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quarta-feira, 4 de julho de 2012

POLÍTICA - O EFEITO ZUMBI

POLÍTICA
Texto:Reynivaldo Brito
Foto Google

Tenho lembranças vivas do efeito zumbi. Expressão que inventei para falar da atual situação que está vivendo um dos parlamentares mais combatentes que surgiu depois da ditadura militar. Hoje, perambula pelos corredores do Senado como se fosse um zumbi ou um daqueles personagens dos filmes bíblicos antigos representando um leproso. Todos fogem dele, porque ninguém quer ser flagrado numa imagem a seu lado. Triste fim de um senador que honrava o mandato e, terminou envolvido em algumas situações com um empresário-bicheiro que tem nome de CPI, o Cachoeira.
Na foto o senador Álvaro Dias diz que espera que a CPI não termine em pizza como querem muitos parlamentares e empresários da construção pesada.

 Parece até que o destino estava traçado para este parlamentar. Era gordo e perdeu grande parte de sua massa corpórea. Virou fisicamente outra pessoa. De repente surgem as gravações, em pílulas e editadas, é verdade, mas que trazem diálogos que não poderiam ser travados entre ele e um contraventor.
 A mesma mídia que ele usava com maestria para combater falcatruas cometidas por corruptos, hoje é considerada inimiga, exagerada e, até culpada de seu julgamento antecipado. O senador Demóstenes está usando a estratégia de diariamente subir à tribuna do Senado para se defender. Acho e defendo que é um direito que ele tem. Na realidade, anteontem, apenas cinco dos 44 senadores estavam presentes. Falou para poucos, os quais também, talvez, não estivessem interessados em ouvi-lo.
 Não discuto se ele tem ou não razão. Pelo que tenho lido e ouvido acho que errou e que deve pagar pelos seus atos. Mas, não sou julgador. O que estou aqui falando é de como as pessoas são hipócritas, de como as pessoas fogem dele como estivesse de lepra. O ser humano é realmente cruel. Não basta você cair num erro como este caso do Demóstenes. Basta você perder uma chefia qualquer, ou mesmo se aposentar, que a maioria dos que lhe bajulava some e fica pelos cantos da cidade enaltecendo os seus defeitos.
Lembro que na época da ditadura militar um conhecido trabalhava num órgão do então Ministério da Educação e Cultura e teve que responder a um inquérito sob a presidência do Monsenhor Manoel Barbosa, que era pároco da igreja da Conceição da Praia  e muito ligado aos militares. Ele era um simples funcionário, com um cargo pequeno de escrevente-datilógrafo, equivalente hoje, a um digitador, e foi mandado para trabalhar num evento do educador Paulo Freire. Ai imaginaram que era comunista e os colegas com receio corriam dele como se diz no popular “como o diabo foge da cruz". É o efeito zumbi, você fica perambulando e depois desiste.
 Ele desistiu e pediu demissão do cargo. O senador está demonstrando que vai lutar até o fim. Perda de tempo, será cassado por influência dos membros do partido dos mensageiros, que querem empanar de algum modo o grande julgamento que esperamos acontecer no Supremo. 








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