Objetivo


sexta-feira, 29 de abril de 2016

CAPOEIRA PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

Um dos símbolos da resistência dos negros em nosso país a capoeira vem através dos anos ganhando espaço nas escolas, nas academias e, principalmente, sendo estudada como esporte e  luta libertária. Agora, vem a sua coroação com o reconhecimento pela Unesco, que decidiu em sua 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, dar-lhe o título de Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade. 
É uma pena que os mestres Bimba,Pastinha, Canjiquinha e outros ,que já partiram não estejam aqui para ver a capoeira, que era o que os motivava a viver, assistir a coroação de um trabalho levado por anos a fio com garra,pureza e acima de tudo com o suor que derramaram para ensinar seus alunos a gingar e enfrentar a vida. 
A grande maioria de seus alunos era originários das classes menos favorecidas, vindos exatamente dos locais onde moravam. Bimba morou muitos anos no Nordeste de Amaralina, Pastinha num quarto fétido no Pelourinho e Canjiquinha, não sei exatamente qual o bairro da periferia onde ele residia. Sei que eram homens pobres ,os quais passaram suas vidas encantando e entoando seus cânticos de uma guerra santa.
Mestre Bimba e ao lado o  mestre Pastinha,
dois grandes nomes da cultura brasileira.
Tenho uma ligação muito afetiva com a capoeira. Por alguns anos frequentei a academia do mestre Bimba que funciona no Maciel. Na época o Maciel era um local de acesso perigoso porque era frequentado por prostitutas de muito baixo nível e malandros. O hoje cantado centro Histórico, onde fica o Maciel era um local degradado e perigoso. Mas, quando os alunos de Bimba passavam ninguém ousava atacar .Nas poucas vezes que atacaram um aluno, contavam os mais antigos ,eu mesmo nunca presenciei, descia um grupo de alunos mais experientes e resolviam o problema...
Lembro que Bimba era um negro forte, que andava balançando de um lado para outro, como um velho saveiro nas ondas do mar. Gostava de rodas de capoeira quentes com os alunos partindo pra cima.Nada de um gingado pra lá e pra cá ou correndo de lado. Não.O pessoal da roda batia palmas e a luta começava até ele decidir parar.
Criticava-se muito a capoeira de Angola que era jogada pelo saudoso mestre Pastinha porque tinha segundo o pessoal da Capoeira Regional, praticada por Bimba, "muita firula".Existia na realidade uma divergência saudável entre os mestres, cada um com seu método, já que Bimba introduziu golpes de algumas lutas marciais na Regional.
O preconceito ainda existe e vai continuar. Está muito arraigado que a capoeira era uma luta praticada por negros e malandros ,que frequentavam os cabarés e outros locais considerados marginais. Certamente, com este reconhecimento vai melhorar um pouco este preconceito. Porém, para Manoel nascimento,53 anos, o mestre Nenel, filho de Bimba mesmo depois do reconhecimento anterior como patrimônio cultural não aconteceu mudanças. Nenel dirige o projeto social Capoererê, da Fundação mestre Bimba que tem mais de cem alunos inscritos.
Na época os alunos Vermelho, Itapoan e Acordeon eram os mais comentados nas rodas de capoeira . Atualmente levam avante a capoeira Regional com mais uma porção de abnegados, aos quais presto aqui a minha homenagem, como um aluno mediano que fui ,mas, um amante eterno da capoeira.
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