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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A ARTE ERÓTICA DE MASO VAI SER EXPOSTA NO RIO - 22 DE JUNHO DE 1987

JORNAL A TARDE SEGUNDA-FEIRA, 22 DE JUNHO DE 1987.

A ARTE ERÓTICA DE MASO VAI SER EXPOSTA NO RIO


Está havendo um mercado cada vez maior para a arte erótica. Já existe no Rio de Janeiro uma galeria especializada, que é Erótica, situada no Art Cent Itanhangá, Estrada da BR, 1636, loja C. É exatamente aí que o artista paulista, radicado na Bahia há vários anos vai expor a partir de amanhã. O artista trabalha com fotos de modelos e depois transporta para a tela. Cuidadoso, verdadeiro nos detalhes, e depois ele vê  todo local do corpo da imagem  e escolhe lançar pequeninas figuras  e outras vezes umas gotas, tatuagens ou até mesmo pequenas lágrimas que surgem no canto do olho. Maso consegue bons efeitos de luz e sombra, o que na verdade, é o grande trunfo do bom fotógrafo. Ele procura também fotografar suas modelos em posições que permitem cortes os quais resultam em telas com muita estética, leveza e equilíbrio, e um erotismo suave e intrigante. Nosso amigo comum, psiquiatra Ricardo Chequeer diz que se chamássemos seus trabalhos de hiper-realistas estaríamos sendo absolutamente pobres em nossa desumana secura. “Maso é metal-real, antes de ser concreto”.
Concordo com ele e nunca canso de lembrar que certa vez Maso me procurou na redação com alguns trabalhos e os colegas confundiram suas telas com fotografias, tal a perfeição das figuras.
Diz ainda Ricardo que “em pleno século XIX, Oscar Wilde afirmava que o homem do nosso tempo teme o realismo assim como Calibã temia contemplar sua própria face no espelho .
A assertiva lapidar de Wilde é atemporal. Vale para, inclusive, aqui e agora. Os nus de Maso desnudam a própria polpa da condição Mulher. O âmago da verdade contido nos corpos é por ele assim mastigado, engolido e por fim transfigurado num fortíssimo de explosão vital.
São as entranhas da loucura e da carne o que Maso nos oferece em banquetes: as curvas quase entortando a tessitura do espaço-tempo, a linha que fulgura perseguindo as curvas, o olho e as carnes do observador volteando junto aos caos em vertiginosa queda livre. Isto são as fêmeas de Maso, ou melhor a Mulher atemporal atrás do volume-Mulher emergindo das janelas que o pintor recorta na parede branca.
Toda a luz vinda do fundo não está na tela, porém no mais ocultado sem-fim do inconsciente. Maso espouca e brota parido da sombra, da Mãe-Terra ancestral e perdida que reside no cerne de todos os ventres, na penugem do eu e do nada, que flutua no abismo de todas as solidões”.

CARLOS BARBOSA COMEMORA SEUS 20 ANOS DE DEDICAÇÃO À ARTE

Uma homenagem justa será prestada pelos feirenses ao artista Carlo Barbosa. A última vez que o encontrei estava desmontando sua exposição no Museu de Arte da Bahia.
Notei que o artista andava meio aborrecido, e com razão; queixava-se da falta de interesse de algumas pessoas. Sua reação era fruto exatamente do contraste de sua experiência vivida no Sul, onde realmente o interesse é maior, o tratamento melhor e outros elementos que gratificam o artista. Agora, vejo com alegria e disposição de seus conterrâneos, tendo à frente o jornalista Antônio José Larangeiras, e outras pessoas de destaque da sociedade feirense, colocando as coisas nos seus devidos lugares. A arte de Carlo Barbosa merece ser vista com muita atenção. Ele é um artista que foge do tradicional, que rompe com a figuração em busca de expressões que explodem em emoção. Cada pequeno traço, cada mancha que surge nos levam a momentos de poesia.
Carlo é um poeta que escreve com as cores.Cores que se misturam; se multiplicam, explodem e se esmaecem. Ao pegar no pincel, sinto a presença de um maestro com uma batuta a reger uma orquestra de variados instrumentos, acompanhado por um coral afinadíssimo. Sua obra é um festival de cores que formam um conjunto harmonioso.
A exposição será no Museu Regional de Feira de Santana, que vai abrir seu espaço a mostra Síntese- 20 anos de arte- Carlo Barbosa, no período de 3 a 10 de julho. É um dos artistas plásticos feirenses mais reconhecidos no Brasil, principalmente no eixo Rio/São Paulo, e no exterior, lugares onde é mais promovido e seus esforços têm boa resposta. Ele está de volta a Feira de Santana numa reintegração ás suas origens, vivendo a questão de todas as contradições contemporâneas.
Ao lado o artista Carlo Babosa retocando um novo trabalho em seu atelier.
Mesmo tolhido de enriquecer o patrimônio artístico de sua terra, pelas injunções, pelos boicotes, pelas barreiras que encontra desde que voltou, Carlo Barbosa está disposto a dar sua contribuição para a cidade natal. Contribuição na forma de um painel vertical, de 2,40 x1,50, denominado O Flagelo de Lucas, onde procura resgatar a memória de Feira e sendo uma resposta a todas as posturas de poder. Documentando o tempo de Lucas, Carlo Barbosa, o próprio Lucas interpretado na tela, acredita que a violência de hoje seria a mesma de ontem.
Sem custo definido, a obra tem endereço para o Salão Nobre da Prefeitura Municipal; para a Câmara de Vereadores; para o futuro Centro Administrativo ou para o Museu Regional, devendo para tanto ser adquirida pelo município. Esses são locais onde o público poderá apreciar toda a criatividade de um artista preocupado em documentar a memória de uma cidade sem memória.
Foi o crítico de arte Flávio de Aquino, que morreu em Janeiro passado, quem disse na revista Manchete, em 1983: “Carlo Barbosa promete ser um dos bons artistas brasileiros desse final de século se não cair numa literatura pictórica desnecessária”. Para Wilson Rocha, a pintura de Carlo Barbosa “vem de um percurso íntegro e sólido, avançando por caminhos límpidos, adensando as próprias tensões interiores de energia espacial e cromática, definindo-se como imagem de uma concepção e construção quase laboratorial de pintura”.
Carlo Barbosa é um artista que reavalia constantemente seu trabalho, e prossegue confiando na lição criadora e no profissionalismo. Assim, reflete no singular vocabulário plástico de sua obra, “uma percepção universal”.
Nos quase 100 trabalhos que serão mostrados nos quatro salões do Museu Regional que este ano completou 20 anos, todas as faces do artista, com trabalhos cuidadosamente escolhidos em seu acervo em coleções particulares que serão arrumados em seqüência que ofereça uma leitura de sua trajetória desde 1965, quando expôs no Salão Nobre da Prefeitura Municipal.
No Museu Regional, palco desta mostra praticamente didática, Carlo já se apresentou em 1966, coletiva, e em 1970 e 1982, individuais. Suas mais recentes aparições em sua cidade foi no ano passado: em setembro, Síntese da Arte Feirense, no Clube de Campo Cajueiro, e em dezembro, Exposição de inauguração da Galeria de Arte Raimundo de Oliveira. Quem ainda não tem Carlo Barbosa em seu patrimônio artístico terá oportunidade de adquirir seus trabalhos recentes, de aprimorada técnica, onde ele cria buscando afirmação na descoberta de novos frutos.
Para esta mostra ser possível foi preciso o apoio cultural de empresas como Rodoleste, Banco Econômico, Ottan Center, Nossa Papelaria, Artes Gráficas, Drogafarma e Sindicato Rural de Feira de Santana.
Algumas exposições individuais que realizou:
1965- Salão Nobre da Prefeitura Municipal; em 1969- Faculdade Estadual de Educação; em 1970-Museu Regional de Feira de Santana; em 1972 e 1973- Real Galeria de Arte-RJ; em 1974- Galeria Bahiarte- Londrina PR; em 1975- Galeria Ponto de Arte- Rio de Janeiro/RJ, exposição documentada em curta-metragem pela Atlântida: em 1976- Galeria O Cavalete-Ba; em 1977- Galeria Eucatexpo- DF; em 1978- Galeria Borghese-RJ; em 1980- Galeria Sérgio Milliet-MEC/Funarte/INAP- Rio de Janeiro/RJ-Universidade Federal de Santa Catarina- Projeto Arco-Íris Florianópolis-SC; em 1982-Museu Regional de Feira de Santana-BA- Museu de Arte Moderna da Bahia; em 1983- Galeria Charting-RJ; e em 1986- 20 Anos de Pintura- Museu de Arte da Bahia.

MARCOS BUARQUE PREPARA MOSTRA DE 15 TRABALHOS

Vontade é um trunfo importante para quem está começando. No entanto é preciso ainda uma dose muito forte de persistência, de tenacidade, de decisão para vencer em qualquer atividade profissional. No caso da profissão de artista plástico é preciso muito mais. O artista que começa, tem que enfrentar muitas dificuldades.
Tem de batalhar espaços nos jornais, convencer donos de galerias, caçar patrocinadores e dispor de tempo e dinheiro para continuar pintando.

Se não tiver ajuda de alguém as coisas tendem a piorar. Mas, estamos aqui para dar força aos que estão iniciando. É o caso de Marques Buarque, de 23 anos de idade, que está preparando sua primeira individual. Já participou de algumas exposições, porém, só recentemente decidiu que deseja ser pintor. Sua mostra será no Itaigara, exatamente no dia 15 de novembro. Alguns porém, à primeira vista, achar que está muito longe para falar de sua exposição. Respondo que não está. Esta nota serve de incentivo para que Marcos capriche mais ainda nos seus trabalhos. É interessante que ele pinte muito mais que possa fazer uma escolha dos melhores para expô-los. Ele pretende mostrar 15 trabalhos, todos com forte tendência abstracionista. Dos que me apresentou gostei deste da foto, onde mistura elementos geométricos com fortes pinceladas abstratas. Tanto pelo conjunto dos elementos que os integram, como, também, pelo equilíbrio das cores e formas. Nos outros, Marcos jogou a sua espontaneidade, e evidentemente, deixou transparecer não ingenuidade, mas alguma falta de experiência. Isto só tende a desaparecer á medida que o artista trabalhe mais. Chamo sua atenção para Os elogios gratuitos ou mesmo as críticas perversas, porque ambas só servem para destruir e confundir aqueles que iniciam uma carreira profissional. Ele é comerciário e sempre que tem um tempo disponível está diante de uma tela jogando com suas cores e formas.

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