Objetivo


segunda-feira, 11 de junho de 2012

ARTES VISUAIS - MUSEUS PRECISAM FAZER CHEGAR CULTURA AO POVO

ARTES VISUAIS
A TARDE 16 DE SETEMBRO DE 1972
Texto Reynivaldo Brito

"Os museus brasileiros, principalmente os do Nordeste constituem, apenas, uma espécie de depósitos de objetos de artes ", esta declaração foi prestada no mês passado pelo professor Valentin Calderon, da Universidade Federal da Bahia e que agora assumiu o cargo de Diretor do Museu de Arte Sacra da Bahia.
O Museu de Arte Sacra da Bahia, foto ao lado, conta com obras sacras importantes.
“Disse ainda “que  a maioria dos museus brasileiros, não tem conseguido estabelecer as menores condições de exercer qualquer atividade que resulte em benefício da comunidade e do próprio museu”. Acredita o Sr Valentin Calderon que os Museus devem ser centros de pesquisas, centros científicos regidos pelas mais apuradas e modernas técnicas de comunicação, de modo a que o visitante de cultura média possa auferir deles por mais curta que seja sua visita, um aumento de seus conhecimentos”.
Acontece que os museus estão realmente em crise. Qualquer estudioso das artes em geral quando fala de museu faz restrições, afirmando que são: estáticos, parados.
A verdade é que os museus estão distanciados do público. Se for efetuado um levantamento estatístico das pessoas que visitam os museus chegar-se-á a conclusão que são turistas que muitas vezes vão a esses centros de cultura pela simples obsessão de conhecer suas instalações. Pouco apreendem porque o tempo que passam visitando suas peças quase sempre é restrito. Os museus devem ser dinâmicos.
A propósito a arquiteta responsável pelo projeto do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Lina Bardi declara que prefere centros culturais mais atuantes, mais dinâmicos e mais a altura da época moderna. ´

                                          MUSEU REGIONAL

Os técnicos da UNESCO, Srs. Jean Faviere e M. Gabus, estão fazendo um levantamento da situação atual dos principais museus do País em especial os museus regionais com vistas a encontrar uma solução viável para dinamizá-los.
Os problemas enfrentados pelos museus brasileiros são vários. Sabemos que a falta de verba é comum entre eles. Baseado neste princípio é que interrogamos o professor Valentin Calderon, sobre o que espera realizar no MAS.
É de conhecimento de todos que a Universidade Federal da Bahia apresenta atualmente uma crise financeira e que a captação de recursos para o Museu de Arte Sacra será é uma missão quase impossível. Será que por obra do destino o professor, que fez críticas aos museus do Nordeste ficará calado e de braços cruzados?
O caminho para os museus do Brasil seria a exposição de suas peças fora de suas instalações, quase sempre fechadas entre muros. Assim os estudantes teriam oportunidade de conhecer as peças e aprenderam alguma coisa. Os museus seriam, então, uma espécie de exposições volantes.
Recentemente, foi montado no Teatro Castro Alves o “ Museu de Arte Didacta” que é uma colocação de reproduções de pintura e escultura com o objetivo de desempenhar a função cultural e educativa de um museu. Embora o resultado até agora não tenha sido satisfatório porque passou vários dias no “foyer” do TCA e o número de visitantes foi relativamente baixo, se constitui num primeiro passo para a abertura de um museu para o grande público.

                                   TRABALHO NAS ESCOLAS

Os maiores culpados do desconhecimento total ou parcial de nossos museus são os professores, que em suas aulas não fazem qualquer alusão às obras de artes diretamente ligadas a determinados assuntos que ensinam. Eles não falam ou comentam esta ou àquela obra de arte porque também não foram devidamente orientados por seus ex-mestres. A ignorância, portanto, cai num círculo vicioso. Os professores pouco conhecem os museus, e assim os estudantes concluem o primeiro e segundo graus até a Universidade sem conhecer um só museu.
Por sua vez, os dirigentes os museus também ficam de braços cruzados ou simplesmente fazem críticas assumindo uma posição muito cômoda. Ao contrário, deviam utilizar suas energias visitando as escolas e convocando professores e alunos para visitar esses centros culturais.
Os museus brasileiros também não oferecem a seus visitantes qualquer conforto. O Museu do Carmo, (Foto) por exemplo, não se dispõe de guias devidamente instruídos para orientar o visitante. Lá você encontra dois garotinhos que repetem diariamente, alguns detalhes sobre esta ou aquela obra. Se uma perguntinha lhe for feita fora daquele catecismo eles não sabem responder. Outra coisa, não existe nenhuma publicação acerca das peças expostas. O visitante vai lá e é impossível aprender tudo em poucos minutos.

                                           EMPRESA PRIVADA

Na maioria dos países a empresa privada sempre tem uma participação ativa na vida cultural. Acontece que no Brasil as empresas privadas ainda não pressentiram que também têm responsabilidades para com a cultura do povo.
Jogam o problema simplesmente para o ar: “Isto é um problema do Governo”. Esquecem os industriais e administradores que, à medida que a cultura de nosso povo for sendo melhorada, eles também serão os beneficiados.
O Diretor do Museu da Arte Moderna da Bahia , Sr. Renato Ferraz, declarou recentemente a um jornal carioca que “os museus necessitam de um esquema financeiro sólido para transformar-se em centro de convergência e assim abrigar as manifestações artísticas. Acontece que a empresa privada se nega sistematicamente a qualquer ajuda para empreendimentos culturais (vejamos o caso da Orquestra Sinfônica, que já perdeu muitos músicos).” A explicação encontrada para esta posição é que não existe tradição. Só agora uma empresa baiana de construção iniciou-se neste campo incentivando alguns artistas. Seria o primeiro passo?

Quanto à discussão de que o ingresso aos museus deveria ser gratuito, não concordo. Se fosse gratuito como advogam alguns, estariam vazios do mesmo jeito. O cinema, o futebol e outros espetáculos cobram ingressos superiores aos museus e, no entanto, vivem lotados de gente. O problema é de estrutura e como tal os dirigentes desses centros de cultura devem arregaçar as mangas em busca de soluções. Este negócio de sentar numa poltrona confortável, colocar uma tabuleta de acrílico com a inscrição “ Diretor,” cruzar as pernas e ler as correspondências enviadas por outras instituições é muito cômodo e tão exótica quanto o próprio órgão que dirige e que não atinge suas finalidades.
Vemos acima o imponente conjunto arquitetônico do Solar do Unhão onde fica localizado o Museu de Arte Moderna da Bahia,necessita promover mais eventos voltados para conquistar o público jovem.








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