Objetivo


quarta-feira, 9 de maio de 2012

CIDADE DE SALVADOR - AS MÁGOAS DE UM VELHO CAPOEIRISTA

Revista: FATOSeFOTOS GENTE, 28 de Abril de 1980
Foto Arestides Batista
MESTRE PASTINHA
O maior capoeira do país, Vicente Ferreira Pastinha – o Mestre Pastinha – ,está com 92 anos de idade, cego e sem o seu famoso Centro Esportivo de Capoeira Angola que fundou em 1941 e que desapareceu com as obras de restauração do velho casarão, hoje ocupado por um restaurante-escola do Senac. Cego e debilitado devido a um enfarte, o Mestre Pastinha está vivendo num quartinho insalubre de outro casarão na Rua Alfredo Brito, no Pelourinho. Seu estado de saúde é precário. Solitário e desgostoso , ele relembra com tristeza as vitórias e os combates de que participou quando jovem com antigos capoeiras baianos. Carrega consigo o amargor do despejo forçado, quando teve que retirar seus pandeiros, berimbaus e os bancos de seu Centro Esportivo de Capoeira de Angola e amontoá-los num quarto de pouco mais de quatro metros quadrados.

Sentado num banquinho e sem enxergar Pastinho ouve o som do berimbau e relembra os velhos tempos.
Por não contribuir para qualquer instituição previdenciária e não ter um emprego, Pastinha vem passando uma série de dificuldades, as quais vêm aumentando á medida que sua idade vai debilitando as suas forças físicas. Cego, mas ainda lúcido, ele cita nomes de pessoas responsáveis pelo seu estado de abandono e exige pelo menos uma recompensa das autoridades baianas pelo trabalho por ele realizado enaltecendo o nome da Bahia e contribuindo com a cultura negra através da capoeira.
Recebe apenas uma pensão da Prefeitura Municipal, insuficiente para manter sua família e alugar uma casinha na periferia da cidade. Pastinha não pode muito. O pouco que necessita para continuar vivendo com dignidade ainda não foi providenciado. Assim, ele continua resmungando suas mágoas sentado num banquinho rústico de madeira no corredor de um sobrado colonial em ruínas no Pelourinho.

Nota:
Muitos que estudam a capoeira na Bahia não sabem mas esta  pequena pensão  que recebia da Prefeitura de Salvador foi conseguida através minha iniciativa, que procurei o então Seretário de Comunicação da Prefeitura, o jornalista  Oswaldo Gomes o qual se articulou com vereadores e lhe foi concedida.
 Romélia, sua companheira e defensora de seus direitos, aparece na foto acima ao lado do Mestre Pastinha. Ela era uma verdadeira guardiã deste mito da capoeira.




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