Objetivo


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

HORA DE TIRAR O BRASIL DO ABISMO

O formato também não ajudou um melhor debate.
No próximo domingo mais de 150 milhões de brasileiros vão às urnas eleger o Presidente da República. Estamos na reta final, e ontem, assisti um debate insosso na emissora que diariamente faz militância a favor da extrema esquerda. Parecia a escolinha do professor Raimundo com o William Bonner, aquele mesmo que "sentenciou" no debate anterior que o ex presidiário "o senhor não deve nada a Justiça," o que é uma grande mentira, parecia um iniciante. O candidato do PTB, o padre Kelman confrontou o presidiário dizendo na sua frente que ele não deveria estar ali porque foi condenado em três instâncias e rebateu mais uma mentira do candidato de extrema esquerda de que estaria absolvido pelo STF e até pela ONU. Na realidade sabemos que foi descondenado numa manobra patética dos ministros que nomeou quando foi presidente em seus dois mandatos. Foi aí que rebateu chamando o padre de candidato laranja e que tinha uma história de vida. A história de vida do Lula tem o pior de todos os legados que um presidente da República poderia deixar. Foi o chefe do maior esquema sistêmico de corrupção do Planeta, onde foram roubados bilhões de reais, endividou milhares de jovens através o Fies, colocou milhares de famílias no Serasa, desviou bilhões de reais para obras em países dominados por ditadores, já se apresentou várias vezes embriagado e até mijado, vive pronunciando frases desconexas e desrespeitosas, sendo a última contra os moradores em cidades do interior de São Paulo classificando-os de capiaus grosseiros.

As candidatas Simone Tebet e Soraya Thronicke vociferavam temas gerais da pauta esquerdopata mostrando total despreparo para um cargo tão importante, e estavam mais preocupadas em atacar o Presidente Jair Bolsonaro. Eu até então não tinha entendido o ressentimento da  Soraya, mas depois que Bolsonaro mostrou os ofícios dela  pedindo cargos, e que ele não a atendeu teria gerado o seu afastamento. Sugiro que elas formem uma dupla sertaneja Simone & Soraya e vão alegrar os que curtem este tipo de música em nosso país. Quanto ao cangaceiro Ciro Gomes, voltou a abrir sua mala de ferramentas citando números ao léu e fazendo o papel da esquerda na falsa tentativa de colocar a pecha de corrução no governo Bolsonaro, quando todos sabem onde estava naquele instante sentado o maior corrupto  da República. Portanto, já pode comprar sua passagem para Paris e deliciar um bom vinho francês, comer croissant num daqueles belos ambientes nos boulevards parisienses. Já o professor Felipe D´ávila, do partido Novo, fez suas propostas gerais mostrando que estava ali para ser agradável e não pensando no Brasil.

Portanto, chegou a hora de decidir , de salvar o nosso país do caos, de mandar de volta para a cadeia para cumprir o restante de anos de prisão que deve à sociedade brasileira, denunciar e rejeitar quem defende o aborto,  a censura da mídia e restrição de  nossas liberdades, quem roubou bilhões de reais dos brasileiros enriquecendo os amigos do rei e seus familiares, quem não tem qualquer postura atualmente para voltar a ocupar o cargo por ser um viciado  em álcool, quem defende o comunismo e foi fundador do Foro de São Paulo. Queremos um Brasil livre desta extrema esquerda destruidora de valores familiares e da própria sociedade brasileira. Assim tiramos o Brasil da beira do abismo em que se encontra, e vamos construir uma nação livre e próspera. Viva o Brasil!


sexta-feira, 9 de setembro de 2022

UM DIA TRISTE PARA OS MILITANTES DE ESQUERDA

Vemos imagens de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo
Paulo. Em todas as capitais foi recorde de público.
militância de esquerda viveu ontem um dia triste ao constatar o gigantismo das manifestações a favor de nossas liberdades e em apoio ao Presidente.  Há cerca de quatro anos que não assisto mais televisão abertas ou  por assinatura e mesmo algumas estações de rádio porque só fazem desinformar. Deixaram o jornalismo de lado e se transformaram em porta-vozes da esquerda que luta para implantar um regime totalitário no país. Estão dando um tiro no pé apoiando os que usam a desfaçatez de se apresentarem como progressistas, e na realidade buscam o caminho da chamada ditadura comunista.  Depois das gigantescas manifestações em comemoração ao Bicentenário da Independência no 7 de setembro , em defesa de nossas liberdades constitucionais e de apoio ao Presidente Jair Bolsonaro os militantes travestidos de jornalistas passaram o dia e a noite esperneando e falando baboseiras. Ao invés de reconhecerem que foram as maiores manifestações democráticas na História do Brasil realizadas em perfeita harmonia em todas as capitais, nas cidades médias e até nas pequenas a catilinária dos militantes de esquerda é que o 7 de setembro foi um dia triste e que o Presidente se apropriou da data. 

Quem esteve nas  ruas senhores militantes de esquerda foi grande parcela do povo brasileiro que não aguenta mais a corrupção, o ativismo do Judiciário, a impunidade e a covardia do Congresso Nacional. Os que saíram às ruas sabem que atualmente o Congresso Nacional é composto por muitos deputados federais e senadores com processos de corrupção e de outros crimes, e que estão engavetados. Sabem também que interesses escusos impedem que este mesmo Congresso cumpra, como deveria, suas funções constitucionais. Estas informações que hoje dispõem as pessoas não chegaram até elas através os veículos "tradicionais," hoje, instrumentos de militantes de esquerda. Vieram por outros meios, principalmente através as conversas nas redes sociais, de poucos veículos que fazem um jornalismo imparcial e da leitura de livros de bons autores.

Falaram que foi usado dinheiro público, o que já é uma grande mentira. Todos foram por vontade própria.  Falaram que foi um dia de campanha. Sim, foi. Após as solenidades oficiais o povo se manifestou e o Presidente esteve presente nas manifestações de Brasília e Rio de Janeiro, após cumprir suas funções de Chefe de Estado, e falou a seus apoiadores. O choro é porque os comunistas nunca mais conseguiram colocar nas ruas um número expressivo de pessoas. O ex-presidiário fala para uma bolha de militantes e muitos vão através de pagamentos. Existem muitos vídeos mostrando, aí sim, uma  triste situação. Por onde o ex-presidiário vai é chamado de ladrão, porque ele foi descondenado pelos seus companheiros togados, mas não inocentado dos inúmeros crimes que cometeu. As provas estão aí para quem quiser examinar, e os brasileiros sabem disto. 

 


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A DEMOCRACIA VENCEU O MEDO

Foi a maior manifestação já vista no Farol da Barra.
Os brasileiros que acreditam na Democracia e que não abrem mão de suas liberdades constitucionais, dos valores morais e familiares, do direito de praticar suas religiões saíram ontem às ruas em todas as capitais, nas principais cidades, e até mesmo em pequenas cidades do país mostrando que estão determinados a defende-las. Nunca se viu tanta gente nas ruas, todas vestidas de verde e amarelo, comemorando os 200 Anos da Independência e apoiando a reeleição do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro. Não adiantaram as provocações e mesmo as intimidações, como ocorreu em Brasília, quando o governador esquerdista até snipers colocou apontando contra a população desarmada. Na tentativa vã de amedrontar milhões de patriotas alardearam aos quatro cantos que seriam manifestações antidemocráticas e esperavam atos de violência. Devem ter ficado frustrados porque apesar de gigantes, e de difícil controle, as manifestações ocorreram na maior tranquilidade o que vem se repetindo em todas as manifestações de apoio ao Presidente Bolsonaro. Ao contrário, as manifestações da esquerda sempre deixam para trás destruição de agências bancárias e outras unidades comerciais, vandalismo contra monumentos históricos, pequenos incêndios, destruição de equipamentos públicos e conflitos com a polícia. 

Nas cidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro aconteceram as maiores manifestações. Segundo informações e as imagens espetaculares reproduzidas nas redes sociais e por alguns canais só nestas três cidades reuniram mais de três milhões brasileiros que levaram seus familiares num clima de festa e harmonia nunca visto. Restou aos representantes da esquerda e algumas autoridades recalcitrantes, as mesmas já conhecidas por desrespeitarem a Constituição, por perseguirem deputados, jornalistas, empresários e cidadãos comuns ficarem em casa. Já os capinhas e estafetas de tribunais que recebem qualquer tipo de representação dos extremistas de esquerda estão no frenesi de desespero com a derrota acachapante que a cada dia se aproxima. Eles parecem que vivem em outro país ou estão cegos pela ideologia que corrompeu suas consciências, e tentam enxergar nas manifestações pacíficas e democráticas em " atos antidemocráticos." Parece uma doença congênita ou eles não sabem mais distinguir o que seja Democracia.  O que na realidade vimos ontem foi a força do nosso povo ordeiro se manifestar e dar um recado simples: Não abriremos mão de nossas liberdades. O que hoje insistem e tentam cerceá-las vão pagar caro por suas ações antidemocráticas.

 



sábado, 27 de agosto de 2022

É PRECISO TRANQUILIZAR O ELEITOR

Eleitores precisam de tranquilidade para votarlivremente .
E
stamos vivendo num Estado policialesco onde diariamente um ministro do STF, que a gente ainda não sabe os limites de sua função, tira de sua "brilhante" cabeça novas regras que têm que ser obedecidas a ferro e fogo. Esta sua disposição já se espalha pelo país, e recentemente um de seus seguidores no Rio de Janeiro ameaçou a prender todos aqueles que reclamarem no dia da eleição. Ele não quer saber se o possível e futuro reclamante poderá estar com a razão. Não. Ele vai mandar prender o reclamante. As reações contra estes abusos ainda são incipientes na velha imprensa; no Congresso Nacional, onde temos o seu  presidente preocupado com os resultados do seu escritório de advocacia; e mesmo na sociedade civil. Apenas vi reagindo poucos senadores e deputados, dois desembargadores, alguns procuradores paulistas, e um punhado de jornalistas.

Já foram presos deputado, jornalistas, presidente de partido político, vários cidadãos comuns além de terem suas contas bancárias e redes sociais bloqueadas, aparelhos de celulares e computadores confiscados. Foi criado um inquérito que um ex-ministro do alto de sua lucidez, chamou de Inquérito do Fim do Mundo, porque ele é ad infinitum, não tem prazo para terminar, e ali o mal humorado ministro junta todos como se fossem criminosos altamente perigosos.

Baseado numa "reportagem", se é que aquilo é uma reportagem, que dedurou empresários revelando suas conversas privadas o ministro  determinou aos policiais que os servem, que fossem nas casas desses empresários apreendessem os celulares e computadores, e ainda bloqueou contas bancárias e as redes sociais. Não satisfeito ontem cismou com as cores verde e amarelo que são usadas numa peça publicitária para comemorar os 200 anos da Independência. Também, determinou que todos os cidadãos que forem votar terão que entregar os seus celulares aos mesários. Nunca se viu tamanha onda policialesca, nem mesmo durante o regime militar. 

Estamos numa escalada que não sabemos onde vai parar. E quase todas as "denúncias" são feitas por integrantes de partidos de extrema esquerda como o PSOL, a Rede, PT, PC do B e PSB e celeremente acatadas pelo ministro. Nas vésperas das eleições para escolher o Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais precisamos de tranquilidade e segurança jurídica. O ato de votar é um ato constitucional e democrático e as pessoas estão sendo intimidadas ao invés de serem encorajadas a votar.

 

 


quarta-feira, 24 de agosto de 2022

ROMEIROS DE VOLTA AO ALTAR DO SERTÃO

Na esplanada, em frente à gruta , centenas de romeiros rezam.

           Texto e fotos de Reynivaldo Brito

           Jornal A Tarde 9 de setembro de 1980

Toda pureza e autenticidade da religiosidade popular do Nordeste brasileiro concentra-se durante os meses de agosto e setembro na cidade santuário de Bom Jesus da Lapa, a 900 quilômetros de Salvador. São milhões e milhões de romeiros que tomam de assalto esta pequena cidade às margens do Rio São Francisco para pagar suas promessas e cantar ladainhas e benditos arrastando as vozes em verdadeiros lamentos. Eles chegam de todos os recantos do país: de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiânia e de muitas outras cidades do Bahia ou dos mais distantes estados. Chegam todos os ordeiros, trazendo no peito e em seus corpos sofridos, uma religiosidade tão profunda que em determinados momentos, o turista desavisado fica antevendo uma cena de histeria coletiva. Mas, nada disto acontece porque esses homens que diariamente labutam nas roças, com suas mãos calejadas, deixaram em suas cidades os instrumentos de seu trabalho, e trocaram por terços ( que eles chamam de rosários),imagens de Jesus Cristo e de alguns Santos, para participar da Romaria de Bom Jesus da Lapa.

Alguns pagam as promessas mais penosas, como subir de joelhos à gruta com mais de um quilômetro de extensão, e quando terminam de cumpri-las estão com os joelhos sangrando. Outros vestem-se todo de branco e saem cantando ladainhas em voz alta pelos arredores da gruta onde está instalado o Santuário de Bom Jesus da Lapa. De quando em vez, surgem, numa esplanada que serve de local para a realização das pregações e missas campais, alguns religiosos que orientam e aconselham aos romeiros. Na hora da celebração de uma missa, o silêncio é total, e os romeiros contritos entoam seus cânticos tristes e sofridos.

                                                   MUITO SOL E DEVOÇÃO

Atraídos pela multidão muitos comerciantes vendem de tudo
O sol na cidade de Bom Jesus da Lapa, é insuportável. Em determinadas horas atinge a quase 40 graus, e os romeiros enfrentam este calor todos os dias, às vezes em filas que se arrastam por duas a três horas de relógio para depositar num cofre, o óbulo para o Bom Jesus. Calados e ordeiros, os romeiros contam apenas como proteção chapéus de palha cobertos com um pano branco e enfeitados de muitas fitas nas cor verde e azul. Alguns deles chegam com suas famílias, passando por muitas noites mal dormidas nos caminhões paus-de-arara, e cozinhando ou assando surubins que pescam à beira do rio.

Perguntei a muitos deles o que estavam pedindo ao Bom Jesus, e simplesmente responderam que estavam ali para pagar as graças alcançadas agradecer os milagres que o santo teria feito. “Não vim pedir nada! Vim agradecer a graça alcançada que salvou meu filho”, disse o velho Sabino Santana, de 73 anos de idade, pele enrugada e olhos tristes. Ele veio do Sul da Bahia para agradecer ao Bom Jesus, e no penúltimo dia de sua romaria, já não possuía nem um tostão para custear qualquer despesa. Ia passar mais um dia e meio, sem contar mais dois dias, até alcançar sua casa na cidade de Canavieiras. Para Sabino, que pode ser tomado como um exemplo típico de romeiro que todos os anos acorre para Bom Jesus da Lapa. O sacrifício e o conformismo são elementos inseparáveis da personalidade desta figura, que nós que moramos nas grandes cidades, pensamos que está desaparecendo ou que é coisa de cinema. Mas, como Sabino, são milhares e milhares de rudes e sofridos nordestinos que acreditam em dias melhores, e que o sofrimento que estão passando é “pela vontade de Deus”.

                                                   TOCAR NO ALTAR

A beata vestida de branco, com chapéu típico e sua filhinha.
 Muitos dos romeiros ficam extasiados, quando finalmente conseguem, depois de enfrentar duas ou três horas na fila, penetrar na gruta e tocar nas suas paredes, e principalmente no altar onde está entronizada a imagem de Bom Jesus. Logo depois, eles somem por entre as muitas passagens mal iluminadas e empoeiradas. No interior da gruta o ar é tão raro, que se torna difícil a respiração de qualquer ser humano, sem contar a poeira que ataca as narinas dos romeiros.   

Porém, não existe nada que faça o romeiro mal alimentado e sofrido desistir, porque tudo é feito com tanta fé, que ele esquece a fome, e as dificuldades que encontra pela frente. Tudo é vencido com muita obstinação e força de vontade, e muitas vezes até com alegria, porque cumprem a palavra pagando suas promessas. A palavra ainda vale no Nordeste. homem rude da zona rural não aceita a mentira, e o não cumprimento da palavra dada. Falou está falado, principalmente quando promete pagar uma promessa ao Bom Jesus da Lapa.

                                                          MUITOS LADRÕES

Atraídos pela multidão muitos comerciantes vendem de tudo
Quando subimos o morro onde muitos dos romeiros pagam suas promessas e de lá descortinam
toda a cidade de Bom Jesus da Lapa, encontramos um dos mais famosos poetas populares do Nordeste, Minelvino Francisco da Silva, autor de mais de 400 livros de cordel, e seu irmão não menos famoso, colega de profissão, João Ferreira da Silva. No pico do morro eles cantavam os benditos e as ladainhas, atraindo a atenção de todos, e vendendo seus livretos a Cr$10,00 e Cr$20,00.Ao lado dos romeiros, a cidade de Bom Jesus da Lapa é também cenário da presença de pessoas indesejáveis, principalmente de ladrões que para lá se dirigem para roubar os incautos romeiros. E o poeta Minelvino Francisco da Silva, que se intitula “o trovador apóstolo,” tem um livro chamado “Histórias dos ladrões na Romaria de Bom Jesus da Lapa”, que em certo trecho diz: De um a seis de agosto/ É de fazer compaixão/ De tanto ladrão chegar/ De ônibus, de caminhão/ Nesta cidade da Lapa/ Com sua mal intenção”. Estes versos refletem exatamente o clima de uma festa religiosa, onde os marginais aproveitam da aglomeração para agir, e muitos deles encheram a cadeia municipal, pois foram presos em flagrante pela Polícia.

                                                        A HISTÓRIA

Bom Jesus da Lapa é o protetor das populações humildes do São Francisco, e o centro principal das peregrinações que atrai milhares de romeiros todos os anos. O centro da romaria, é uma gruta de calcário que funciona como um santuário, e tem à sua frente uma esplanada, foi construída pelo governo estadual, que foi batizada de Esplanada ou Praça dos Romeiros, local onde são celebradas as missas. Dentro da gruta existem verdadeiras salas, transformadas em capelas com altares grandes, imagens, além de locais para colocação de ex-votos, e, numa delas, está a imagem do Bom Jesus dos Navegantes, e o túmulo do seu fundador, o eremita português Francisco Mendonça Mar (entre 1600-1722).Existe ainda, a Cova da Serpente, símbolo da maldade, que, segundo os habitantes da cidade, desapareceu depois de ser vencida pela reza do Ofício de Nossa Senhora.

                                                     REDENTORISTAS

Os padres redentoristas são encarregados de cuidar do santuário de Bom Jesus da Lapa. Além de cuidar do santuário, eles estão desenvolvendo um trabalho pastoral com as populações ribeirinhas. Segundo informou o padre Tadeu Pawlik, de nacionalidade polonesa, o povo da região é muito bom, e abandonado. Ele trabalha na Pastoral da Terra, e sempre está em contato com problemas de grilagem de terras, tão comuns naquela região. Cita o padre, que na última enchente, um bairro inteiro ficou debaixo das águas, e foi condenado pelo Ministério do Interior, que vai construir 1600 casas para transferir seus moradores. Porém as casas já estão sendo construídas, e tem apenas 4x2 metros, muito pequenas para abrigar famílias que tem mais de dez membros, muitas vezes. Evidente que as pessoas não querem mudar, porque não terão como acomodar todos os integrantes, e não receberam qualquer indenização. “Vá conversar com as famílias, que você verá que situação terrível”, disse o sacerdote, apontando para um bairro miserável de casas de taipa à beira do rio, quase encoberto por uma poeira insuportável, levantada pelo movimento de alguns tratores que trabalhavam na construção de um dique de proteção da cidade contra as enchentes. 

Grandes filas na entrada da gruta
Ao lado da religiosidade que atrai milhares de romeiros, os moradores de Bom Jesus da Lapa são beneficiados, e ao mesmo tempo prejudicados. Beneficiados porque aumenta consideravelmente o número de visitantes que consomem de tudo, inclusive o movimento de numa feira existente em frente ao santuário, é indescritível. Por outro lado, são prejudicados porque a cidade não tem qualquer infraestrutura para abrigar tanta gente. Basta dizer que não existe qualquer saneamento básico, e os romeiros banham-se no rio, e fazem suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar, além de não ter hotéis, pensões ou pousadas em número suficiente. Durante a romaria, encontrei centenas de pessoas dormindo embaixo de caminhões, nas calçadas, dentro de ônibus e de carros particulares, a depender do status econômico de cada romeiro. O prefeito André Noronha, solicitou durante a romaria, tendo inclusive o apoio do bispo da diocese, D. José Grossi, ajuda do governador Antônio Carlos Magalhães, para instalar a rede de esgotos da cidade, aumentar a Praça dos Romeiros, e melhorar as estradas que ligam o município a outras cidades, às quais estão quase intransitáveis.

                                                       DESPEDIDA

Beatos aproveitam para casar .Uma cena comum na romaria
Um dos momentos mais bonitos da romaria de Bom Jesus da Lapa, é a despedida dos romeiros. Este ano, no término da procissão que percorreu as ruas principais da cidade, acompanhada por milhares de romeiros e da imagem do padroeiro. Os romeiros concentram-se em frente ao Santuário para a missa é benção. Logo a seguir, o bispo D. José Grossi falou aos romeiros, condenando o divórcio, classificando como a “lei do demônio”, e também o aborto, que considerou um “assassinato precoce, porque mata o filho no ventre da mãe”. Depois de algumas rezas e cânticos, os romeiros acenam seus chapéus brancos, dando “até logo” Bom Jesus, porque, em meados deste mês, retornarão muitos deles, para a festa de Nossa Senhora da Soledade. O “até logo”, foi incentivado pelo bispo D. José Grossi, o qual foi respondido pelos romeiros contritos, que não paravam de acenar os chapéus. Ao término da cerimônia religiosa, os romeiros começaram a dispersar, e os paus-de-arara, ônibus, e caminhões, deixavam a cidade com os romeiros agradecidos, cantando em voz alta, por terem cumprido suas promessas. Outros retornarão no ano que vem. como o fazem a vários anos no mês de agosto, que é considerado o mês de maior movimento, sendo que o ponto alto das manifestações, acontece nos dias 6 e 7 deste mês, e 15 de setembro. Assim, enquanto não melhora a vida desta gente sofrida e abandonada, não resta outra alternativa a não ser chamar por Bom Jesus.





terça-feira, 19 de julho de 2022

DICIONÁRIO REÚNE ESCRITORES DO NORDESTE

Capa do Dicionário ,1ª edição.

Existem criaturas abnegadas que levam adiante seus sonhos e paralelamente ajudam e beneficiam as pessoas. Conheço algumas dessas criaturas e uma delas chama-se Roberto Leal. Ele é um jornalista, de poucas posses, mas que tem uma vontade imensa em realizar. Basta dizer que arrecada livros e os leva em sua bagagem de viagem para distribuir e incentivar a leitura em países africanos. Aqui edita a Revista Ômnira onde publica contos, poesias e ensaios, e mais recentemente organizou e editou o Dicionário de Escritores Contemporâneos do Nordeste, 1ª Edição, juntamente com a União Baiana de Escritores e a Editora Ômnina que certamente será enriquecido com outros nomes nas próximas edições. É apenas o começo de uma caminhada e serve para mostrar ao público leitor e mesmo aos editores e livreiros os nomes das pessoas que estão interessadas em produzir literatura. Se a qualidade do que produzem os escritores ali reunidos é significativa o próprio mercado se encarregará de depurar. O importante é que estes escritores e poetas se dedicam dentro das suas circunstâncias e limitações a produzir aquilo que consideram de melhor em termos de criação.

Na apresentação do dicionário o escritor Krishanamurti Góes dos Anjos destaca que " A palavra Dicionário, de uma forma ou de outra nos remete a "origens". Este de autores contemporâneos do Nordeste (ainda que limitado a determinada região geográfica em um país de dimensões continentais), pede abordagem que ultrapasse o enfoque didático, batido e rebatido de escolas literárias e suas categorias aceitas e repetidas, de periodicidades, de precedências, de inovações e de autoriais com o enfadonho inventário de nomes."

O dicionário tem cento e trinta e cinco verbetes, e cento e sessenta páginas contendo informações sobre obras, contos, artigos e poesias de cada um dos escritores. "Trata-se de um acervo documental, com perfis de autores e suas respectivas obras publicadas. Na realidade é uma espécie de banco de dados que ajudará no futuro os pesquisadores a definir as características individuais e identificar tendências da literatura regional", disse o escritor e jornalista Sérgio Matos, um dos participantes da obra. O Dicionário de Escritores Contemporâneos do Nordeste pode ser adquirido através do e-mail lealmnira@yahoo.com.br.

 

 


sexta-feira, 15 de julho de 2022

INTIMIDAÇÃO COMO ARMA POLÍTICA

A intimidação provoca danos psicológicos no indivíduo.

 O ato de intimidar as pessoas é uma tática utilizada   nos regimes totalitários. Começa com o  aparelhamento  do Estado e das instituições,   desarmamento, pequenas mudanças na legislação, na   linguagem, do "politicamente correto", nas   manifestações dos agentes culturais e políticos e   vem  num crescendo até se tornar uma intimidação   física. Estamos vivendo hoje no Brasil o estágio   entre a intimidação através das declarações e  ações   desses agentes e a física que consiste em agressões,   prisões e até na eliminação dos oponentes. O   ativismo judicial se espalhou como um rastilho de  pólvora por todo o território nacional, e hoje vemos decisões judiciais estapafúrdias que nunca imaginamos que um dia iríamos presenciar. Uma juíza gaúcha proibiu ontem, dia 14 de julho, o uso da bandeira nacional nas manifestações e comícios.  A Justiça era a última porta onde o cidadão cumpridor de suas obrigações contava. Hoje, não é bem assim.

Este processo vem se formando há cerca de trinta anos quando sob o pretexto de redemocratização as pessoas passaram a aceitar passivamente  tudo que viesse com o rótulo de democratização, de liberdades, de pluralidade, quando na realidade muitas vezes ali está embutido o totalitarismo de esquerda. Hoje esses agentes estão tão desenvoltos que não mais camuflam suas pautas. Defendem abertamente a supressão das nossas liberdades individuais como a  expressão do pensamento e de prática religiosa,  o controle da mídia ( imprensa e das redes sociais), a destruição de valores da família, a perda da propriedade privada, a defesa do aborto, liberalização das drogas , enfraquecimento das polícias militares, destruição da justiça criminal através  leis que só beneficiam o criminoso e penalizam a vítima e suas famílias, e até mesmo desrespeitam direitos garantidos pela Constituição, postam imagens com o presidente da República sendo decapitado e sua cabeça servindo de bola para chutes dos extremistas de esquerda.

Atualmente um criminoso encarcerado ganha mais que um trabalhador que recebe o salário mínimo, tem progressão de pena, saídas temporárias (muitos aproveitam para evadir), têm visita íntima, e agora no Rio de Janeiro o menor encarcerado tem direito a crédito bancário garantido pelo Governo do Estado. Sem falar na famigerada audiência de custódia que serve para desestimular os policiais, que prendem o criminoso em flagrante e ao chegar diante do juiz simplesmente é liberado. A polícia do Rio de Janeiro está proibida de subir aos morros para combater os traficantes, e mais recentemente foi prorrogada uma decisão judicial  proibindo ação de despejo por falta de pagamento. Agora que estamos às vésperas das eleições assistimos a movimentação de dirigentes de instituições numa confraternização e parcerias com condenados e corruptos contumazes como se fosse coisa normal. Algo precisa ser feito para sanar estes absurdos. Senão será o fim dos tempos! ( Reynivaldo Brito)

 

 

terça-feira, 12 de julho de 2022

TERCEIRO ENCONTRO DAS FAMÍLIAS JACOBINA / BRITO

 TERCEIRO ENCONTRO DAS FAMÍLIAS JACOBNA / BRITO.

Esta foto reuniu a maioria dos presentes no Encontro em Pombal.
Este foi o terceiro Encontro que participei das famílias Jacobina / Brito e confesso que cada vez sinto uma sensação de alegria por encontrar parentes que no decorrer da vida a gente se afastou por várias razões e passamos a morar em cidades diferentes, alguns com longas distancias. Também, os afazeres da vida e a luta pela sobrevivência contribuem com este afastamento. Mas, existe uma palavra mágica que encurta as distâncias e nos aproximam novamente ou até mesmo pela primeira vez. Esta palavra é Encontro que é o ato de “chegar um diante do outro ou uns diante dos outros. É a junção de pessoas ou coisas que se movem em vários sentidos ou se dirigem para o mesmo ponto.” Foi assim que no dia nove de julho aconteceu este momento mágico de reencontros e de encontros quando nos reunimos num momento de alegria e confraternização

Sabemos que atualmente as redes sociais aproximam, reaproximam e até afastam as pessoas, porém não é a mesma coisa que olhar olho no olho, dar aquele abraço apertado, aquele beijo carinhoso nas pessoas que  gostamos e sentimos saudade. Além de botar a conversa em dia. Sempre surgem novidades que contribuem para fortalecer as relações. Lá estavam tios e tias, irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, primos e primas, esposos e esposas, genros e noras, netos e netas, até bisnetos e bisnetas. Estiveram presentes quatro gerações com idades variando de 99 a 2 aninhos. Tudo num clima de alegria por encontrar e mesmo passar a conhecer novos parentes. Para alegrar uma banda de forró animou o ambiente enquanto o churrasco era servido a todos os participantes. O Encontro foi tão animado que no horário previsto para acabar a banda contratada foi recontratada para tocar por mais tempo, porque os participantes não queriam que a festa terminasse.

A Comissão Organizadora foi composta por Telminha, Denilde, Juci  contou ainda com a participação de Priscila , Joelma , Luciana e Elismar que pensou  em tudo desde a decoração do salão, do palco,  mesas,  camisas, das canecas para diminuir o uso de copos plásticos e assim contribuir com o meio ambiente.  Portanto, até o próximo Encontro, que será o quarto, e  muitos outros que virão . Espero que além dos participantes deste venham outros parentes que por alguma razão não puderam estar presentes. Defendo que demais  primos que desejem participar sejam convidados. É um momento ímpar, e a vida é feita desses momentos, quando perdemos ou nos ausentamos não voltam mais. ( Reynivaldo Brito)

sábado, 2 de julho de 2022

OS ARTISTAS POPULARES QUE TEIMAM EM CRIAR

 Temos em todas as cidades do interior os chamados artistas populares que nunca frequentaram escolas de arte ou mesmo tiveram orientação de um professor mais especializado. Eles surgem com seus talentos espontaneamente e vão tateando daqui e dali até serem reconhecidos pelo que criam e produzem. Assim surgem escultores, pintores, desenhistas, gravuristas, artesãos, fotógrafos dentre outras categorias. Portanto, este texto se propõe a mostrar alguns desses artistas que estão aí no mercado em Ribeira do Pombal tentando mostrar e sobreviver da arte que fazem. Sendo um amante da arte por onde passo procuro ver e descobrir novos talentos. Minha casa tem suas paredes repletas de obras de arte e sempre estou olhando e admirando cada detalhe. Elas servem para dar alegria e vida, transformando as paredes frias em locais de boas vibrações, além de proporcionar o embelezamento. Uma casa sem uma obra de arte, quer seja uma pintura, uma fotografia ou escultura é uma casa sem vida, de paredes mortas. Portanto, procurem colocar em suas casas e apartamentos uma obra de arte, e prestigiem os artistas da terra que precisam sobreviver de sua arte, e que teimam em mostrar seus talentos. Ao adquirir uma obra de arte você também está contribuindo para a melhoria da qualidade da arte que eles produzem, porque à medida que pintam, esculpem, gravam ou fotografam vão aperfeiçoando suas habilidades e a qualidade de suas obras.

Vânia Reis e algumas telas de sua autoria.
 A Josivânia Santana dos Reis , que assina suas obras como Vânia Reis, é natural do Povoado de Barrocão, é  a mais talentosa, conhecida experiente  entre os artistas populares do município. Ela nasceu em 15 de junho de 1967 e diz que seu interesse pelas artes começou desde criança  quando descobriu que poderia fazer alguns objetos de barro, e também  passou a realizar  seus primeiro desenhos. Frequentou alguns cursos temporários ministrados no município e até mesmo em São Paulo , e em 1997 passou a expor algumas obras. Hoje é uma artista reconhecida na região e de quando em fez solicitada a fazer um mural em pousadas, bares e mesmo em residências particulares. Também, escreve poemas e é uma ativista contra a violência doméstica. Sempre está participando de lives ou outros eventos mostrando sua arte e levando a mensagem contra a violência doméstica, a que inclusive  diz que foi uma das vítimas.

Vânia Reis tem realizado também um trabalho de resgate pintando prédios históricos que desapareceram devido a insensibilidade de gestores públicos e mesmo de famílias que se desfizeram de seus imóveis por várias razões. A nossa Cidade tem uma memória curta, como se diz no popular. Preservação aqui é quase um palavrão. O último prédio histórico que foi demolido  para a construção da sede do Tribunal Regional Eleitoral  foi a Cadeia Pública. Eu cheguei a falar com um Diretor do TRE , que trabalhou comigo no jornal A Tarde sob a possibilidade de pelo menos preservar a fachada da Cadeia Pública, mas ele respondeu que seria impossível porque o projeto é padrão. Isto não iria interferir no projeto. Apenas um simples recuo poderia ter salvo mais este prédio histórico. A culpa foi do prefeito da época que simplesmente permitiu sem qualquer reflexão.

A arte de Marlene, índia Kiriri
Temos a índia Kiriri Marlene Maria de Jesus, 57 anos, casada com Orlando Jesus dos Santos e tem oito filhos: Josileide, Rogério, Ricardo, Maíra, Rosângela, Cleoma, Sueli e Ronaldo.  Nasceu na Mirandela, quando pertencia a Ribeira do Pombal, e ela trabalha com palha do ouricurizeiro de onde tirar a fibra que confecciona bolsas, tranças,  tangas e sutiãs. Também sem tirar a fibra usa a palha in natura faz as esteiras e abanos , e com outros materiais confecciona cocares,   maracás e colares . "Um galho de ouricurizeiro para mim é vida! Às vezes trabalho com meu filho Rogério  que faz também aiôs com a fibra do ouricurizeiro, mas, ele sabe fazer também com linhas industriais  tricotadas. "

 E continua Marlene "tenho trabalhado fazendo sutiãs e tangas de fibras de pindoba (ouricurizeiro) mas sinto falta de um manequim para ver melhor o resultado do que faço. Muitas vezes a gente pede a uma sobrinha para vestir, para olhar como está o caimento, e mesmo se precisa ser feito algum ajuste. Com o manequim seria melhor porque estaria sempre a disposição para isto. "

Ela mora na comunidade de kiriri , na Mirandela, que hoje pertence ao município de Banzaê, que foi desmembrado de Ribeira do Pombal em 24 de fevereiro de 1989. Começou a trabalhar com a mãe em utensílios domésticos feitos de barro e quando sua mãe faleceu ela continuou e aprendeu a fazer outros utensílios e elementos de sua cultura que são comercializados em feiras e outros eventos. 

Obras de  Humberto Souza
 Humberto Santos Souza, 71 anos, filho de Zezito Paulo dos Santos e  Josefa Cristina de Souza (falecida),  montou a primeira galeria de arte que funcionava na Rua Fernanda Gama, ao lado do Bradesco, mas terminou fechando porque não tinha movimento comercial. "Depois que me aposentei  do Banco do Brasil tive que procurar fazer algo. A saída foi me dedicar à arte senão ia endoidar. Queriam me transferir para São Paulo, Paraná e outros estados . Foi quando preferi aceitar o Pedido de Demissão Voluntária - PDV, em 1996 . Depois passei um ano mal,  adoeci e tive um AVC. Foi a arte que me salvou. Desde criança que desenhava e já adulto comecei a pintar a partir dos 18 anos. Nunca tive curso, embora os colegas na época me incentivaram muito a fazer um curso na Escola de Belas Artes da Ufba." Ele é natural de Jandaíra, Bahia, e está em Ribeira do Pombal há mais de cinquenta anos. Confessa Humberto que " hoje estou com os movimentos limitados do lado direito e isto tem dificultado pintar. Tenho várias obras  aqui em Ribeira do Pombal ."

Geovane e as luminárias de pvc
 Geovane Bitencourt Gomes, diz ser  natural de Tucano, 59 anos, "mas vivo aqui há mais de quarenta anos, sou praticamente pombalense. Desde os quatorze anos que estou envolvido com a arte. Primeiro fazia entalhes em madeira e depois fiz algumas pinturas, e cheguei a fazer uma exposição na Mona Pizza, aqui mesmo em Ribeira do Pombal. Parei de pintar por falta de incentivo e as pessoas não dão o valor que a gente espera. Publiquei um livro de poemas  "Desabafo do Poeta", em 2001, e a partir de 2018 descobri o pvc como material para fazer a minha arte. Hoje elaboro abajures, luminárias, miniaturas, caricaturas o que você pensar em pvc eu faço. Já tenho minha Carteira Nacional de Artesão e estou esperando ajuda do Governo "porque a coisa está braba".

Ricardo e suas esculturas.
O artesão Ricardo Oliveira Silva, o Ricardo Arte ,  trabalha com vários materiais, inclusive com casca de coco, pó de madeira e cola. São materiais naturais reciclados. Faz também entalhes de madeira reproduzindo animais da região e mesmo de outros estados do Brasil. "Ultimamente tenho feito algumas esculturas de cimento e já tenho peças de espalhadas em vários cidades do país. É um trabalho simples, humilde, procuro sempre dar vida aos meus trabalhos." Sempre procurou aproveitar materiais da natureza, que estão disponíveis na região. 
Essas pequenas esculturas de tartarugas mostram que o Ricardo poderia criar outros produtos, mas para isto precisaria de cursos para conhecer novos materiais e novas técnicas para melhorar ainda mais a qualidade dos produtos que cria. Também, seria necessário que houvesse um local onde os artistas pudessem expor seus produtos e obras para que os visitantes pudessem conhecer e adquiri-los.

Ana Belck usa massa de biscuit.
A jovem paulista Ana Belck de vinte e seis anos, nasceu em São Paulo, mas mora em Ribeira do Pombal desde um ano de idade. Ela disse que
 teve contatos com os mais variados tipos de materiais e instrumentos ligados à arte. Escolheu trabalhar com a massa de biscuit ou porcelana fria em 2017. A Ana  modela as peças e depois passa a pintar suas pequenas esculturas.  Já adquire a massa de biscuit pronta e para colorir as peças usa tinta de tecido ou mesmo corantes em pó. Trabalha e manuseia cola branca, isopor, rolo para misturar a massa , arame galvanizado e estecas, que são ferramentas em metal usadas em modelagem e esculturas de argila para retirar excessos, cortar e criar sulcos.

Fabrício Santana,  artista versátíl no seu ofício
O artista Fabrício Santana, embora seja natural de Euclides da Cunha, também reside em Ribeira do Pombal. É desenvolto para falar dos seus trabalhos e segundo ele tudo começou espontaneamente desenhando até chegar aos pincéis. Já fez algumas exposições. Ele contou que o primeiro desenho que fez foi para um tio que na época lhe pagou R$5,00. A partir daí viu que poderia ganhar algum dinheiro  desenhando, porque antes trabalhava na roça. A diária era muito baixa. Então no colégio ele desenhava os mapas das aulas de Geografia e outros trabalhos escolares. Sempre teve interesse em tornar-se profissional e sempre que pedia materiais à sua mãe para pintar ela não podia dar e ficava muito triste com isto. Até hoje quando lembro, ela chora". Lutei muito para vender meus quadros e com 17 anos vim para a Cidade e fui trabalhar de cabelereiro, onde fiquei durante um ano. Todo início de trabalho é difícil e passei muitas dificuldades, inclusive passei até fome. As coisas foram acontecendo e continuei desenvolvendo o meu trabalho de artista plástico. Participei de um concurso no colégio e ganhei o primeiro lugar e o segundo da região. Ganhei um kit de pintura e uma viagem para Salvador onde passei uma semana no Hotel Fiesta Bahia participando de um Workshop (é seminário ou curso intensivo, de curta duração, em que técnicas, habilidades, saberes e artes tudo aplicado e demonstrado). Tudo foi pago pelo Governo Federal e isto foi um ponto chave para continuar. Trabalhei na lanchonete MeKoma, que ficava na Praça Getúlio Vargas, e quando sai fui trabalhar no Centro Municipal de Cultura como desenhista. Ai passei a ficar mais conhecido e vendi minha casa e uma moto que tinha e me mandei para Carmo do Paranaíba, em Minas Gerais,  para participar de um evento com o artista mineiro  com o artista hiper realista Fabiano Milani e voltei com R$120,00 no bolso. Lá conheci minha atual esposa e estamos aqui na luta. Trabalho hoje com pintura residencial e artística. Ainda não fiz uma exposição individual, mas pretendo fazer em breve. O nome já foi escolhido Gratidão, a todos que me ajudaram".
José Ailton e algumas de suas obras realistas.
Morador da localidade de Barro Vermelho, na zona rural de Ribeira do Pombal o jovem  José Ailton Bezerra de Oliveira, que assina José Ailton, de 23 anos, disse que começou desenhando desde 10 anos de idade. Sempre que tinha uma folga das aulas do colégio desenhava uns coelhos e outros animais e as pessoas que viam ficavam admiradas dos desenhos. De lá para cá acho que evolui muito e fui mesmo levar a sério este meu dom de desenhar a partir de 2016 quando comecei a me interessar pelo desenho realista, que lembra uma fotografia. "
Trabalha como ferramenta os lápis em várias graduações que vai do HB até o 8B para conseguir dar todos os traços desde o mais fino ao mais grosso. Diz que "temos que ter uma boa técnica para tirar a dureza do lápis e dar uma ideia de pele quando desenhamos pessoas. Uso o ´papel Canson e para conseguir tenho que comprar em Feira de Santana e Salvador. Estou iniciando o uso de  lápis de cor para os desenhos. Atualmente os lápis de cor são  marca Faber Castel que é bem melhor para   desenhar.  Estou também fazendo escudos e letreiros, uma forma de sobreviver com a minha arte. Mas, confesso que está muito difícil no momento sobreviver de arte em Ribeira do Pombal. Atualmente estão devagar as encomendas de desenhos. Agora estou também cortando cabelo e ainda trabalho na roça, e dá uma risada, mostrando sua disposição em enfrentar a vida  sem lamúrias. Já mostrou seus desenhos na Cultureira, em 2018 aqui em Ribeira do Pombal . Com a pandemia tudo parou. O meu sonho é expandir minha arte e mostrar em outras cidades." 

NR - Meus agradecimentos a Hamilton Rodrigues por sua busca pelos artistas . Quando é um texto com vários depoimentos dá mais trabalho porque depende dos horários e disponibilidade das pessoas. 


terça-feira, 28 de junho de 2022

VANTAGENS DA POLARIZAÇÃO POLÍTICA

Uma ilustração para mostrar o que estamos vivendo hoje.
Vejo com um olhar de apreensão alguns "comentaristas" e "especialistas" em política dizer que a polarização é ruim. Ao contrário, o que é ruim é esta salada de partidos políticos, cada um com seu dono, que servem apenas como negócio de manobra para atacar o Erário Público exigindo cada vez mais recursos através o Fundo Partidário (Fundão) que este ano é de 4,8 bilhões de reais, e das milionárias emendas parlamentares obrigatórias. Temos cinco partidos comunistas defensores de regime totalitário, contrários ao Estado de Direito, os quais são financiados e mantidos pelos cidadãos democratas através do pagamento de impostos.  Temos 81 senadores, 513 deputados federais, 1.090 deputados estaduais, 5.570 prefeitos e 57.261 vereadores. É preciso diminuir este número de senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. Com a polarização seriam dois partidos fortes disputando com programas bem definidos como acontece nos Estados Unidos com os Republicanos e  Democratas. Veja que recentemente eram os Republicanos que estavam no poder e agora são os Democratas, que já demonstram enfraquecimento, e podem ser substituídos por um governo Republicano nas próximas eleições. Existem ainda os partidos Verde, Libertário e o da Constituição que são tão insignificantes que não aparecem nas cédulas eleitorais da maioria dos estados americanos. Na Inglaterra são os Trabalhistas e os Conservadores, e assim acontece na maioria das grandes democracias do mundo.

Duas coisas que dão lucros extraordinários no Brasil são partidos políticos e igrejas. Por isto, que temos trinta e dois partidos políticos atuando e mais trinta e seis partidos em formação e uma infinidade de igrejas. Isto é uma aberração e uma porta aberta para a corrupção. Defendemos uma reforma política ampla , logo após este pleito de outubro, para que diminua esta farra com o dinheiro do Fundão, e saibamos efetivamente quem defende as ideias liberais, as nossas liberdades, os valores familiares de uma sociedade ocidental, a propriedade privada, o direito do cidadão de bem andar armado para sua defesa, e quem é contra e luta por um estado totalitário estatizante, contra as liberdades individuais e a destruição da família. Alguns partidos comunistas mudaram até de nome para enganar os menos informados e politizados. O Partido Comunista do Brasil _PC do B agora quer adotar um nome fantasia para esconder a palavra comunista. O Partido Popular Socialista (PPS) mudou para Cidadania, onde abriga centenas de comunistas. São maneiras de enganar os menos informados e ´politizados, mas são todos partidos compostos por políticos antidemocráticos.

Com a polarização as posições políticas ficam bem definidas e diminui muito a possibilidade de enganar o eleitor. No Brasil de hoje as eleições estão polarizadas nos que apoiam a política liberal do Presidente Bolsonaro e os que seguem o ex-presidiário com sua plataforma totalitária, que quer destruir o nosso país. Os programas serão mais expostos e discutidos no Congresso Nacional , nos comícios, na mídia, nas redes sociais, nas ruas e nos locais públicos apropriados. Hoje a discussão está manipulada com o aparelhamento que foi feito nas escolas, na Justiça  e na mídia , durante trinta anos de governos de esquerda, e assim estamos formando gerações de jovens que não sabem o perigo de um regime totalitário. Enquanto as populações oprimidas em ditaduras totalitárias, quer sejam de esquerda ou direita, querem se livrar dos ditadores, aqui muitos torcem por um regime totalitário por total desinformação e ignorância. ( Texto de Reynivaldo Brito).

 

sábado, 18 de junho de 2022

OS REISADOS AINDA SOBREVIVEM NA ZONA RURAL

As Figuras e os Galantes do Reisado.
 A manifestação popular religiosa  do Reisado continua resistindo na zona rural em Ribeira do Pombal onde três grupos distintos todos os anos a partir do mês de setembro saem pelas roças ( pequenas propriedades) e povoados  cantando e dançando para a alegria dos que gostam deste tipo de folguedo, e no dia 6 de janeiro é o auge no Dia dos Reis Magos. A principal figura do Reisado era d. Bejo, que  faleceu em 29 de setembro de 2016. Nas localidades de Pocobatiba, Alexandrino e Pedra esta manifestação de caráter religiosa e cultural ainda permanece viva. Porém, constatamos que  enfraqueceu muito nesses últimos três a quatro anos com a morte de importantes líderes e figurantes, e que se alguma medida urgente não for tomada pela Secretaria da Cultura para reacender esta chama o Reisado vai desaparecer do nosso município. O  filho de d. Maria do Bejo, o sr. José Santos Cruz, conhecido como o Zé de Bejo, 63 anos de idade, prossegue lutando para manter a tradição de sua mãe. Ele é  casado com d.Josefa Santana Cruz,  (Nenê de Vicente), têm nove filhos, sendo  oito  homens Roberval, Rosival, Francisco Jadson, José Orlando, Rafael, Domingos, Raimundo, Ismael e Maria de Fátima. É este casal de leva o Reisado na localidade de  Alexandrino . Eles lutam para  manter uma quadrilha junina e o Reisado, mas ,disseram  que a dificuldade atualmente é arranjar  as Figuras e os Galantes porque os jovens não querem, e alguns ao invés de se orgulharem em preservar esta importante tradição têm vergonha de participar do folguedo. Conta o Zé de Bejo que sua mãe "iniciava o Reisado desde o mês de setembro, e que o grande momento  era no dia 6 de janeiro." Eles formam o Reisado com umas treze a quinze pessoas sendo três tocadores : um sanfoneiro, o do  triângulo e o  pandeirista. Às vezes a mesma pessoa faz o Boi e o Jaraguá, tem o Gato, o Caboclo, dois Galantes, quatro Figuras , o Véio e a Dona do Baile. Ela  é quem depois da chegada do Caboclo na casa visitante  pede licença aos donos da casa para dar autorização para os demais entrarem e começarem a dançar. Geralmente os donos da casa oferecem bebidas e comidas e a festa continua na maior alegria até o raiar do dia.

Foto 1. Beijamim (Bejo) e d.Mariana (d.Bejo).
Foto 2.O filho Zé do Bejo  e sua esposa d. Nenê
 A d. Mariana Pereira dos Santos,(Maria de Bejo ou d. Bejo) nasceu em oito de janeiro de 1934 e faleceu em vinte e nove de setembro de 2016, portanto morreu aos 82 anos de idade,  e seu esposo Beijamim Adelino da  Cruz  (Bejo)  nasceu em 30 de março de 1940 e faleceu em 6 de julho de 2017. Tiveram oito filhos: José, Ivan, Pedro, Humberto, Dado, Josefa Luzia, Carlos e outra Josefa. Quando criança  a d. Bejo já dançava no Reisado do Zé de Nizo. Seu filho Zé do Bejo  não sabe  dizer o ano em que sua mãe iniciou o seu próprio  Reisado. Depois que casou, e com o falecimento de Zé de Niso o Reisado onde ela começou a dançar acabou. Inconformada  resolveu fundar seu próprio Reisado. Confessa seu filho  o Zé do Bejo, atual líder do Reisado de d. Bejo  que as pessoas que assistem e participam  sempre acham muito engraçado e bonito. No início tinha o violão, e trocamos pelo sanfoneiro que está há muitos anos com a gente. As cabeceiras somos nós dois, eu e minha mulher,  estamos lutando para manter. Sou o Caboclo e quando falta uma peça  a gente  improvisa. Estamos à frente do Reisado e a dificuldade atual é reunir as Figuras, que são as mulheres dançarinas e os Galantes  que compõem do Reisado. Os jovens hoje em dia não se interessam pela tradição."

Já o Reisado de d. Morena na localidade de Pocobatiba (Tapera) pode ter seus dias contados, se alguma providência da Secretaria da Cultura e de políticos da região não tomarem a iniciativa para salvar. A d. Morena falou das muitas dificuldades e entre uma fala e outra cantava : "Ana vamos vadiar. Eu não vou lá. Tanto tempo que aqui já chegamos, Tanto tempo que aqui já chegamos / Cadê o dinheiro que nós já ganhamos / Cadê o dinheiro que nós já ganhamos. E continua  Dono da casa eu quero água / Dono da casa eu quero água/ Ei Santo Antônio me chamou / Eu vou louvar. Dono da Casa eu quero água ", ai começava o sambinha sob o som do pandeiro, violão e da sanfona.
Foto 1. D. Mariana Pereira dos Santos ( d. Morena)
Foto 2. Zé de Carlos, filho de d. Nenê da Morena.
Foto 3. D. Lúcia Militão, a d. Nenê da Morena.
A d. Lúcia Militão de Santana, a Nenê da Morena, tem 60 anos de idade e está com problemas de saúde. Ela brinca o Reisado desde os sete anos de idade, "venho acompanhando esta tradição desde criança, e a última vez que saímos foi antes da pandemia. Nos apresentamos aqui na Tapera. Ao nosso Reisado nunca demos um nome. Só fomos procurado uma única vez. Já dançamos em Ribeira do Pombal, em Cipó e aqui na Tapera. A gente quase não tem  apoio. Só uma vez quando o senhor Oswaldo Rocha esteve aqui e organizamos tudo. Sempre enfrentamos dificuldades. Nas apresentações nas casas a gente leva uns raminhos cheirosos e as pessoas dão pequenas contribuições. Com isto compramos papéis e outros materiais para se enfeitar e sair novamente."

"A gente chega na casa e bate na porta : Bendito louvado seja o Menino Deus nascido. Que no ventre de Maria nove meses foi escondido. "  A folhinha do pau cai e a galha fica bulindo . A folhinha do pau cai e a galha fica bulindo. A sabiá da ramagem  faz o seu ninho. Senhor dono da casa acorde se está dormindo." E volta a se lamentar da dificuldade de arregimentar pessoas para participar do Reisado. "Hoje não temos pessoas para serem Figurantes e Galantes. Este pessoal novo não quer participar e alguns sentem acanhados ou com vergonha. Dessa meninada nova ,ninguém dança . "

Quem levou o Reisado  para a localidade de Pocobatiba foi Zé Miudo e Antônio Caetano, eram pessoas mais velhas, e o Nininho da Cabocla que levava todos do Reisado para dançar em vários lugares como Olho Dágua e nas roças dos amigos . Não tinha fotos e filmes e nunca foi filmado. "Só depois que Marcelo Silva viu a gente e fez o registro. Os reisados antigos desapareceram : Reisado do Nininho da Dodó e de Reisado de Zé Miudo e só resta aqui o Reisado da Morena, que enfrenta dificuldades. "Os antigos estão doentes e velhos e não aguentam mais dançar", confessa d. Nenê da Morena. 

Com o falecimento de d. Morena, e o assassinato do Zé de Nenê de d. Morena, que era o Caboclo piorou tudo. "Esta tragédia enfraqueceu mais ainda a minha função. Ele fazia o Casamento do Tabaréu e eu faia O Judas e o Reisado. Sempre estava presente fazendo e providenciando as coisas comigo. Sem ele eu perdi as forças". A d. Nenê anda triste depois do  falecimento de José Carlos Santana de Jesus, o seu filho que tinha apenas 40 anos. Mataram no bar ele estava sentado quando um criminoso atirou num desafeto  e uma bala perdida  pegou nele. Ele gostava de fumar e beber uma cachacinha, e estava sentado numa cadeira na calçada do bar quando foi atingido.

Luciana, a Nambuzinh
do Reisado de d. Morena.
A d. Nenê de Morena diz que " fazia  também o Forró dos Coroas. No último Sábado da Aleluia fizemos um e dançamos até o araiar do dia. Foi muito animado, foi em Zezito, na Codema ". Ela é uma espécie de animadora cultural. "Se Deus me der vida vou fazer na Virada do Ano.  Sempre fazia em São Pedro quando comemoro o meu aniversário. Eu sempre fui a d. Deusa e meu filho era o Caboclo, no Reisado".

E as três Marias da aldeia dos caboclos E as três Marias da aldeia dos caboclos. Senhora Dona do Baile, Senhora Dona do Baile vim lhe pedir um favor, vim lhe pedir um favor. Isto canta na hora de matar o boi. A Figurante Luciana Santana Santos, 27 anos, sempre gostou de participar " por ser uma tradição e me divertia muito junto com a Nenê . Eu era a Nambuzinha . Em seguida passou a cantar : Nambuzinha quer ser freira? Não senhor quero é casar. Nambuzinha quer ser freira? Não senhor quero é casar. Tenho o dia pra o descanso e a noite pra namorar. Oh sindô lelê. Oh sindô lalá. Esta barquinha vai embora lá pra cima do Pará. Esta barquinha vai embora lá pra cima do Pará. Para o ano se Deus quiser e a morte não me matar Oh sindô lelê. Oh sindô lalá.E cantou outra toada : O mês de janeiro, é o mês da trovoada .Sabiá puxa ramagem para fazer o seu
ninho. Devagarinho vou puxando o meu caderno. A mocinha moderna me parece um passarinho. Eu chego lá faço uma casa de sapé...Adeus  caboclo vamos embora para nossa terra, vamo-nos embora.... 

O Reisado da Pedra, era dirigido por Elias Brasil que começou em 1987. Quem fundou foram Antônio Fonseca, seu filho Manoel Fonseca (Mané de Toinho), Zuza, João Bota, (falecido há mais de 70 anos), e agora continuam João de Etelvina, Vandinho de Pedrinho Tomé, João Quixabeira, Ana de Carmelita e Nininho Nascimento. Elias está  com um problema de saúde e não  dança mais. Dirigiu o Reisado da Pedra até 2016, e agora eles estão tocando. "Me deram um sequestro, e só não apresentaram durante a pandemia, mas continuo participando do grupo. Na última apresentação  a Edelzuita ,que é uma das principais peças do Reisado ,não participou porque houve uma briga aqui e mataram o filho dela." Ao lado temos: Foto 1 - Vemos uma apresentação do Reisado da Pedra . Foto 2 - Elias Brasil. Foto 3 e 4 São duas Figurantes d. Edezuita de Zé de Cirilo e d. Maria de Domingos  do Reisado da Pedra.

                  ORIGEM DO REISADO

Alguns integrantes do atual Reisado de d. Bejo
A manifestação popular de origem católica chamada de Folia de Reis, Companhia de Reis, Festa dos Santos Reis, e aqui em Ribeira do Pombal conhecido por Reisado é uma comemoração religiosa da Epifania do Senhor ou Teofonia que nada mais é do que celebrar a Adoração dos Magos ao nascimento de Jesus Cristo. Veio de Portugal onde é chamado de Reisada ou Reiseiros. 

A Wikipedia informa que  a "denominação fala dos festejos entre o Natal e o Dia de Reis e 6 de janeiro . Como os autos sacros, com motivos sagrados da história de Cristo (...) no Brasil, sem especificação maior, refere-se sempre aos ranchos, ternos, grupos que festejam o Natal e Reis" na definição do folclorista Câmara Cascudo, que completa: "o Reisado pode ser apenas a cantoria como também possuir enredo ou série de pequeninos atos encadeados ou não".

"Nestes festejos existem elementos musicais com a presença de vários instrumentos (desde acordeons, violões, violas, cavaquinhos, reco-reco, caixas, pandeiros, etc.) em que os participantes do reisado visitam as casas de porta em porta com sua cantoria, lembrando a viagem dos Reis Magos para levar ao Menino Jesus seus presentes de ouro, incenso e mirra. Esta manifestação revela a combinação de duas figuras da teologia a epifania (como sendo a aparição ou manifestação divina, no caso a primeira manifestação de Jesus entre os gentios) e a hierofania (manifestação do sagrado em objetos, formas naturais ou pessoas); reúne, assim, elementos sagrados e profanos."

O Reisado é de origem egípcia considerada uma festividade profano religiosa. No Egito era chamada de Festa do Sol Invencível, comemorada em 6 de janeiro. Na Europa foi adotada, inicialmente, pelos romanos em 25 de dezembro (data em que nasceu Jesus Cristo, segundo os cristãos). Instalou-se em Sergipe no período colonial, através dos portugueses.  Atualmente, é dançado em qualquer época do ano e os temas de seu enredo, variam de acordo com o local e a época em que são encenados, podem ser: amor, guerra , religião, entre outros.

Cristina, Figurante do Reisado de
D. Morena conhecida por Gure.
Sua comemoração começa à véspera do Dia de Santos Reis. No período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, grupos formados por músicos, cantores e dançarinos  vão de porta em porta, anunciando, a chegada do Messias  e fazendo louvações aos donos das casas.

Lembro que meu pai tinha um caminhão Chevrolet .Eu era criança e subimos na carroceria, juntamente com várias outras crianças e adultos da vizinhança e fomos para o Salgadinho acompanhar um Reisado, que se não me engano, tinha vindo da localidade do Bodó. Saímos à noite em  direção ao Salgadinho e ao chegarmos descemos do caminhão, e nos aglomeramos em frente da casa do meu avô Yoyô, que não era muito de folguedos. O Caboclo bateu insistentemente na porta da casa, mas meu avô não abria a porta. Os Figurantes e Galantes cantavam e nada. Depois de algum tempo resolvemos ir em direção à casa de tia Julieta, que morava naquela época no Salgadinho. Como era noite,  muitos nós não enxergamos no caminho uns pés de cansanção, que é uma espécie de urtiga, e ficamos com as pernas e pés cheios de caroços e coçando muito. Finalmente, a porta foi aberta e o Reisado pode se apresentar e cantar até o dia raiá.

                                     HOMENAGEM DO CORAL

Os membros do Coral paramentados  para o Reisado em
homenagem a d. Bejo.
A professora Aurezi Ribeiro uma das integrantes do coral  disse que "é necessário viver a História para que não esqueçamos quem somos". Daí a importância deste coral que homenageou a líder d. Beja falecida recentemente.  Ela disse que tem lembrança de ainda criança assisti na pracinha do povoado da Boca da Mata a apresentação de  um reisado em companhia de seus pais. Nos eventos da Cultureira que ocorre no mês de setembro o então Secretário de Cultura, Osvaldo Rocha sempre apresentou o Reisado de Maria do Bejo ) Bejo se refere ao esposo dela Benjamim e não ao ato de beijar) uma senhora do campo, dotada de uma sabedoria, moradora da Fazenda Alexandrino no Povoado da Feira da Serra. Ela dançava o Reisado com os filhos , genros  e filhas , genros e noras e netos, "conta Auzeri Ribeiro. 

Disse ainda que um dia "em sua modesta casa ela fez uma encenação do Reisado e  minha irmã Adenalva filmou tudo, enquanto eu tomava nota das coisas. Infelizmente perdemos esta filmagem. Mas, quando lecionava na Escola Sílvia |Brito tivemos a oportunidade de organizar com os alunos o Coral Cantando com Amigos cujo idealizador foi o Antônio Viana, proprietário da Auto Peças Viana. Ele juntou um grupo de amigos de chamada terceira idade  e nos apresentamos nas praças Getúlio Vargas e da Juventude, no Dia dos Pais e no Natal. Depois surgiu a ideia de aprendermos as toadas do Reisado para apresentar na Cultureira, nas escolas, e nos povoados, e no dia 6 de janeiro , Dias de \Reis, encerramos com um desfile pelas ruas de Ribeira do Pombal".

O Reisado da Pedra se apresentando.
Ela lembra que o Reisado que apresentam é assim constituído: pela Chegança numa casa cantando :OH de casa! oh de casa!/ Oh de fora! Oh de fora! Em seguida vem a apresentação da Figuras  e Galantes que tê nomes de animais e plantas. A Dona do \baile era a d. Bejo, em seguida vem o Papagaio, o Pinicapau ( Pica-pau) o Tomateiro, o Cajueiro, a Moreninha , a Lavadeira e a Derradeira. Todos focam sapateando sob o comando do Caboco ( Caboclo) que normalmente usa um apito e uma vareta. 

A Dona do Baile anuncia a Hora do Raminho, que antigamente era um raminho de alecrim ou outra planta cheirosa retirada da caatinga e oferece às pessoas queridas , enquanto canta algumas toadas. "Quem me dera eu vê hoje / A dona desse Reisado/ Lá do Céu ela tá vendo Olê! Olá/Todo nosso sapateado/ eu só sinto, mas não vejo/a quem devo gratidão/ Eu vou oferecer meu ramo Olê Olá./ A |Maria de Bejo de coração.Vem a parte do Boi que é iniciada com uma cantiga ou toada para o Boi entrar na casa. Mas, de repente vem um Gato e mata o Boi, e as figuras ficam questionando como este Gato apareceu. Já que o Boi morreu, a Dona do Baile vai ofertando as partes e oferecendo aos presentes, enquanto as Figuras cantam: Valha-me Deus ! /  Janeiro morreu!". Porém, inesperadamente o Boi ressurge canta o seu lamento e desaparece. 

Eis que surge o Jaraguá que entra cantando e já vai pedindo dinheiro para a plateia para garantir a sobrevivência do Reisado. Depois vem  o personagem do Véio ( Velho) querendo casar . Ele vaga entre as Figurantes que riem e debocham do Véio. Finalmente a Derradeira aceita a proposta de casamento e eles trocam versos de amor. Chega o momento que até a Derradeira fica arrependida,  e então o Caboco (Caboclo) que estava enciumado troca insultos com o Véio. Logo em seguida as Figuras cantam o Lamento do Caboco que cai estendido no chão.

Vem a Dança das Fitas , que o Coral introduziu, mas que tradicionalmente não faz parte do Reisado de Maria do Bejo. Conta Auzeri Ribeiro que já foi ai " uma intervenção do Coral . Consta das Figuras em círculo e um mastro com as fitas no meio. Cada Figura vai circulando passando a fita de uma para outra e cantando versos. "Finalmente, tem a Despedida quando a Dona do Baile convida : "Minhas Figuras vamo-nos embora / Despedida é hoje , todo mundo chora! Depois convida alguns presentes a participar e forma-se um grande círculo .

Osvaldo Rocha, vem
apoiando o Reisado.
Para o Osvaldo Rocha, Diretor de Cultura de Ribeira do Pombal ,"o Reisado é uma das fortes tradições do folclore brasileiro e no Nordeste mais forte ainda. Aqui em Ribeira do Pombal temos três Reisados importantes   que se apresentam no Dia de Reis e em outros eventos que é o de Pocobatiba, localidade próxima ao povoado de Tapera, o Reisado da Pedra, que tem forte influência europeia especialmente dos portugueses e o Reisado do Alexandrino, que é talvez o mais tradicional com mais de cem anos de atuação, passando de geração para geração. Chamo sempre atenção para d. Maria de Bejo que era uma artista popular, uma folclorista. Hoje a família dela leva o Reisado e o Prêmio Aldir Blanc tem o nome dela aqui em nossa terra. Ele concluiu dizendo que tem trabalhado para que essas manifestações culturais permaneçam sempre vivas em nossa Cidade."
NR- Quero agradecer ao meu parceiro Hamilton Rodrigues que teve de se deslocar para as localidades de Pocobatiba ( Tapera)  e Alexandrino em busca de material para que pudesse escrever este texto, e deixar aqui registrado para a posteridade, a história desses grupos de Reisado da zona rural de nosso município.