Objetivo


domingo, 1 de julho de 2012

INDUSTRIALIZAÇÃO - PÓLO PETROQUÍMICO DE CAMAÇARI

Revista Manchete 28 de janeiro de 1978.
Texto Reynivaldo Brito

Sob a presidência do economista João Pinheiro Neto, reuniram-se com os representantes de Manchete na Bahia personalidades do setor privado e autoridades de órgãos estaduais e federais, numa frnca e objetiva discussão sobre o II Pólo Petroquímico do Brasil.


Empresários baianos e autoridades governamentais foram reunidos por Manchete em torno do assunto palpitante: a implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, o segundo do Brasil. Os debates foram presididos pelo economista João Pinheiro Neto, ao lado dos Srs. Carlos Olympio de Azevedo Neto e Antonio Carlos Magarão, da Sucursal de Manchete em  Salvador. Foto abaixo.
Representando o setor privado, compareceram os Srs. Erich Maria Recchia, da Sulfab; Geraldo Guennes, da Metanor, Ney Meireles, pela Dow Química;Carlos Mariani,da Petroquímica da Bahia; Luiz Dejardin, da Nitrocarbono; Ricardo Gutierrez, da Ciquine; Max Paskin,da Paskin; Milton Gaeta, da Companhia Química do Recôncavo; Antonio Silva lima, da Petrofértil. Os Srs.José de Freitas Mascarenhas, Secretário das Minas e Energia do Estado da Bahia; José Hamilton Mandarino, do BNH; Humberto Henrique Garcia Ellery, Prefeito de Camaçari; e Osmar Sepúlveda, Diretor- Presidente da Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador-Conder participaram dos debates como integrantes da área governamental.

A tônica da mesa-redonda, em que nem sempre se pode atingir um consenso, foi caracterizada pela elevada compreensão dos convidados no sentido de que, embora necessitando corrigir algumas falhas, o II Pólo Petroquímico do Brasil constitui uma etapa decisiva para a economia do Norte e Nordeste do país, ultrapassando mesmo tais limites para além das fronteiras nacionais.

TEMAS LEVANTADOS

Tratando-se de um empreendimento cujo porte revoluciona grande parte da economia brasileira, os debatedores, mesmo tecendo sérias críticas nesta fase de implantação, procuraram contribuir com sua opinião no sentido de aperfeiçoar as linhas que possam conduzir à solução de vários problemas.
Desse modo, as discussões variaram do possível esvaziamento do Pólo Petroquímico, do excesso de burocracia, da necessidade de maior dinamização do Complexo, da ausência de investimentos dos empresários baianos, da conjuntura nacional minimizar a dinâmica do Pólo, da desaceleração da economia do país e suas repercussões na área petroquímica de Camaçari, até problemas estruturais como transporte, habitação, mão-de-obra etc.
No início das discussões, o Sr. Erich Recchia, da Sulfab, colocou vários problemas, ocorridos durante a implantação da empresa: a descontinuidade de uma política, em que o decreto-lei 354 concorreu para o agravamento de um ônus financeiro imprevisto, mudando-se desta forma as bases anteriormente assumidas: o fato de a indústria, nacional não cumprir os prazos para entrega de equipamentos, implicando no descumprimento de um cronograma e conseqüentemente afetando a programação financeira; embora reconhecendo o esforço da Petrobrás, o Sr. Erich Recchia acentuou que inúmeras dificuldades com a formação de mão-de-obra local, em todos os níveis, inclusive administrativo e financeiro.Conquanto hoje, acrescenta,noventa e cinco por cento do seu pessoal seja baiano, é fato que o problema continua.

No seu entender, deve ser desenvolvida uma política a nível de governo no sentido de não só formar a mão-de-obra necessária, mas oferecer os meios para retê-la, evitando a rotatividade, que é grande. Ao concluir, o diretor da Sulfab referiu-se ao problema do transporte, tendo esperanças de que o enxofre que atualmente é recebido pela Sulfab, no porto de Salvador, possa desembarcar no porto de Aratu.

Geraldo Guennes Tavares de Lima, da Paskin Indústrias Petroquímicas- representa essa empresa na Metanor. Ao iniciar sua explanação afirmou que a Metanor não teve problemas de grande monta na sua implantação, nem na sua entrada em operação, representando hoje uma capacidade de produção de sessenta mil toneladas/ano de metanol. Referiu-se, porém, ao fato de que, no início, seu problema era de mercado interno, levando a exportar o metanol. No momento, explicou, está sendo implantada a Copenor- Companhia Petroquímica do Nordeste para a produção de formol, pentaeritritol, hexametilenotetramina e fermento de sódio.

“O SEGUNDO PÓLO PETROQUÍMICO DO BRASIL, IMPLANTADO EM CAMAÇARI, BAHIA, CONSTITUI ETAPA DECISIVA PARA A ECONOMIA DO NORTE E DO NORDESTE”

Em seguida, o Sr. Geraldo Guennes manifestou o seu receio de que, a partir da inauguração do Pólo Petroquímico, o Brasil venha a ter grandes excedentes de determinados produtos, até que se implantem as indústrias de transformação. Isso,sublinhou, poderá a ocorrer com o polietileno de alta e baixa densidade, estireno, polipropileno e derivados de óxido de eteno e alguns derivados clorados. Lembrou então que, se isso ocorrer, os empresários deverão aproveitar os incentivos concedidos pelo governo para exportação, referindo-se também às concessões oferecidas pelos países integrantes da ALALC. Ao informar que, por proposta sua, próxima reunião setorial da ALALC será em Salvador, o Sr Geraldo Guennes pediu que os empresários, junto com entidades governamentais, estudassem mais profundamente o problemas das exportações.

“A Bahia não deve sentir-se diminuída por sua pouca participação nos investimentos do Pólo Petroquímico. Trata-se de um empreendimento em escala internacional, em que os capitais alocados exigem uma conjugação de esforços de toda a natureza, privada, estatal e internacional, para que se chegue a um resultado ótimo em termos industriais”, disse o Sr. Ney Meireles de Oliveira, diretor de Planejamento da Dow Química, acentuando que a sua empresa não está no Pólo, pois ela chegou bem antes da sua implantação em Camaçari representando um investimento, com recursos próprios,da ordem de US$ 330 milhões,a Dow teve a participação da indústria nacional, ainda porque, disse, “isso, é uma questão de bom-senso. Não se pode implantar um complexo se não tiver um apoio logístico das empresas locais”.

Ao concluir informou que a Dow Química já está produzindo o óxido de propeno e cloro-soda, além do propileno-glicol USP, em grau de pureza, abastecendo a indústria farmacêutica nacional.

A petroquímica da Bahia vem investindo em três projetos, dentro de Camaçari: Pronor- Produtos Orgânicos, Nitro-Carbono e Isocianatos do Brasil. Seu diretor, Carlos Mariani, disse que “nessa questão de implantação do Pólo Petroquímico, perde-se mais tempo com as formigas do que com os elefantes.Perde-se muito tempo em números desprezíveis,dentro de um vultuoso investimento de US$ 2 bilhões; perde-se muito tempo em convencer áreas que já deviam estar convencidas, quando as coisas já estão prontas, já estão definidas”

Tudo isso, ele entende como contribuição para onerar o custo total do empreendimento.

A influência de desaceleração está muito ligada ao aspecto do início da comercialização. “Nós,- continuou o Sr.Carlos Mariani - podemos dizer que, já no fim do segundo semestre, teremos uma venda razoavelmente igual à do ano passado, o que consideramos um resultado bastante animador.”

Após falar sobre o aspecto local operacional, que acha estar correndo dentro dos prazos estimados, o diretor da Petroquímica da Bahia abordou o problema da formação de mão-de-obra para dizer que “esse é um programa caro, em que cada empresa está pagando os custos de implantação no treinamento de pessoal”,elogiando o esforço do governo do Estado da Bahia e da Petrobrás na superação desse problema. Na Petroquímica da Bahia, acentuou, de quatrocentas ou quinhentas pessoas que temos, somente uns 10 ou 15, não são da Bahia. O Sr. Carlos Mariani teceu ainda considerações sobre o problema habitacional para louvar a iniciativa de construção de uma área residencial, próxima ao Pólo, com apoio das empresas que estão adquirindo as casas para repassá-las aos seus funcionários.

“O transporte, disse, representa atualmente um ônus adicional, em torno de um salário por mês, por operação.”

Para o Sr. Luiz Dejardim, da Nitrocarbono, o problema do transporte está ligado ao de habitação, pois oito por cento do seu pessoal, vindo de São Paulo; Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, se deslocam para Salvador, o que representa, em média, um custo médio de Cr$ 1.500,00 por pessoa. A falta de habitação adequada, afirma, não tem sensibilizado esse grupo a residir em Camaçari, embora ele saiba dos programas habitacionais que estão sendo desenvolvidos naquela cidade.


CIQUINE E SUA HISTÓRIA PIONEIRA

Ricardo Gutierrez, da Ciquine, não é somente um pioneiro de Camaçari, quando ali se instalou ainda em 1968, com uma pequena e modesta fábrica de anidrido ftálico, produzindo 5.000t/ano. Além do seu pioneirismo, ele é também um otimista que gosta de ver as coisas pelo seu lado positivo.

Durante os debates lembrou que, quando chegou a Camaçari, faltava energia elétrica cinco, dez minutos, mas às vezes essa paralisação alcançava até cinco horas. Que não dispunha de toda a matéria-prima necessária para a sua produção, o transporte era difícil e todo mundo achava longe trabalhar em Camaçari.

TODAS AS DIFICULDADES ESTÃO SENDO VENCIDAS

“Mas - diz ele- quem não teve essa dificuldade! Todos a tiveram, não só na Bahia, mas em São Paulo, a indústria automobilística enfrentou problemas sérios, a indústria de construção naval, inclusive com uma inflação de 106% ao ano, e greves três vezes por semana. Hoje, quando salto em Salvador e vejo uma Via Parafuso que leva do Aeroporto à Ciquine em vinte minutos, sítios surgindo à beira da estrada, boa energia elétrica, água,acho que estamos bem melhor”- disse sorrindo. – E tanto isso é verdade continuou Gutierrez que, daquela produção inicial de 5 mil toneladas, nosso projeto em andamento vai permitir que, das atuais 24 mil t /ano, passemos para 45 mil. È bem verdade que, em 1968, ficamos seis meses sem vender nada e aí tivemos que recorrer ao mercado externo, exportando para o Chile e Peru. Hoje não, estamos com toda nossa produção vendida. Acredito no Pólo Petroquímico disse o diretor da Ciquine. Acho que dentro em breve virão para cá fábrica de botões, de tecidos, de carteiras de cédulas, de derivados de plásticos e então, não tenham dúvidas, Camaçari estará entre os municípios de maior renda do Brasil”,

A FASE DE IMPLANTAÇÃO É SEMPRE A MAIS EUFÓRICA

Ao intervir, o Sr Max Paskin, da Paskin Petroquímica, ressaltou que desejava lembrar aos empresários que o momento é o da chamada fase eufórica, mais bonita, que é a de implantação, porque tudo funciona, não falta dinheiro, não falta ajuda, não falta apoio e não falta propaganda.Mas, com a inauguração da fábrica, começa também a necessidade de saldar os empréstimos, acrescidos dos juros e correção monetária, que naturalmente sairão da venda do produto. E nem sempre a Comissão Internacional de Preços acompanha os custos como deveria acompanhar.
O Sr. Max Paskin explicou que a sua indústria não está no Pólo, mas no Cia, do qual, disse, “ Não tenho boas referências, porque é uma entidade que carece de uma reformulação no seu modo de atuar, de modo a tornar-se mais dinâmico. Mas, hoje já temos várias fábricas atuando em nosso complexo, em situação bem melhor do que na fase de instalação, quando a falta de energia provoca enormes prejuízos. Agora a energia da Bahia é uma das melhores do país, vinda de Paulo Afonso”.

“ A Companhia Química do Recôncavo – CQR – foi localizada de modo errado – disse o seu diretor, Sr. Milton Gaeta – e só agora esse erro está sendo corrigido com sua implantação no Pólo. A CQR não é rigorosamente uma indústria petroquímica pois a petroquímica depende delas apenas para um outro produto. Guardadas as devidas proporções, ela participa dos problemas até aqui abordados, mas temos recebido um apoio bastante efetivo das autoridades, quer estaduais, federais e municipais.

Não sei – disse – se ao final dos debates sairei daqui com mais ou menos temores do que até agora, com relação ao futuro da empresa no Pólo. É bem verdade que há sempre um atraso, principalmente quando dependemos da entrega de equipamentos, mas a data do fechamento da fábrica atual, localizada em Salvador, esta será cumprida.”
Como a Ciquine, a Petrofértil é pioneira em Camaçari, com uma característica de ter sido a primeira na área do Pólo Petroquímico. Seu diretor, Sr. Antonio Silva Lima, explica que opera com fertilizantes e produtos químicos, incluindo fábrica de uréia e amônia.
Salientando que se trata de fábricas pequenas, ressalta o fato de que, no entanto, a Petrofértil já abastece de nitrogênio cerca de setenta por cento do mercado nordestino juntamente com a Paskin, que fornece uma parte desse fertilizante.

Adiante ele diz que a Petrofértil está destinada a ser uma das empresas supridoras de matérias-primas para as outras empresas do Pólo, por força dos insumos que produz. Os investimentos na área,destinados a quintuplicar fábricas da Petrofértil, somam US$200 milhões. “Mas – diz o Sr. Antonio Silva Lima – tivemos dificuldades com o CIA na definição das bases no porto de Aratu. As informações e providências tardaram. Tivemos, e ainda temos, dificuldades quanto ao suprimento de energia elétrica. No início de nossas operações, essas dificuldades foram maiores, ao que se aliou o problema de mão-de-obra. Formamos todo o nosso pessoal técnico, gastamos em média o equivalente a US$ 3 mil para formar um operador. Instrumentistas, mecânicos, eletricistas e todo o pessoal especializado foi preparado a expensas da Petrobrás. Gente humilde, às vezes doente, e muito mais fraca que a mão-de-obra do Centro-Sul. Hoje, com essa mão-de-obra operamos nosso complexo sem maiores dificuldades. “ O diretor da Petrofértil relata as suas dificuldades no setor de transportes, cujo custo atinge até cerca de vinte por cento do curso médio de um operário em Camaçari. “ Gastamos cerca de Cr$2 milhões para fazer desvios e reforços que permitissem a passagem de equipamentos pesados. No momento, já há uma infra-estrutura bem melhor do que aquela que encontramos então”. Continua oi Sr. Silva Lima : “Temos preocupações quanto ao escoamento da produção na área, pois se deveria dar ênfase à ferrovia que consome menos combustível por tonelada transportada. Mas o sistema não é ainda eficiente. Finalmente, quanto ao custo dos produtos, é compreensível que um país em desenvolvimento – que tem de construir sua própria infra-estrutura – produza a preços mais elevados em comparação com os países industrializados. Em termos domésticos é compreensível que São Paulo produza a preços menores que a Bahia. Mas, à medida que a nossa infra-estrutura for sendo montada, produziremos a custo menores . Isto é desenvolvimento.”

OS CUIDADOS DO GOVERNO

O sr. Osmar Sepúlveda, diretor-presidente da Conder, fez um relato dos planos do governo com relação ao Pólo Petroquímico afirmando que as autoridades, em todos os níveis, estão convencidas da necessidade de dotar a área adjacente ao Pólo de um modelo de urbanização que proteja e preserve o ambiente atual e, ao mesmo tempo, elimine as deseconomias que possivelmente serão geradas na localização das indústrias.

Acentuou que ninguém está interessado em permitir a poluição, muito menos transformar uma região com tanta beleza natural numa área inabitável. Referindo-se ao programa habitacional, ele disse que o importante não é o número de habitações a serem levantadas, mas importa saber se essa moradia está no lugar certo, se está próximo ao do centro de emprego, se está no ambiente adequado.

Por parte do governo há uma constante preocupação com essa infra-estrutura urbana que permita apoiar os investimentos e que deverá solucionar, a média prazo,os problemas de transporte, não só de passageiros, mas também de carga, de matéria-prima, de produtos, de integração entre a Região Metropolitana internamente e de integração dessa região com os mercados, já que a Região Metropolitana é entendida como o núcleo da cidade principal, que é Salvador, que faz e fará a integração de mercados entre Camaçari e o resto do mundo, através dos seus serviços. Tudo isto, concluiu, é pensamento do governo, que se integrou num programa que está em andamento, que é a implantação das indústrias do CIA e no Copec.

O prefeito de Camaçari Sr. Humberto Henrique Garcia Ellery, fez em seguida uma explanação de como o município está sendo planejado para atender às suas novas funções com relação ao Pólo Petroquímico. Começou afirmando que, a partir do Plano Diretor do Complexo Petroquímico de Camaçari – Copec, fez-se o Plano Piloto para as cidades de Camaçari e Dias Dávila, desenvolvendo-se a partir daí programas sociais de infra-estrutura e administrativos., o que vem ocorrendo desde 1974. Nesse ano, a Prefeitura dispunha de uma receita de CR$ 6 milhões , incluídos recursos transferidos, ao passo que, em 1977, esse total deverá atingir Cr$80 milhões.

OS DIVERSOS SETORES FORAM DESENVOLVIDOS



Explicou então o Prefeito Humberto Ellery que, gradativamente, todos os setores foram sendo desenvolvidos: na área de habitação, implantou-se um programa que abrange inclusive pessoas com faixa de renda de um salário-mínimo, com permanente assistência da Prefeitura; o setor escolar sofreu um incremento elevado de modo que, no momento, há salas de aulas ociosas, o que despreocupa o governo municipal para os dois anos,m embora a construção de novas escolas continue, antecipando-se mesmo aos bairros residenciais projetados. O abastecimento da cidade, resumindo numa feirinha na praça, é hoje dimensionado no Centro Comercial que foi construído e que abriga mais de quatro mil feirantes, o que contribuiu para transformar o centro num entreposto comercial de uma vasta região e não só da cidade. O acanhado posto médico foi substituído por uma moderna Unidade de Saúde.

“ Mas – continua o prefeito de Camaçari – entendemos que não só a moradia é fator decisivo de fixação do homem. Por isto, já estamos em negociações, com entidades federais, um financiamento destinado à área de lazer que permitirá dotar tanto Camaçari, como a Estância Hidromineral de Dias Dávila, de estádios, áreas de lazer ativo e passivo, florestamento dentro da própria cidade, implantação de parques, teatros, quadras de esporte e até ciclovia”,

Por sua vez, o Sr. José Mandarino, do BNH, confirmou a sensibilidade do Banco, em todas as suas linhas de programa, com respeito ao Pólo Petroquímico. Frisou que o BNH não considera somente a habitação como essencial, mas, em sua volta, a implementação de equipamentos técnicos e comunitários. Reportou-se a contratos assinados com o governo do estado, na ordem de Cr$6 bilhões, dizendo que o problema habitacional deve ser visto sempre em sentido mais amplo, e não apenas no da residência.

O secretário de Minas e Energia, José de Freitas Mascarenhas, interveio para dizer que uma cidade não se constitui somente no lugar para morar, mas no lugar de viver, devendo toda cidade ter muito mais do que a casa. Deve ter seu ambiente cultural, diversões, lazer e serviços de saúde, educação etc. Por outro lado, as cidades concorrem entre si. Isso, frisa, não existe senão em regiões metropolitanas, onde a metrópole comanda todo o sistema de cidades. Então, sublinha, está-se prevendo que Salvador deverá ter dois milhões de habitantes, dos 3.700 milhões da Região Metropolitana, o que leva a dimensionar o problema do transporte de massa, em relação com o uso do solo.

O secretário de Minas não acredita no esvaziamento do Pólo, porque ele não deve ser entendido como um produtor para exportação, mas, ao contrário, um produtor para o mercado interno, podendo haver problemas de exportação em termos eventuais e para algumas empresas. Sobre a falta de investimentos baianos, disse o secretário José Mascarenhas, a Bahia não teria condições de uma maior participação. Argumentou então com a poupança local, que é pequena, a falta de experiência no setor, mas, ainda assim, satisfeito por ver a participação do Grupo da Petroquímica, do Banco Econômico e alguns empresários menores. Mas não concorda com a falta de participação no setor da indústria de transformação, porque, acrescentou, não há dificuldade tecnológica, não exige grandes investimentos ou grandes poupanças.

Sua opinião sobre a conjuntura atual e o reflexo do Pólo Petroquímico é que isso ocorre, mas em grau menor do que em outros setores, porque o mercado é cativo.Passou então a enfocar o problema de transporte quando afirmou que o mais grave é o de transporte ferroviário, mas que é um problemas fora da alçada do governo estadual, que age apenas politicamente, isto é, reivindicando.

Ao concluir sua participação, o diretor-presidente da Conder abordou ainda dois pontos: o da mão-de-obra, que reconhece ser um problema sério, mas em equacionamento, não só na área do governo estadual, mas da Petrobrás, que dispõe de um programa de treinamento dos mais eficientes. No que tange à energia, afirmou que Camaçari disporá da melhor energia do país, porque, além da Chesf, está sendo implantada uma nova subestação, com seis grupos de geradores, além da própria produção da Copene.

                                                O PÓLO HOJE

Depois de sofrer um esvaziamento na década de 90 , quando se iniciou no país a fase da privatização,  o Pólo Petroquímico perdeu várias indústrias importantes e, foi grande o número de desempregados. Na década de 80 era o sonho do jovem  baiano conseguir um emprego no Pólo. Com o aparecimento   no mercado automobilístico do Escort esse carro passou a ser o  preferido dos trabalhadores do Pólo, que tinham um salário alto e um sindicato fortíssimo . O Escort conversível de cor vermelha era o eleito. 
Hoje , ao completar 34 anos está havendo um revigoramento do Pólo  o qual  já conta  com 90 empresas , sendo 34 dos ramos químico e petroquímico, e 56 dos setores automotivo, celulose,metalurgia do cobre, bebidas , têxtil e serviços. O seu faturamento deverá gerar de Icms em torno de R$ 1 bilhão e, já representa 30% do total exportado pela Bahia. Deve fechar o ano com um faturamento de R$ 16 bilhões ,  além de gerar 30 mil empregos diretos e indiretos. Dizem os executivos do Pólo que existem muitas dificuldades, a serem enfrentadas principalmente com relação a infraestrutura portuária, rodoviária e ferroviária.Com a expansão do Pólo dos setores automotivo e petroquímíco aumentará a necessidade de grandes investimentos na infraestrutura, o que é um desafio aos governos federal e estadual. 
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