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segunda-feira, 26 de março de 2012

RELIGIÃO - UMA BOLA DE FOGO PERSEGUE FAMÍLIA

Revista Fatos Fotos/Gente 22 de setembro de 1980

Foto Arestides Batista

O ajudante de caminhão Maximino Nunes dos Santos, residente na localidade de Balalé, município de Catu, no interior da Bahia, afirma estar vivendo momentos de dificuldades com sua mulher de 12 filhos, depois que o diabo em forma de fogo passou a persegui-lo provocando mais de uma dezena de incêndios em suas vestes e na sua humilde casa.

Na foto eles mostram a rede queimada pela bola de fogo

Conta Maximino que há uns quinze dias ninguém de sua família dorme em cama ou mesmo perto de panos, porque de repente tudo começa a queimar. “Quando a gente nem espera começa a sentir cheiro de pano queimando, e quando nos aproximamos para tentar apagar, as labaredas aumentam e viram-se contra nós. Parece que o fogo quer queimar a gente. Isso é coisa dele, se não fosse já teríamos nos livrado com os ofícios, ladainhas e mesmo latas de água que jogamos o fogo aparece.”
Ao lado de Maximino, que tem 51 anos, sua esposa, grávida, chora nervosa quando surge um desconhecido e sempre indaga o que deve fazer para livrar-se do estranho fogo.
Existem várias versões para a origem do fogo. Antônio dos Santos, velho funcionário da Prefeitura de Catu, revelou ter funcionado, no local onde está hoje a sua casa de Maximino, um terreiro de nagôs. “Eles inclusive faziam trabalhos embaixo das duas grandes jaqueiras existentes no terreiro.”
Muitos acreditam que o fogo tem se propagado, com certa facilidade, porque Maximino tem dois filhos que são mecânicos de automóvel e quase sempre chegam com as roupas sujas de gasolina e óleo. Outros asseguram que “é coisa feita” ou “coisa do diabo”.
Maximino está pedindo a todos que o visitam que peçam a um padre para benzer a sua casa. “Deus é mais forte e vai acabar com tudo isso”, fala esperançoso, e mostra uma queimadura na perna, provocada por um colchão que pegou fogo, enquanto um de seus filhos dormia; ao socorrê-lo, ele foi atingido pelas chamas.
Enquanto o padre não aparece, a família Nunes dos Santos abandonou praticamente a casinha, passando a morar debaixo das duas jaqueiras existentes no terreno. Maximino não consegue um só instante esquecer dos avisos que ele (o diabo) tem dado antes do fogo começar. Lembra que até na comida já houve interferência maléfica.
“Na semana passada, depois que minha mulher colocou o feijão para cozinhar, sentimos um forte cheiro de enxofre. Ficamos apavorados! Procuramos em vários locais, até que, ao chegarmos na cozinha, o cheiro estava mais forte, e quando examinamos a panela, encontramos uma pedra de enxofre com mais de um quilo de peso.”
Amedrontado, evitando falar o nome de Satanás, Maximino já teve quase toda a sua mobília destruída pelo estranho fogo que persegue a família. Há mais de quinze dias sem trabalhar, ele lembra a toda hora que tudo é por causa dele, e só espera que Deus “venha de uma vez acabar com este sofrimento, que ninguém mais aguenta. Minha mulher está grávida e sem dormir há vários dias”.
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