Objetivo


sábado, 23 de junho de 2012

IMPRENSA - OS BACHARÉIS DA CASA


IMPRENSA
Jornal A Tarde - domingo , 15 de outubro de 1978.


Gente jovem faz "A Tarde" mais moça no ano  1966.
                                           
OS BACHARÉIS DA CASA


TEXTO:  JORGE CALMON

 "O ingresso nas Redações de um número predominante de graduados em Jornalismo foi um dos fatos mais significativos ocorridos na imprensa brasileira nestes últimos dez anos. É certo que já anteriormente outros graduados haviam surgido nos jornais, do mesmo modo que antigos profissionais aproveitaram também a criação do curso, para adquirirem o título universitário. Foi, porém, a partir de dezembro de 1969 que os diplomados passaram a ter preferência nas admissões, conforme a garantia que lhes veio trazer a lei daquela data, que regulou o exercício da profissão. Amparados por essa lei, foram preenchendo, no decorrer destes quase dez anos, as vagas que se abriram nos quadros, e hoje devem constituir a maioria 

o pessoal de Redação em qualquer jornal da cidade maior.
Foto ao lado Professor. Junot Silveira, editor geral da edição dominical e Genésio Ramos, editor de esportes.
A esta altura, caberia saber se é ou não benéfico à imprensa e, por extensão, ao público o privilégio dado por lei aos bacharéis em Jornalismo.
A indagação decerto modo é antiga: reside na velha pergunta sobre se o jornalista já nasce feito, ou se uma escola pode produzi-lo.
Antes da lei atual, o recrutamento dos jornalistas, pelos órgãos da imprensa, era livre, o que permitia aos jornais buscarem, em quaisquer áreas, rapazes intelectualmente bem dotados. Por ser turno, o fácil acesso ao trabalho em jornal representa para os jovens de menores recursos o meio de terem assegurada a subsistência, ou de custearem os estudos, tal como aconteceu, na Bahia mesmo, com grande número deles.
Foto Reynivaldo Brito, chefe de Reportagem e Marco Antônio, repórter.


Essa situação tinha, porém, aspectos negativos. E um deles, para os próprios jornais, vinha a ser a constante mobilidade do pessoal de redação, já que o Jornalismo era para muitos apenas uma atividade provisória, que abandonavam logo que formados, ou assim conseguiam emprego dentro da carreira escolhida. Na imprensa conservavam-se aqueles poucos que por ela se deixavam seduzir, atraídos pela magistratura da opinião, bem como um ou outro que desejava ingressar na política e via no jornalismo um instrumento em favor de suas ambições. Para os jornais, era um freqüente problema arranjar substitutos para os repórteres que periodicamente se desligavam, revoada habitual nos meses subseqüentes às formaturas nas faculdades.
Mas, nem todos iam trabalhar em jornal para atender, puramente, à s necessidades de subsistência, ou por votação, havia também os aventureiros precoces, que tratavam de somar ao minguado dinheiro recebido quinzenalmente de Gerência, proventos de outras origens, faturando por debaixo do pano, as mais das vezes cobrando por notícias de publicação normalmente gratuita. 
Foto Eliezer Varjão, repórter Grande Salvador;José Oympio, editor de Suplementos e Antônio José, repórter de Esportes.
Esse tipo de praga lavrava principalmente entre a reportagem.
Muito embora objeto de suspeitas, os finórios sempre conseguiam agir sem se deixar surpreender, até que um dia afinal, o excesso de confiança levava-os a resvalar num passo mais grave, fosse uma tentativa de extorsão, fosse um ato de impostura, e desse modo forneciam o motivo para a demissão sumária.
Dessa referência a alguns maus jornalistas do passado não se deduza que eles formavam mais que um grupelho, em cada Redação, representando o anverso da medalha, em oposição aos muitos profissionais honestos, aos articulistas de talento, aos idealistas intransigentemente fiéis.
Os aproveitadores podiam ingressar com facilidade nas Redações,naquele tempo, pela razão principal de não existir uma fonte determinada onde os jornais fossem buscar o pessoal de que careciam.
A criação do Curso de Jornalismo veio atender, em parte, a esta necessidade, e cerca de duas décadas mais tarde, a lei de dezembro de 1969 deu ao referido Curso a responsabilidade exclusiva de preparar os profissionais da comunicação.
Aliás, a lei de 1969 é algo contraditória, porque, se por um lado faz concessões provisórias para a contratação de jornalistas não graduados, por outro lado revela-se excessivamente abrangente, quando estende até à função de revisor das provas uma tarefa de simples controle de qualidade a exigência do diploma universitário. Terá algum dia de ser alterada, nesse ponto.
O curso de Jornalismo serviu, entre outros fins, para recolher vocações e, assim, oferecer, desde cedo, preparo profissional àqueles que desejam fazer vida de imprensa. Por outra parte, o painel de disciplinas voltadas para os setores do jornal, do aspecto gráfico ao aspecto gerencial, quis proporcionar uma aprendizagem rápida, variada e ampla, como não a poderiam obter, em anos e anos de permanência numa redação os jornalistas autodidatas.
Prestigiando o Curso, a lei de 1969 visou, ainda, a afastar da profissão a concorrência dos não-graduados e, por este meio, assegurar aos jornalistas militantes mercado certo de trabalho, com a percepção de salários condizentes conseqüência que, por sinal, já era vislumbrada pelos responsáveis pela instituição do curso e, na Bahia, anos mais tarde, pelos que o reorganizaram.
Resta saber se realmente se efetivou o principal objetivo de lei, isto é, se o Curso satisfez à importante missão que lhe foi entregue, de abastecer a imprensa de profissionais plenamente capacitados para o trabalho.
A resposta será, que ao menos no caso baiano, ele correspondeu parcialmente à expectativa, deixando, porém, boa porção de sua tarefa sem o esperado atendimento.
Não cabe aqui o exame das razões que concorreram e concorrem para o rendimento deficitário. Haverá quem deva fazer esse exame de consciência. Registre-se, no entanto, que do Curso de Jornalismo hoje chamado Curso de Comunicação, porém ainda prisioneiro de uma eclética Escola de Biblioteconomia e Comunicação tem saído excelentes profissionais, que hoje ocupam postos-chaves 
os diversos veículos, e nos quais, além da competência, dois atributos podem ser especialmente observados: o espírito profissional, na inteira dedicação à prática do jornalismo, e a correção com que se conduzem. Talvez que assim aconteça porque o jornalismo não é para eles um agasalho transitório, mas uma opção refletida permanente.
De lamentar é que o mesmo Curso, de que provieram elementos daquele teor, tenha facilitado o diploma a outros que, efetivamente, ainda não estavam em condições de receber o passaporte profissional. Estes últimos, já sem a assistência dos seus professores, têm de completar ardualmente a formação no dia-a-dia na reportagem quando conseguem ser admitidos. Em relação a eles, é forçoso reconhecer que o Curso foi deploravelmente descuidado.
Para a Redação da “A Tarde”, e também para outros departamentos deste jornal, têm vindo numerosos graduados.
Homens e mulheres. Que já formam, atualmente, a maioria da população redacional. Capazes, ativos, imaginosos, firmes nas opiniões, sua rumorosa presença confere à redação nova vivacidade. Com seu espírito crítico a sua mentalidade de mudança, mas respeitando a experiência e o equilíbrio dos mais antigos, representam a aragem de renovação periodicamente exigidas pelas instituições que não envelhecem, e que conseguem isto justamente porque confiadas às gerações que se sucedem: como é o caso deste jornal, quando atinge,com a mesma vitalidade, 66 anos bem vividos. "
Foto à esquerda dos repórteres Zoraide Vilas Boas, Antônio Alfredo Castro e Tito Lívio.
Foto à direita Pinheiro Cal, editor internacional;Jeremias Macário, repórter de Economia e Heloísa Sampaio, chefe do Setor de Diagramação e Arte do Departamento de Publicidade.
                                             


                               OS QUE VIERAM DO CURSO

Diplomados em Jornalismo, pela UFBA, e outras universidades brasileiras que mantém aquele curso, pertencem hoje aos quadros de “A TARDE”.

ANA MARIA VIEIRA,                                       MARIA HELENA LEAL COSTA,
ÂNGELA MARIA BARRETO,                          MARIA ISABEL DOS SANTOS,
ANTENOR BARRETO,                                    MARIA JOSEFA ALONSO CATELA,
ANTÔNIO JOSÉ DOS SANTOS FILHO,        MARIA LÚCIA BERBERT DE CASTRO                               
ANTÔNIO RAIMUNDO,                                MARIA DAPENHA BENEVENUTO,
AZIMONETE SANTANA,                              NEUZA SENA FERREIRA,
CELESTE AÍDA SAMPAIO SILVA,              RAIMUNDO MARINHO,
CORA MARIA TAVARES DE LIMA,              REBECA SCATRUT,
ELIEZER VARJÃO,                                        REGINA TESTA,
ELIZETE RODRIGUES DOS SANTOS,         REYNIVALDO BRITO,
GENÉSIO RAMOS,                                        RUBENS NEWTON,
GRÁCIA MARIA NASCIMENTO,                 SANDRA VENTURA REGIS,
GUIOVALDO MONTEIRO,                           SELMA MORAIS,
HELOÍSA SAMPAIO,                                    SONIA ARAÚJO,
JEREMIAS MACÁRIO,                                  TITO LÍVIO 
JOSALTO ALVES,                                         ZORAIDE VILASBOAS.
JOSEMÁRIO LUNA,                                        São estudantes do Curso de
JOSÉ OLYMPIO DA ROCHA,                        Comunicação da UFBA:
JUNOT SILVEIRA,
LÍCIO FERREIRA,                                         ADILSON BORGES DOS SANTOS,
LUIZ AUGUSTO GOMES,                             ADILTON FRANÇA,
LUIZ EDUARDO DÓREA,                            ANTÔNIO ALFREDO DE CASTRO,
LUIZ MANOEL GUIMARÃES,                    ARIEVALDO DONATO
MANOEL PINHEIRO CAL,                           FERNANDO DAVID SOARES,
MARCO ANTÔNIO B. MOREIRA,               JOSÉ ADROALDO ANTUNES,
MARGARIDA CARDOSO SOARES,            JOSÉ DA PAIXÃO,
MARIA ÂNGELA BOTELHO,                      JOSÉ WELLINGTON 
MARIADAS GRAÇAS FILADELFO,             ROGACIANO MEDEIROS 
                                                                       ROSALVO DO ESPIRITO SANTO
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