Objetivo


quarta-feira, 28 de março de 2012

MEDICINA - NEUROPSIQUIATRIA INFANTIL ALERTA PARA O CARINHO E

REVISTA PAIS E FILHOS

OUTUBRO DE 1979

Convidados do V Congresso de Neuropsiquiatria Infantil, realizado em Salvador durante o mês passo\ado, os professores Julian Ajuriguerra e Luís Barraquer Bordas, dois dos mais importantes nomes na área, estiveram reunidos com mais de 600 especialistas de todo o mundo, no recém-inaugurado Centro de Convenções da Bahia.

Basco, o primeiro, e catalão, o segundo, eles foram certamente as granes estrelas do encontro, inclusive por seu passado de oposição política e de lutas pela independência das regiões onde nasceram. Não é sem razão, portanto, que a visão científica desses dois professores dá especial importância à liberdade na formação e no desenvolvimento da personalidade.

“Ä criança deve ter liberdade: sua natureza ativa e criativa leva-a muitas vezes a realizar coisas que o adulto não compreende, acabando por reprimir justamente o fruto dessa criatividade. Isso não quer dizer que a liberdade seja total ou que não seja importante obedecer a certas normas. Mesmo porque o homem é um ser social por excelência”, explica o professor Ajuriaguerra.



O primeiro filho



Com quase 50 obras publicadas em vários idiomas, exclusivamente sobre neuropsiquiatria infantil, Julian Ajuriguerra tem a criança como tema principal

de seus estudos científicos. Em trabalho que vem realizando junto a maternidade e creches em Paris, onde reside, fez importantes observações sobre o comportamento materno com o bebê, depois do primeiro parto e seus reflexos sobre o desenvolvimento dessas crianças.

“De um modo geral, a mulher que dá luz pela primeira vez não sabe lidar com os filhos e em 60% dos casos são menos carinhosas e responsáveis até mesmo do que as chimpanzés das montanhas. Isso mostra como elas estão despreparadas para a maternidade, muitas vezes uma condição que lhes é imposta pela sociedade e pelo homem.

A importância do contato íntimo entre mãe e o bebê é ressaltada pelo cientista basco ao explicar que enquanto o adulto tem seus modelos, seus códigos de linguagem, seu passado, a criança tem essencialmente um potencial a desenvolver. Cabe à mãe ou a quem lida com ela decodificar, desde o nascimento, os signos que ela exprime e dar-lhes um significado.

“Se não existir esse intercâmbio, o potencial que está inscrito nela não chegará a se desenvolver. Mas, se houver um relacionamento adequado, com apenas uma semana de vidam o bebê já conhece sua mãe. Em geral, a primípara se mostra muito angustiada, achando que não vai saber lidar com seu filho. Devo dizer, nesse caso que o melhor a fazer é adotar uma posição antiangústia para que as relações com o bebê aconteçam num clima de amor e, também , confiar na intuição, como uma capacidade natural da mãe reconhecer os desejos e as necessidades de seu filho”.

Estudioso das razões que levam as crianças a distúrbios neuropsiquiátricos, o Dr. Ajuriaguerra não credita ao meio social ou econômico a possibilidade de um ajustamento, “porque o rico não tem o monopólio do carinho, do amor. Muitas vezes, em famílias mais pobres, encontramos muito mais amor, solidariedade humana e carinho, enquanto nas camadas altas é comum a mulher ter pouco contato com o filho”.

Um cientista de Catalunha

Professor Catedrático de Neurologia da Faculdade de Medicina de Barcelona – capital da província de Catalunha – o professor Luís Barraquer Bordas é considerado um dos maiores neurologistas do mundo. De uma família tradicional de professores, médicos e políticos, Barraquer elogia o Rei Juan Carlos por ter dado recentemente a autonomia administrativa com que tanto sonhava o povo de sua terra, as deseja a independência da região.

Autor de um importante tratado de Neurologia Fundamental, o livro de cabeceira para todos os estudiosos do assunto, o professor Barraquer pronunciou em Salvador uma conferência sobre Transtornos da Fala e Linguagem nas Crianças.



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