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quinta-feira, 19 de abril de 2012

VIOLÊNCIA - ASSASSINOS DE MEHU SÃO CONDENADOS, MAS O MANDANTE DO CRIME NADA SOFRE

Revista: Manchete 22 de Julho de 1978
Foto Lázaro Torres
Nem as falhas primárias constatadas no inquérito realizado pela polícia baiana sensibilizaram os jurados, que, por unanimidade, condenaram a semana passada, em Salvador, os assassinos do Embaixador Delorme Mehu, do Haiti. O diplomata foi morto no dia 3 de julho de 1977, na capital baiana, pelos marginais Geraldo Pereira dos Anjos e Israel Mota da Silva, a mando de Jean Eduardi Mackenzie, à época secretário da representação diplomática haitiana em Brasília. Os assassinos afirmaram, inicialmente, que não se lembravam, em detalhe, do que havia ocorrido no dia do crime. Mas, com o correr do depoimento, o carpinteiro Geraldo Pereira dos Anjos informou que se encontrara com Mota numa cantina da zona sul de Brasília, quando foi consultado sobre se aceitaria matar um homem. Relatou, a seguir, seu contato com Mackenzie, que lhe explicou que a pessoa a ser eliminada era um homem comum e sua intenção de liquidá-lo se devia às perseguições e humilhações sofridas em seu ambiente de trabalho. O diplomata garantiu ainda que lhe daria toda a cobertura e acertaram por fim o preço da empreitada. Juntamente com Mota, ele foi embarcado então para Salvador, onde o Embaixador Delorme Mahu passaria, como de hábito, seu fim de semana.

O CRIME

 Os assassinos localizaram Mehu nas proximidades de um bar, no bairro do Rio Vermelho, cabendo a Mota – que fazia pequenos serviços na sede da representação haitiana, em Brasília – identifica-lo. Quando, às 11h30min do dia 3 de julho de 1977, Mehu deixou o Hotel Meridien para beber uma água de coco no Bar Pinho, Pereira o abateu com dois tiros. Logo após tomou um táxi, em companhia de Mota, na tentativa de fugir, mas acabaram sendo cercados e presos por populares. Enquanto Pereira e Mota eram julgados e condenados em Salvador, círculos diplomáticos assinalavam, em Brasília, que a sorte do ex-secretário Robert Mackenzie era bem mais amena. O mandante do crime fora conduzido para seu país por dois emissários do governo do Haiti. Até o momento, entretanto, Porto Príncipe não divulgou qualquer informação sobre o destino de Mackenzie, que teria amizades influentes nos círculos dirigentes do governo Duvalier.
Na foto acima Pereira e mota enfrentam a ação da Justiça, em Salvador.
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