Objetivo


quinta-feira, 8 de março de 2012

LEONEL MATTOS - EVOLUÇÃO EM TRES LINGUAGENS

   ARTES VISUAIS                                                    

Todos conhecemos a inquietação e a criatividade do artista Leonel Matos, este baiano de Coaraci, que se fixou na Cidade Baixa, exatamente no bairro da Boa Viagem e, de lá vem alçando seus vôos acompanhado de suas aves repletas de significação.
Estive visitando a sua exposição no Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal e pude constatar a evolução da obra do artista. Ele não tem receio de utilizar qualquer tipo de material do mais simples ao mais complexo e díspare. Lança mão do que está ao seu alcance e vai criando na sua trajetória imprevisível. Assim, nos presenteia com obras de arte de qualidade, as quais podem ser mostradas nos mais modernos e exigentes espaços do mundo.
Tem um olhar diferenciado de nós mortais. Vê e transforma o que não vemos. Enxerga o invisível e realiza o seu trabalho para o deleite de nossos olhos e nos instiga a pensar.
Encontrei, na visita que fiz a exposição, o artista e psicanalista Cesar Romero, que é um dos grandes nomes da nossa arte atual, além de escrever sobre arte. Lá conversamos sobre Leonel Matos e fiquei observando Cesar analisando tres objetos que ele criou utilizando rolos de papel higiêncico para se expressar.Os objetos nasceram basicamente de sua discordância do local onde colocaram sua exposição.
Porém, como lembrou Cesar inconscientemente Leonel expressa o que Freud observou em nós míseros seres humanos que a nossa primeira produção são os excrementos. E, lá está em sua obra o papel higiêncico fabricado com sua finalidade óbvia. Mas, aqui Leonel Matos lhe dá uma sobrevida digna e instigante.
É até difícil e talvez alguns vejam fora de lugar falar nesta funcionalidade orgânica de nós humanos, quando estamos olhando para a leveza e grandeza da obra de arte.
Também tem objetos feitos de resina e me sensibilizou muito o intitulado  "Símbolo Urbano"(foto). Merece estar num lobby de um desses prédios modernos, que ora se constrói em Salvador ou mesmo no acervo de um dos museus locais, pela sua expressividade .Certamente com o decorrer dos anos as pessoas vão lembrar de quem os criou.
Já os desenhos têm uma marca reconhecida de longe por todos que gostam de arte nesta cidade. Esta icnografia tem mil soluções e formas de serem apresentadas. Têm uma leveza impressionante.No primeiro momento contrasta com esta inquietação de Leonel, pensador rápido que atropela o seu fazer, e exige do espectador atenção redobrada para acompanhar o seu raciocínio.Traços finos, coordenados dão leveza  a esses objetos que me dão a impressão de almejarem sair daqueles espaços limitados e ganhar o universo.
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