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terça-feira, 17 de abril de 2012

RELIGIÃO - ECONOMIA - COMÉRCIO NAS IGREJAS


Revista Manchete 17 de dezembro de 1977
Foto Lázaro Torres
As igrejas com novo faturamento em Salvador. Isto porque as esmolas acabaram.


Para enfrentar problemas econômicos, os padres, na Bahia, adotaram uma solução original: passaram a afixar na porta das igrejas placas de cartórios, escritórios e casas comerciais, que funcionam no seu interior, o que contraria as normas do Instituto do patrimônio Histórico e Artístico nacional. Além do uso indevido das fachadas e dependências de igrejas como a da Piedade, Corpo Santo e São Domingos, o centenário Convento do Carmo foi arrendado a uma companhia hoteleira, que partiu para modificações insólitas numa casa religiosa, como a construção de áreas de lazer.
Ali - onde os austeros frades carmelitas rezavam em seus breviários -, são vistas, hoje, alegres mulheres de tanga banhando-se na piscina.
Na igreja da Piedade, foi instalada uma butique; na igreja do Corpo santo, funciona uma tabacaria e vendem-se frangos abatidos e doces, enquanto na igreja de São Domingos se instalaram um cartório, um laboratório fotográfico e uma firma exportadora.(foto)
Frei Benjamim, da igreja da Piedade , tem uma explicação curiosa para a inovação: “Como atualmente ninguém dá mais esmolas, decidimos aproveitar as dependências vazias da igreja para gerar recursos”.

EXPLICAÇÕES
O Prior Inácio Ferreira Viana diz que o fato de funcionarem estabelecimentos comerciais na Igreja de São Domingos não prejudica as atividades religiosas do templo. “Além disso – informa Viana -, estamos empregando o dinheiro dos aluguéis na manutenção de alguns irmãos idosos e na conservação da igreja”. Enquanto Frei Benjamim observa bem-humorado que a campanha dos jornais tem até favorecido os negócios da Butique Unissex Piedade, a Igreja do Corpo Santo tem um movimento incomum: os baianos vão lá comprar aves abatidas, tirar fotografia, reconhecer firmas e tomar cerveja na lanchonete.

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