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sexta-feira, 6 de abril de 2012

RELIGIÃO - MADRE TERESA DE CALCUTÁ: HÁ TAMBÉM POBREZA DE AMOR


Revista Manchete
28 de julho de 1979.
Foto de Carlos Santana
Madre Teresa de Calcutá

“A pobreza está em toda a parte e onde ela existe eu gostaria de estar para atender aos necessitados. Na Índia e na África há muita pobreza material, mas no Ocidente encontrei um outro tipo de pobreza ao lado dessa : a pobreza do amor, a falta de reconhecimento do ser humano como pessoa”.
Quem assim fala é Madre Teresa de Calcutá que esteve em Salvador para fundar uma de suas missões no bairro de Alagados, onde vivem mais de cem mil pessoas em total promiscuidade, em casas de palafitas construídas sobre a lama apodrecida do mangue. Foi ali que a famosa missionária sentiu mais uma vez a diferença cada vez maior entre pobres e ricos nos países em desenvolvimento como o Brasil.

“Não nos cabe mudar estruturas . Há pessoas que têm essa missão. O nosso objetivo é outro: atender às necessidades do momento, dando amor e comida aos pobres. Mudar a sociedade é missão para outro tipo de gente”.

Com 69 anos , ela dedicou a maior parte de sua vida aos pobres e evita qualquer tipo de abordagem política. Madre Teresa apareceu, recentemente , na capa de um livro ( A alegria da doação) conversando com Dom Hélder Câmara.

"O que Dom Hélder está fazendo é lutar contra a violência, e isso eu não poderei fazer. Mas em compensação, ele também não pode fazer o tipo de trabalho a que me dediquei. Como disse , cada qual faz o que pode e o que deve, em seu campo de ação”.

Ela própria conta trechos de sua vida. Aos 12 anos , vivia com seus pais em Skopje, na Iugoslávia, estudava numa escola que não era católica, mas sempre mantinha contato com os religiosos. Em 1922, decidiu dedicar-se aos pobres e foi nessa época que um grupo de iugoslavos, padres e freiras, resolveu partir para exercer o apostolado na Índia.

“Soube que as irmãs de Loreto, uma congregação irlandesa que tomou o nome da Abadia de Loreto, de Rathfarnham, perto de Dublin, trabalhavam em Calcutá e em outras cidades da Índia. Ofereci-me para a missão de Bengala e de lá finalmente me mandaram para a Índia, em 1929. Fiz os votos temporários em 1931 e os perpétuos em 1937. Lecionava em Loreto e muitas de minhas alunas fazem parte agora da congregação que fundei e que já conta com 155 comunidades, sendo 95 na Índia e 65 espalhadas pelo mundo.

Madre Teresa conta como se deu seu chamado: “Foi numa viagem de trem, entre Calcutá e Darjeeling onde ia fazer um retiro espiritual. Ouvi o chamado para largar tudo e atender aos pobres. Para isso precisei da licença das autoridades eclesiásticas, o arcebispo de Loreto e a madre-geral das Irmãs de Loreto, que me deu licença para escrever ao Papa Pio XII. Em 12 de abril de 1949 recebi autorização papal e parti para minha missão. Fiz um curso de enfermagem em Patna, reunir algumas crianças e comecei a ensinar o alfabeto .

Em 1952 ela inaugurava a primeira Casa dos Moribundos, num templo dedicado à deusa Kali, que é adorada pelos hindus. Houve reação dos sacerdotes da deusa, que consideravam o templo profanado pelas atividades de uma freira católica. Mas os problemas foram contornados.

Madre Teresa esteve em Salvador , a convite do Cardeal Dom Avelar Brandão Vilela, para instalar a primeira comunidade das Missionárias da Caridade em terra baiana. Sua estada foi breve: ela partiu dia 17 , deixando na Bahia quatro membros de sua fundação, sendo 3 indianas e uma americana. Dom Avelar Brandão diz que Madre Teresa de Calcutá é uma das personalidades mais conhecidas do mundo, já tendo sido indicada para o Prêmio Nobel da Paz e recebido os prêmios Templeton, em 1973, das mãos do Duque de Edimburgo, e o João XXIII da Paz, das mãos de Paulo VI. Já foi capa do Time em 1975. Sua obra – ainda segundo o cardeal-primaz – não se confunde com as instituições filantrópicas comuns, pois seus objetivos são mais profundos e amplos.



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