Objetivo


sexta-feira, 4 de maio de 2012

COMPORTAMENTO - COLUNISMO SOCIAL - ELES SABEM DE TUDO

COMPORTAMENTO



                                                         COLUNISTAS SOCIAIS

Muitos historiadores costumam citar Pero Vaz de Caminha como o primeiro colunista social do Brasil, por suas descrições dos costumes das gentes da então Ilha de Santa Cruz. Como nesta terra, em se plantando tudo dá, aí está a descendência do escrivão da frota de Cabral. Em suas colunas, eles mostram que em sociedade tudo se sabe. Sua profissão exige que estejam por dentro dos melhores potins e sua influência é capaz de lançar modismos.

JOSÉ RODOLPHO CÂMARA
Começando na revista que ele mesmo fundou, Chuvisco, na década de 50, José Rodolfo Câmara escreve hoje em Gente. Foi ele o idealizador de os Dez Brotos Mais Elegantes, que fazia sucesso no Golden Room do Copa, na época em que Betty Faria e Noelza Guimarães desfilavam em festas beneficentes.
Quando Yeda Vargas ganhou o Miss Universo, ele estava lá em Nova Iorque cobrindo o acontecimento. Fez dois bailes das debutantes no Palácio Guanabara, “com a primeira-dama e todos os ministros presentes”.Entre as debutantes- Djenane Machado, Suely Stambowsky e outras estava sua futura esposa Lúcia Maria, com quem teve três filhos.”atualmente, vivo para eles.

HILDEGARD ANGEL

Hildegard começou cedo, aos 19 anos, quando era assistenteda coluna de Nina Chaves. Foi evoluindo, partiu para uma coluna na Ùltima Hora e voltou para o Globo, onde faz a Perla Sigaud, responsável por diversas inovações no colunismo social. ”Valorizei a presença do fotógrafo. Depois da minha coluna, ficou superado descrever vestidos: os leitores vêem como as pessoas estavam vestidas no acontecimento.” Hildegard considera ultrapassada a fase das colunas encararem o mundo apenas pelo prisma da futilidade. “Ninguém mais sai por puro diletantismo, existe sempre uma conveniência e os encontros sociais são ótimos pretextos para se estabelecer um contrato e iniciar um negócio. Pode ser interessante para um industrial ser visto participando do mesmo jantar que um ministro e o leitor sabe muito bem o que isto significa.” ( Sérgio Costa – RJ)




GIBA UM

De origem humilde ele nasceu em Pari, “subdistrito do bairro operário de Brás”, Giba Um garante que lutou muito até conhecer o sucesso. Sempre de óculos escuros, diz que, quando escrever sua autobiografia, ela se chamará de Pari a Paris. “A coluna social nos padrões tradicionais está totalmente falida.”. Foi acreditando nisto que, há dez anos, revolucionou este campo em São Paulo. Hoje aos 38 anos, escrevendo na Folha da Tarde, Giba explica por que:“Tenho fórmulas especiais. Misturo política, esporte, sociedade, artistas e até pornografia nas notícias que dou. “E a maioria das notícias deste ex-marido de Pepita Rodrigues são de primeiríssima, desde a vinda de Frank Sinatra a São Paulo até a revelação de que o Ministro Delfim Neto sofre de gota.(Maria Alice Ferras – SP)

JULIETA ISENSEE



Há dezenove anos Julieta Isenseee, ou simplesmente July,
é destaque no colunismo baiano. Escrevendo no jornal
A Tarde, seu prestígio é tamanho que a alta sociedade
está sempre à sua procura para se informar ou dar infor-
mações sobre os últimos acontecimentos.
July exige exclusividade, não quer ser papel carbono das
 demais colunas de Salvador.
Muitas fofocas sociais ela não divulga, preservando a
intimidade das pessoas e evitando magoaá-las.
"Sei de coisas que Deus duvida, mas, infelizmente, não
posso divulgar tudo".
( Reynivaldo Brito - Ba)




WILSON FRADE

Em Belo Horizonte, Wilson Frade, do Jornal Estado de Minas, diz que o colunismo social nas grandes capitais está acabando. Assim, ele diz que procura dar uma boa notícia e, ao mesmo tempo, fazer um pequeno comentário sobre um fato que pode ter sabor popular. “acho que a coluna não pode ser apenas social, então mesclo o conteúdo com informações úteis. “ Aloísio Morais – MG)

TAVARES DE MIRANDA

Trabalhando em pleno feriado na redação da Folha de São Paulo, a cabeça e os bigodes brancos, Tavares de Miranda é, sem dúvida, o colunista mais tradicional da Paulicéia. Pernambucano, era ainda estudante de Direito quando desembarcou em São Paulo“Eu era um jovem comunista e fui expulso de Pernambuco no governo de Getúlio Vargas, depois do Estado Novo.” Aos 62 anos, ele chega à redação às 5h da manhã. “Minha coluna é a história da cidade de São Paulo. Há 26 anos venho noticiando tudo o que acontece na sociedade. Mas ela não é apenas social, tem notícias políticas e econômicas e também tem o Fru-Fru. Mas não tem o diz-que-diz-que, nem o gossip maldoso.” Um dos fatos mais marcantes de sua carreira foi a entrevista que fez com Antonio de Oliveira Salazar, “ a quem chamo de Santo Antonio de Comba Dão (cidade onde o ex –dirigente português está enterrado.) ( M.A.F. – SP)

CÂNDIDA PALMEIRA

Há 18 anos, Cândida Palmeira mantém sua coluna, na gazeta de Alagoas, sempre ligada a acontecimentos políticos.
“ Nasci bebendo política: Mas o sucesso de minha coluna não foi por ser parente de políticos: nunca fui dada ao mero elogio circunstancial.” Sobre os novos políticos, diz que “ é uma pena que não defendam acirradamente os interesses do estado.Em sua maioria, andam legislando em causa própria. Mas ainda há quem se salve”. ( Iracema Rodrigues – AL)

JOSÉ DE SOUZA
O colunismo social pernambucano pode ser dividido em antes e depois de Alex. È que José de Souza Alencar não se restringe às badalações da classe A. Ele é excelente cronista, é imortal da Academia Pernambucana de Letras. Para Alex, a crônica social não é um jornalismo superficial, mas “um mergulho no cotidiano, que sempre revela mais o aspecto humano dos acontecimentos que nos envolvem, valorizando a vida das pessoas e seu comportamento integral”. ( Fernando R. Menezes – PE)

TALITA DE ABREU
Talita de Abreu, a Katucha, está no Correio Brasiliense desde a Fundação de Brasília. Durante anos cobriu o Palácio do Planalto. Depois de Castello, parou o que lhe valeu a curiosidade de Costa e Silva: “por que você nos abandonou?” No aniversário de JK, após sua cassação, Katucha dedicou uma coluna ao ex-presidente. O jornal não queria publicar, mas ela assumiu a responsabilidade e a matéria saiu. Alguém do Gabinete Militar lhe confidenciou: O que você escreveu estava proibido. Você não foi chamada, porque todos a respeitamos muito. ( Alexandre Garcia – DF)

ROBERTO GIGANTE
Animador de bailes, cantor, colunista do Zero Hora, de Porto Alegre, e com programas em rádio e televisão, Roberto Gigante define-se como “uma pessoa de quem todo mundo gosta”. Ele acha que a sociedade de Porto Alegre não difere em nada daquelas do interior do Piauí ou de Paris. Seguramente o maior índice de audiência de televisão gaúcha no horário de seu programa. ( Sérgio F. de Matos – RS)

AMAURY JÚNIOR

O mais jovem colunista de São Paulo, Amaury Júnior, aos 31 anos, tem coluna no Diário Popular, no fim-de-semana e escreve para as revistas Moda, Etiqueta e Status. Amaury não tem a futilidade atribuída aos colunistas. Dá duro, trabalha o dia todo, sempre assessorado por sua esposa, a jornalista Celina. “A coluna social tem o poder de modificar hábitos e impor costumes”, afirma Amaury. “Sílvia Maluf me contou que o Paulo, todos os dias, antes de deitar, põe um dente de alho no copo d’água, para beber no dia seguinte. Paulo Maluf atribui a isso sua vitalidade. Dei a notícia em minha coluna. De repente uma legião de pessoas passou a fazer a mesma coisa.” Ele deu também a notícia de que a cachaça seria a bebida da moda em breve. “Não deu outra. A pinga, surpreendentemente, começa a ser bebida nos lugares mais sofisticados. Os maîtres e garçons perplexos, passaram a ouvir pedidos do tipo “ pinga pura em copo baixo, por favor”.( Maria Alice Ferraz – SP)

CONSUELO BRADA
Pouco antes de os grandes jornais noticiarem a indicação do General Figueiredo como candidato à Presidência da República, a coluna social do Jornal de Brasília revelava: Figueiredo será o próximo presidente.” Era Consuelo Brada; uma bela baiana, quem dava a notícia. Ela chegou na Capital Federal em sua inauguração e em 67 começava no telejornal da TV Nacional. Há quatro anos mantém sua coluna diária no jornal de Brasília e semanais no Estado de Minas e na Manchete. (Alexandre Garcia – DF)

RAIMUNDO GASPAROTO
No jornalismo desde 61, Paulo Raimundo Gasparotto escreve no Correio do Povo e na Folha da Tarde, tradicionais jornais gaúchos, e faz dois comentários semanais na TV Guaíba. “Minha página é escrita por uma equipe.Há um reconhecimento público e isso é a nossa satisfação. “Prefiro fazer uma coisa positiva a dar o aspecto negativo de qualquer fato.” Para ele “colunismo é uma síntese de temas que são notícia e uma mescla de pessoas que se preocupam mais em ser do que ter”.(S.F.M. – RS)

JOÃO ALBERTO SOBRAL
Há doze anos, João Alberto Sobral assina , uma coluna no mais antigo jornal da América Latina o Diário de pernambucano. Ele faz um colunismo social que dá vez aos políticos, pois, como diz ,“todo colunável gosta de política.Existe nela um enorme interesse, principalmente porque as pessoas conhecem o político e porque ele é gente. E colunismo social é, principalmente, gente”. João Alberto trouxe a crônica social nordestina um estilo modernizante, responsável por seu sucesso.(F.R.M. – PE)

Além do fato social, a preocupação com a economia e a política do país

ALIK KOSTAKIS

Alik Kostakis se considera “uma colunista agressiva sim, mas não mexo com a vida dos outros nem faço colunismo barato”. Começou a escrever há 25 anos na Ultima Hora. Hoje está na Folha da Tarde paulista. Ela já deu muitas notícias em primeira mão, como a primeira vinda de Osmar Shariff ao Brasil. Sua entrevista mais sensacional, segundo ela foi a que fez co Alexandre Onassis em Atenas: “ Ele tinha 20 anos e já era um homem sério, velho de cuca.” Para ela acabou-se aquele negócio de vestidinhos, caviarzinhos e outras coisas úteis e fúteis. Hoje em dia o colunista tem que falar de tudo: política, economia e pobreza.
Também falo de uma grande festa. É preciso um pouco de fantasia. (M.A.F. – SP)






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