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quinta-feira, 28 de junho de 2012

POLÍTICA - GEISEL: PORTO DO MALHADO SERÁ MAIS UM PÓLO DE EXPORTAÇÃO

POLÍTICA 
A TARDE QUARTA FEIRA, 12 DE DEZEMBRO DE 1973.



(Ilhéus - Enviados especiais Reynivaldo Brito e de fotos Carlos Catela) 
Manifestando contentamento por verificar pessoalmente o estágio de desenvolvimento em que se encontra a Região Cacaueira e por constatar as suas “excelentes potencialidades” o General Ernesto Geisel percorreu, ontem, em Ilhéus as fazendas Mucambo e Santa Rita, consideradas modelo pela Ceplac, depois de ter visitado o Porto de Malhado, quando prometeu ao Superintendente, Almirante Aurélio Linhares, “todo apoio para a transformação daquele terminal em pólo de exportação”.
O futuro Presidente da República, que chegou às 7h50m a Ilhéus, em avião especial da FAB, iniciando sua segunda viagem de estudos pelos estados brasileiros, pernoitou em Itabuna, nas instalações do Centro de Pesquisas do Cacau, e hoje percorrerá o campo de experimentação e os laboratórios daquela unidade da Ceplac. Na foto um técnico da Ceplac explica ao General Geisel o projeto de seringueira na região.

                                                   NO PORTO

Durante sua rápida visita ao porto do Malhado, aonde chegou às 8h10m, o General Ernesto Geisel ouviu do Almirante Aurélio Linhares explicações pormenorizadas das dificuldades que vem enfrentando para transformá-lo em um pólo de exportação. Ao término das explicações, o futuro Presidente da República afirmou ao Superintendente do Porto: “Não se preocupe, que dentro de pouco tempo este porto estará em condições de desempenhar o seu grande papel no desenvolvimento desta região”.
A comitiva deixou Malhado às 8h35m, depois de visitar os grandes armazéns, onde o futuro Presidente da República, dirigindo-se a um caminhão carregado com sacas de cacau, retirou uma baga e formulou algumas perguntas sobre seu plantio, produção e beneficiamento.
Na foto, acompanhado do Superintendente do Porto de Malhado o General Ernesto Geisel percorreu as instalações e formulou várias perguntas.

                                                     NA FAZENDA

Em seguida, a comitiva dirigiu-se para a Fazenda Santa Rita, onde presenciou cinco operários pisoteando bagas de cacau “para separar e melhorar a aparência”, segundo explicações do proprietário.
O General Ernesto Geisel perguntou: “O que estão fazendo com a casca do cacau ?”. Todos quase que responderam ao mesmo tempo. “Estamos jogando fora”. “O pior é que a casca, que pode ser industrializada, está sendo jogada fora e ainda existe o perigo de transmitir a podridão parda”, acrescentou o Secretário Geral da Ceplac, Sr. José Haroldo.
O General insistia : “ quantos dias são necessários para o cacau secar nessas “barcaças”?( local onde se coloca as bagas para a secagem e pisoteamento) o técnico respondeu-lhe:“Uns cinco dias, tendo sol”.
Ainda na fazenda Santa Rita, o futuro Presidente  do Brasil visitou o local onde o cacau é aberto para retirada das bagas e dirigiu-se após a casa sede, para um ligeiro descanso. Depois de cerca de 20 minutos, a comitiva deixou a fazenda Santa Rita com destino ao Instituto de Tecnologia e Química da Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira – Emarc , que funciona no município de Uruçuca.

                                                                  NA ESCOLA

A Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira , mantida pela Ceplac é um estabelecimento do segundo grau e nela estão agora implantando a reforma do ensino de acordo com as determinações do Ministério da Educação.
Na Emarc, o General Ernesto Geisel visitou um campo pecuário de experimentação quando lhe foram apresentados diversos espécimes bovinos provenientes de inseminação artificial. O General fez questão de saber detalhes e a idade de todos os garrotes e novilhas expostos.
No Instituto de Tecnologia e Química provou um tablete de biscoito de mandioca fabricado por aquela unidade da Ceplac. Ouviu explicações detalhadas de todo o processo de beneficiamento do cacau e outras frutas como goiaba, laranja, etc. Ali são feitas tortas, geléia de cacau e de goiaba.
Um detalhe que não passou despercebido ao General Geisel foi o não funcionamento de uma máquina que se assemelha a um grande tacho, com fundo duplo  e que serve para a concentração de doces. Ele quis saber a razão de não estar funcionando e o operário respondeu-lhe : ' é porque a máquina custou em torno de Cr$18 mil e são necessários de Cr$23 mil a Cr$25 mil para colocá-la em funcionamento." O futuro Presidente acrescentou: “Mas é preciso que ela funcione”.

                                                              SERINGUEIRA

Foi também visitado um pequeno campo de experimentação, onde alguns lavradores estavam recebendo aulas sobre o corte da seringueira, para a colheita do látex. Este pessoal treina durante duas semanas, num total de 80 horas , e em seguida está apto para trabalhar em fazendas de seringueira. O General ouviu as explicações e indagou? : “Vocês fornecem algum certificado do curso a esses rapazes? " Obteve resposta afirmativa.
Além de conhecer as seringueiras cultivadas na Emarc, foram-lhe  mostradas algumas lâminas de borracha defumada, que são exportadas por produtores da região. O responsável pelo projeto pediu ao Governador Antônio Carlos Magalhães que segurasse uma lâmina e esticou a outra extremidade, querendo provar a sua elasticidade e durabilidade.

                                                              PESQUISA

O futuro Presidente da República chamou atenção dos técnicos da Ceplac para a realização de pesquisas que tenham aplicação imediata. Disse ele que existe um período muito grande quanto a isto, porque a pesquisa custa muito dinheiro e por esta razão não pode ser desperdiçada.
Falou, também, sobre a necessidade de se tomar algumas providências, visando diminuir a praga,que ataca a seringueira:  “ como já existe fungicida, é preciso inventar um aparelho capaz de espalhar este remédio. A seringueira é uma árvore de grande importância para o desenvolvimento do país”, frisou.
Ao visitar um barracão da Emarc, onde alguns pedreiros estavam sendo treinados para a construção de  "barcaças”  e outros imóveis próprios para o beneficiamento do cacau, o técnico informou-lhe que existe um “ déficit de 7 mil barcaças na região, todas de 72 metros.Ficamos três anos sem receber financiamento do Banco do Brasil e isto nos atrapalhou”.
Sobre a mão-de-obra , disse : “ Estamos, atualmente empregando 80 mil operários e o aumento atual é em torno de 16 mil. Por estas razões estamos dando especial atenção ao treinamento de mão-de-obra, que atinge a 12 mil operários por ano”, concluiu o técnico.

                                                          ALMOÇO

Depois a comitiva seguiu para o refeitório da Emarc,onde ia ser servido o almoço. Nessa oportunidade , ofereceram uma dose de uísque ao General Ernesto Geisel, que não aceitou, porque sua religião não permite. Por esta razão, poucos aceitaram.
O futuro Presidente almoçou salada, galeto a parmeson e espaguete a La creme e tomou um chocolate. Às 13 horas, a comitiva deixou a Emarc e 30 minutos depois estava na Fazenda Mucambo onde foi recebido pelos industriais do Grupo Joaquim de Carvalho , que lhe convidaram para percorrer as instalações de uma fábrica de luvas e bolas de soprar. O General mostrou-se impressionado com o pioneirismo da fábrica, que fica situada dentro de uma imensa fazenda onde não existe infra-estrutura adequada. A estrada é de barro batido, o que dificulta o transporte da matéria prima,de operários e dos produtos. Os industriais queixaram-se da falta de um posto do INPS no município de , para atendimento dos 550 operários da fábrica Mucambo e seus dependentes.

                                                         POLÍTICOS NÃO

Um detalhe que chamou a atenção de todos os presentes foi a ausência de políticos acompanhando a visita do futuro Presidente à Região Cacaueira. Apenas algumas autoridades como o Governador Antônio Carlos Magalhães, o Prefeito de Ilhéus, Sr. Ariston Cardoso, e o Secretário Geral da Ceplac, Sr. José Haroldo, integravam a comitiva.
Durante a visita aos diversos locais não houve sequer um discurso ou qualquer formalidade. O próprio General Ernesto Geisel estava vestido discretamente com uma camisa bege clara, de mangas compridas, e calça cinza. Quando o sol estava muito quente colocava um, boné para proteger-se.

                                                        VISITAS DE HOJE

Hoje, o General Ernesto Geisel visitará os campos de experimentação da Ceplac e os seus laboratórios de pesquisas e receberá informações detalhadas dos projetos ali desenvolvidos.
Sua partida para Paulo Afonso está prevista para as 15 horas. Lá chegando, descansará, para à noite visitará a Cachoeira de Paulo Afonso, irá também à Petrolina ver o Projeto Bebedouro, de responsabilidade da Superintendência do Vale do São Francisco, e observará as plantações experimentais de melões e uvas.





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