Objetivo


sexta-feira, 15 de junho de 2012

ACIDENTES NO TRABALHO : FALTA DE SEGURANÇA AMPLIA NÚMERO DE REABILITADOS

A TARDE 31 DE MARÇO DE 1973
Texto e Foto Reynivaldo Brito
Já começam a se desenvolver em todo o país alguns centros de reabilitação através a previdência social. É certo que a instituição desses centros é necessária. Reabilitar é uma grande missão. Prevenir os acidentes, contudo é muito mais nobre. Mas para a tristeza nossa pouca coisa vem sendo feita para a prevenção de acidentes de trabalho.
A construção civil é a maior responsável pelo grande número de acidentes fatais e mutilações. Enquanto o operário despenca de um prédio em construção seus proprietários e as empresas responsáveis pelas obras continuam impunes. É hora de as autoridades atentarem para o fato de que é melhor evitar o acidente que reabilitar o acidentado.
 Foto atual  do prédio em construção  localizado na região do Iguatemi onde morreram nove operários  no elevador de serviço  que despencou em 2012.
Desde a eclosão da 2ª. Grande Guerra e o progresso industrial o número de mutilados e acidentados no trabalho vem ultrapassando as expectativas ao ponto de constituir-se num grave problema social. A conseqüência para essas pessoas é o desemprego e para o Governo é a mão-de-obra ociosa que será sustentada pelos institutos de previdência social. Devido ao crescimento assustador de mutilados e acidentados no trabalho cresceu também a filosofia da Reabilitação que passou a atuar sempre visando o retorno do incapacitado ao trabalho.
Logo depois surgiu a reabilitação profissional, mais ampla e carente de técnicos e técnicas modernas que se constitui de uma equipe de médicos, assistentes sociais psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, professores de ensino básico, técnicos em prótese e conselheiros profissionais, além de aparelhos. Essa equipe trabalha harmoniosamente levando o acidentado a executar outras tarefas de acordo com a sua real capacidade.

                                                          FASE

Consideram os técnicos que a Reabilitação Profissional é a terceira fase de tratamento que tem sido apresentada como a correspondente ao período final da recuperação, completando assim o iniciado pela Clínica e pela Cirurgia. Hoje, a Reabilitação Profissional é uma especialidade e como tal continua sendo desenvolvida em todo o mundo através do aperfeiçoamento de suas técnicas e equipamentos.
A Reabilitação Profissional utiliza assim um complexo grupo de técnicos e os mais diferentes meios terapêuticos visando recuperar física e psicologicamente o acidentado.
Foto do Hospital Sarah Kubitschek, em Salvador. Esta rede de hospitais é referência em todo o país pela qualidade do seu trabalho em recuperar as pessoas vítimas de acidentes do trabalho ou não.
Esta especialidade é tão complexa que os técnicos depois de reabilitá-lo ainda procuram encaminhá-lo a um emprego que o valoriza em face de si mesmo, de sua família e do meio social. Assim o acidentado deixará de ser um indivíduo oneroso e incapaz para a sociedade e passará a ser um participante do desenvolvimento econômico, através da sua contribuição como elemento ativo.
Este processo de reabilitação se desenvolve através de fases básicas e sucessivas ou simultâneas abrangendo as avaliações fisiológicas, psicológicas, sociais e profissionais dos indivíduos, objetivando cada uma delas a revelar o potencial do acidentado, portanto o grau de capacidade laborativa.

1-      CASOS REGISTRADOS
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     ESPECIFICAÇÃO                                                          QUANTITAVIVO
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                                                                                                 1969  1970  1971  1.972
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  Casos novos -                                                                           196    311   584   1.062 
  Casos Reabertos                                                                          13      45  126      234
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    TOTAL                                                                                   209    356   710   1.296
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2-      PROCEDÊNCIA
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      ESPECIFICAÇÃO                                                        QUANTITATIVO
                                                              -----------------------------------------                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

                                                                                            1970     1971     1972
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Perícias médicas                                                                       192   246    429    548
Acidentes do Trabalho                                                                                                 
                                                                                                    17  107     276    748
Outros                                                                                           -       3         4      -
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TOTAL                                                                                      209   356    709  1.296
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Examinando esses dois quadros estatísticos concluímos que em 1969, foram registrados 209 casos de acidentados encaminhados ao Centro de Reabilitação Profissional do INPS  e que em 1972 este número cresceu para 1296. Vemos no segundo quadro que em 1969, foram encaminhados 192 pelo setor de Perícias Médicas e apenas 17 por Acidentes de Trabalho, mas em 1972 e panorama mudou, 548 pelo setor de Perícias Médicas e 748 por Acidentes de Trabalho.

                                             OS CENTROS

Os centros de reabilitação que são mantidos pelo INPS são classificados em três tipos distintos: 1) os que promovem as fases de reabilitação no próprio centro, isto é através de reabilitação física, treinamento profissional e educação básica: 2) os centros em que se procede apenas à reabilitação física e finalmente o centro onde as fases de reabilitação física e readaptação são realizadas em institutos e clínicas especializadas e empresas da comunidade, e funcionam em convênio com o INPS, após a triagem executada pela equipe técnica. Embora seja o INPS o pioneiro no Brasil na reabilitação, ainda estamos longe do ideal. Os centros existentes em São Paulo, Guanabara, Rio Grande do Sul e Minas Gerais são os melhores, enquanto o existente em Salvador que foi reinstalado recentemente ainda carece de alguns requisitos.
Os acidentados no trabalho, quando considerados elegíveis para a reabilitação, recebem inicialmente orientação de uma assistente social, contando com recursos audio-visuais, sobre os objetivos e finalidade do serviço, Assim, é dado o primeiro passo visando a motivação do segurado. A depender do caso, o acidentado poderá ser encaminhado para as clínicas particulares existentes na comunidade. Existem em Salvador algumas clínicas especializadas no setor, como o Instituto Baiano de Reabilitação, Nova Clínica de Reumatologia e Reabilitação Clínica de Atendimento Médico Psicológico. Depois de receberem os treinamentos necessários são encaminhados a empresas da comunidade que muito têm ajudado na reabilitação em nosso Estado.
Os que são considerados inelegíveis ou incapazes a Reabilitação, isto é, não apresentam condições físicas e sociais ou profissionais para se submeterem ao programa, quer temporária ou permanentemente, recebem alta e retornam ao seu lar onde gozarão de auxílio doença, auxílio acidente ou são aposentados por invalidez quando apresentam limitação física acentuada.

                                                 EVITAR

É muito bonito o trabalho de Reabilitação Profissional mais é muito mais positivo e humano que o empresário tome as devidas precauções para evitar os acidentes de trabalho. O número de acidentados cresce assustadoramente à medida que o País vai se desenvolvendo. Os maiores índices registrados estão relacionados com a construção civil, onde homens analfabetos e desnutridos permanecem durante oito ou mais horas se equilibrando sobre frágeis “jaús” ou simplesmente suspensos por uma corda.
Os jornais, a toda hora, estão denunciando a falta de segurança de operários. Agora os empresários estão conseguindo impressionar os responsáveis em fiscalizar a segurança dos trabalhadores. È que arranjaram um chapéu vistoso e colorido e o colocaram na cabeça do operário que está trabalhando. Com isto dão a impressão que a segurança e a higiene do trabalho ali estão sendo obedecidas rigorosamente quando a verdade é outra.
Na construção da Fonte Nova embora estejam trabalhando 3000 operários, em tres turnos, a boa prevenção tem evitado acidentes.
O pior é que não existem na maioria das Delegacias Regionais do Trabalho técnicos especializados que fiscalizem e orientem a necessidade da segurança.

Nota  de Atualização: começou no dia 11 de julho de 2012 o julgamento da ação civil pública movida contra a Construtora Segura Ltda por causa de uma série de falhas de segurança em sua obra  na região do Iguatemi. O Ministério Público do Trabalho quer uma indenização de R$10 milhões por danos morais coletivos, além do cumprimento das normas de segurança. Sabemos que os nove operários morreram despencando de uma altura de 80 metros de um elevador do prédio em construção o  Comericial II, cuja foto está no alto desta reportagem.
Os gastos do INSS com acidentes somente na Bahia aumentou em 15% nos últimos quatro anos, passando de R$318 milhões em 2008 para R$362 milhões. No Brasil no mesmo período o aumento foi de 21% passando dos R$5,4 bilhões em 2008 para R$6,58 bilhões.
Cerca de 4 mil brasileiros morrem anualmente por acidentes de trabalho em nosso país sendo que as causas  mais comuns são quedas, fraturas e queimaduras. Em 2010, na Bahia , ocorreram 119 óbitos por acidente de trabalho.
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