu próprio negócio, ser seu próprio patrão, mas foi interrompido precocemente. Espero e acredito que esteja fazendo ótimas fotos no outro plano."

O jornalista José Bonfim  escreveu um dia após seu falecimento: " Wilson Besnosik foi uma grande figura. Do tipo que vem ao Planeta e marca ponto, não passa em branco. Perfeccionista, ajudou muitos jornalistas a aprenderem ou aperfeiçoarem seu ofício, dando dicas, dando broncas,aplaudindo. Wilson morreu dia 6 de maio de 2007. Fiquei lembrando das tantas reportagens que fizemos juntos. Das viagens, dos prêmios. Lembro bem de três: sobre  a agonia e morte de Irmã Dulce , o combate ao trabalho escravo em vários municípios baianos, o combate à exploração do trabalho infantil, na região do Sisal. Foram prêmios da ABI, do Banco do Brasil, da Visão Mundial e outros mais que comprovam a infinitude da passagem do Besnosik pela Terra. 

Wilson em ação com sua alegria inconfundível.
Sinto-me honrado por ter trabalhado com uma figura assim. Sinto-me honrado por ter conhecido e ter sido amigo de um profissional e de uma figura humana que tinha sempre como meta a superação. Nada de choramingas, mesmo quando algum absurdo Ihe acontecia, como o assalto à pousada - um antigo sonho realizado por ele e a esposa  e que uma dessas quadrilhas de ladrões acabou. "

Para finalizar, deixo aqui registrado o depoimento de sua filha Marina Besnosik , hoje mãe de dois meninos Felipe e Marcelo que reverberam a alegria e o carisma do "vovô anjo" como eles costumam chamar o Wilson. "Difícil é explicar com palavras o que você sabia fazer tão bem com as imagens... passar emoção! Você tinha uma sensibilidade única,que juntava o amor ao trabalho com uma criatividade peculiar. É pai ... o que a gente não podia prever é que o para sempre, sempre acaba. Mas, nada vai conseguir mudar o que ficou."


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