Objetivo


segunda-feira, 16 de abril de 2012

CARNAVAL - UM CARNAVAL EM RÍTMO DE COPA

Revista Manchete 06 de Março de 1982



A decoração oficial da capital baiana inspirou-se na próxima Copa do Mundo, com seus  símbolos e atrações. A figura de um jogador com a camisa 10 teve homenagem especial.

Durante cinco dias, cerca de dez quilômetros de ruas e avenidas do centro de Salvador transformaram-se num grande clube popular, reunindo milhares de pessoas. Era o típico carnaval baiano, com seu informalismo, seus afoxés e blocos característicos e seus dez trios elétricos jorrando música acompanhada aos saltos pelo povo. São os dias em que o status social é posto de lado e todos esquecem suas tristezas, numa democrática explosão de alegria. Uma explosão em que, apesar do entusiasmo, tudo transcorreu tranquilamente graças à atuação da Prefeitura de Salvador e da Bahiatursa.

Apesar das chuvas que caíram insistentemente, o folião baiano compareceu em massa às ruas e aos clubes – ao Baiano de Thenis, ao Yatch Clube, a Associação Atlética, ao Clube Português da Bahia. Muitas jovens usavam shorts curtíssimos, colombinas e improvisadas havaianas. Na sexta-feira, o Bahiano de Thenis vibrou com o impulso entusiasmado de seu jovem presidente, André Maron.
“Foi o maior baile popular, a maior manifestação de rua de todos os tempos”
E a folia foi total no Clube Português, com seu presidente Jaime Valverde, e na Associação Atlética, sob o comando de Nílton Silva.
Às vésperas do carnaval, uma surpresa: o tradicional trio elétrico de Dodô e Osmar aceitou contrato para tocar fora de Salvador – e acabou capotando na estrada. Mas os demais trios – Trás os Montes, Tapajós, Novos Baianos e outros – não deixaram a peteca cair e derramaram alegria por onde passaram. A decoração de 82 superou a dos anos anteriores. Executada por uma equipe de professores e estudantes da Escola de Belas Artes, ela foi para a rua após ter vencido o concurso promovido pela Prefeitura local e Bahiatursa, tendo por base escudos e símbolos da próxima Copa Mundial de Futebol. A Taça Jules Rimet viu-se representada numa grande estrutura, cercada de decoração especial, no centro da cidade.
Gilberto Gil, há poucos anos falando em suas letras dos Filhos de Ghandi, tirou da crise os afoxés em Salvador, um dos belos grupos desse folclore carnavalesco. E, satisfazendo a todos os turistas, não faltou o desfile dos próprios Filhos de Ghandi, logo após a massa dos afoxés. Vieram Badauê, Filhos de Ghandi e Ilé Obá. Outros afoxé, quase tão antigo quanto o dos Filhos de Ghandi, e que também guarda os valores tradicionais da raça negra, era o Império da África, muito citado e respeitado pelos estudiosos do sincretismo afro-brasileiro. E depois vinham, aos montes, apaches, bororós, comanches e tupis. “Foi a maior manifestação de rua de todos os tempos, o maior baile popular do mundo”, declarou o presidente da Bahiatursa, responsável pela ótima organização da folia, Paulo Guadenzi. “Devemos estimular este carnaval”, prosseguiu – “para que ele não perca a sua espontaneidade. Por isso, não podemos ser rígidos demais”. E prometer mais alegria para 83.
O Prefeito Renan Baleeiro acompanhou de perto a animação das ruas e mostrava-se satisfeito com toda a estrutura de apoio ao carnaval.















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