Objetivo


segunda-feira, 9 de abril de 2012

EMANCIPAÇÃO DA MULHER - O VOTO ABERTO À MULHER NA IRMANDADE



Depois de 342 anos sem direito a voto para cargos de direção na Venerável Ordem Terceira de São Francisco, uma das mais rígidas da Bahia, as mulheres integrantes da irmandade já podem aspirar à presidência e outras funções importantes. Essa decisão foi tomada na semana passada pelos irmãos depois de parecer, favorável à abertura, dado pela comissão constituída por três advogados especialmente nomeados para estudar o assunto. Na realidade, as irmãs da Ordem Terceira já vinham ganhando terreno há algum tempo. Com a aprovação da nova constituição da irmandade em 16 de setembro de 1967, o número de mulheres aumenta e, hoje, elas constituem maioria dentro da instituição.

Tradicionalistas

 A Venerável Ordem Terceira de São Francisco, fundada em 13 de setembro de 1635, com o objetivo de transmitir os ideais franciscanos e promover campanhas sociais, é uma das muitas irmandades que funcionam na Bahia. Elas são consideradas tradicionalistas na medida em que mantêm as severas normas que remontam ao Brasil-Colônia. As mudanças agora verificadas vêm atender ao que determina a nova lei interna da irmandade, mas somente há uma semana entraram em vigor. De acordo com a Constituição revogada em 1967, a mulher não tinha direito a voto e não podia ascender a qualquer cargo diretivo. Com a reformulação de 16 de setembro de 1967, o Artigo 32 da nova lei orgânica delegou “poderes a irmãos para participarem do governo por voz ativa e passiva, exceto os que forem pensionistas e empregados da Ordem”. Daí as mulheres pertencentes à Ordem, entre as quais várias advogadas, começarem a reclamar uma participação maior em suas deliberações, tendo em vista que o Artigo 32 não faz qualquer alusão ao problema de sexo. Chamada a se pronunciar, a comissão especial encarregada da interpretação do regimento interno disse que as mulheres já podem disputar com os homens os cargos de direção da Ordem. O atual presidente da Irmandade, Cassiano Marques dos Santos, vê com naturalidade o novo estado de coisas: “As mulheres têm assegurado o seu acesso a todos os níveis do processo eleitoral brasileiro. Por que deveria manter-se excluída do nosso?”


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