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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CIDADE DE SALVADOR - OPERÁRIOS LOCALIZAM RUÍNAS DO COLÉGIO DOS JESUÍTAS


REVISTA MANCHETE


30 de abril de 1979
SALVADOR


As ruínas do antigo Colégio dos Jesuítas de Salvador, projetado por Manoel da Nóbrega antes mesmo da fundação da cidade, em 1549, foram localizadas por um grupo de operários que trabalhava na restauração da Catedral Basílica, da Bahia. As ruínas, que incluem uma antiga sala de cerca de 180 metros, formam, com suas grossas paredes e arcadas, um conjunto de grande beleza plástica. Futuramente também vai constituir uma nova atração para o grupo arquitetônico do Pelourinho.
Para os historiadores, as ruínas agora descobertas têm uma importância excepcional devido ao papel desempenhando pelo Colégio dos Jesuítas na formação cultural do país. Segundo o professor Valentin Calderón, diretor do Museu de Arte Sacra, o achado pode ajudar bastante no levantamento da história do Colégio, embora seja difícil pensar na reconstituição do prédio. Calderón disse a MANCHETE que o melhor seria deixar as ruínas como estão para que elas conservem seu valor histórico.
Também foi encontrado um túnel, parcialmente obstruído, com ligações provavelmente para as várias igrejas que se encontram no Largo do Terreiro. Entre elas, a de São Domingos, São Pedro dos Clérigos e São Francisco. Os historiadores também examinam a hipótese do túnel em ruínas constituir uma antiga ligação do Colégio com a Igreja do Carmo, bem mais distante do local.
O Colégio dos Jesuítas, então denominado Real Colégio das Artes, foi ocupado militarmente durante a invasão holandesa e muitas de suas dependências, consideradas verdadeiras obras de arte, desapareceram em vários incêndios. Entre as dependências que escaparam da destruição se encontram as salas de banho, com suas necessárias (sanitários), corredores, arcadas e abóbodas. Conforme os historiadores, o Colégio começou a ser depredado logo depois da expulsão dos jesuítas, decretada pelo Marquês de Pombal, por volta de 1759. Inicialmente passou a abrigar o Hospital Militar e, a partir de 1808, a Escola Médico-Cirúrgica.
O professor Vivaldo Costa Lima, que acaba de ser reconduzido à direção da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, revelou aos jornalistas que possivelmente aproveitará as ruínas do imóvel para a instalação do Museu Afro-Brasileiro, o Centro Regional de Restauração, com Memorial da Medicina Baiana e os Centros de Estudos ligados à cultura latino-americana. (Reynivaldo Brito/Salvador)
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