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sexta-feira, 13 de abril de 2012

CIDADE DE SALVADOR - SAÚDE - NOVO SURTO DE LEPTOSPIROSE MATA NA BAHIA





Revista Manchete 10.06.1978
Foto Waldir Argolo

SAÚDE PÚBLICA



Devido à falta de saneamento básico, especialmente nos bairros populares localizados na periferia da cidade, oito pessoas morreram e cerca de vinte estão internadas no Hospital Couto Maia, em Salvador, vítimas de leptospirose, doença que se caracteriza por uma febre alta e hemorragias. A incidência dos casos de leptospirose, que é transmitida pelos ratos, está preocupando as autoridades sanitárias baianas, que já providenciaram o aumento do número de leitos no único hospital existente em todo o estado para tratamento da doença. Não obstante, quando começaram a surgir os primeiros casos, noticiados pela imprensa de Salvador, algumas autoridades tentaram minimizar a sua importância, afirmando que se tratava de ocorrências normais, ao mesmo tempo em que negavam qualquer surto.

Os casos foram aumentando, entretanto, e hoje, a incidência é uma das preocupações dos setores de saneamento e saúde em Salvador. Em consequência, está sendo intensificada em toda a cidade uma campanha de esclarecimento, paralelamente à distribuição de iscas (pequenos pedaços de pão misturados com veneno em pó), com a finalidade de combater os ratos que estão proliferando na cidade. Até agora foram distribuídas mais de um milhão de iscas, mas os ratos continuam infestando a capital baiana, saindo à noite de terrenos baldios e velhos casarões, onde se localizam os seus principais habitats.

NÃO PODE ACABAR

Para alguns especialistas, é impossível exterminar os ratos em Salvador. O próprio chefe da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde Municipal, Guilherme Coelho, considera a tarefa impraticável, enquanto o médico Jobir Brasileiro, da mesma pasta, observa que o maior entrave ao extermínio é a topografia da cidade, que não ajuda a limpeza, e as encostas de Salvador. A isso somam-se as chuvas que têm caído constantemente sobre a capital baiana nas últimas semanas.

CONSELHOS


Os sanitaristas dão alguns conselhos: a população deve evitar pisar em esgotos descobertos e valas , beber qualquer refrigerante ou cerveja pelo gargalho. Os quintais e terrenos baldios também devem ser constantemente varridos. Simultaneamente, o governo municipal dá esclarecimento sobre a natureza e origens da doença que no momento atemoriza os baianos. A leptospirose é transmitida principalmente pela ratazana, denominada cientificamente rattus novergicus, o maior tipo de rato urbano conhecido e o mais perigoso. A sua urina é que provoca a doença, e os veículos mais frequentes de transmissão são as valas, onde as pessoas podem ser contagiadas através do contato. A leptospira terohaemorragiae – como se chama o germe – atravessa a pele sem que a vítima perceba, atingindo então o fígado e os rins. Dependendo do comportamento dos rins, a doença se agrava e o paciente passa a sofrer de sérios problemas fisiológicos. Em geral, somente depois de quinze dias de contaminação é que começam a aparecer os sintomas da enfermidade. O diagnóstico clínico tem de ser confirmado pelos exames laboratoriais, com o encontro da leptospira no sangue, na urina, no líquido cefalorraquidiano, ou com inoculação em cobaias. Os sanitaristas, ao divulgarem essas informações de caráter técnico, lembram que este não é o primeiro surto da doença em Salvador. Todos os anos, no período de chuvas mais intensas, constatam-se casos de leptospirose. Mas as autoridades só se mobilizam no quadro das providências diretas quando surgem os óbitos. “Enfrenta-se, então, o problema da falta de condições sanitárias e de muito lixo nas ruas e terrenos baldios de Salvador”, dizem os técnicos baianos.

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